domingo, 12 de maio de 2019

LIBERDADE, LIBERDADE!!





Tela de Eugène Delacroix - "A Liberdade conduzindo o povo"- 1830.
por Mouzar Benedito
Nós sociólogos (sic) fazemos muitas atividades por aí, e sempre nos perguntam como é que o Saci perdeu uma perna. Há várias versões. Conto a que prefiro.
Reza a lenda que o Saci era um pequeno deus guarani – pequenino mesmo, um curumim. Os colonizadores, para facilitarem o domínio dos povos indígenas, “transformaram” todos os seus deuses em demônios. Para aumentar o preconceito contra o Saci, nos tempos de escravidão negra, o transformaram em negro. E ele foi pego e escravizado por um fazendeiro. À noite, ficava acorrentado por uma perna, preso a um cepo na senzala. Uma noite, ele mesmo cortou a perna presa e fugiu. Preferiu ser um perneta livre do que um escravo de duas pernas.
Nestes tempos em que tem gente desprezando solenemente a liberdade, e aspirando a volta da ditadura, me lembrei disso. E coletei um monte de frases sobre o tema. Aí vão.
Benjamin Franklin: “Aqueles que abrem mão da liberdade essencial por um pouco de segurança temporária não merecem nem a liberdade nem a segurança”.
Benjamin Franklin, de novo: “Onde mora a liberdade, ali está minha pátria”.
Graham Greene: “Heresia é apenas um outro nome para liberdade de pensamento”.
Virginia Woolf: “Não há barreira, fechadura ou ferrolho que possas impor à liberdade da minha mente”.
Jeanne Manon Roland: “Liberdade, liberdade, os crimes que se cometem em teu nome”.
Machado de Assis: “A liberdade não é surda-muda nem paralítica. Ela vive, ela fala, ela bate as mãos, ela ri, ela assobia, ela clama, ela vive da vida”.
O gêmeo Paulo, no romance Esau e Jacó, de Machado de Assis: “A abolição é a aurora da liberdade; emancipado o preto, resta emancipar o branco”.
Bakunin: “A liberdade do outro estende a minha ao infinito”.
Françoise Sagan: “Desejo tanto que respeitem a minha liberdade que sou incapaz de não respeitar a dos outros”.
Clarice Lispector: “A liberdade é pouco. O que eu quero ainda não tem nome”.
Clarice Lispector, de novo: “Acho que devemos fazer coisa proibida, senão sufocamos. Mas sem sentimento de culpa e sim como aviso de que somos livres”.
Clarice Lispector, mais uma vez: “Eu tenho uma aparente liberdade, mas estou presa dentro de mim”.
Clarice Lispector, ainda: “Mas quero a liberdade de dizer coisas sem nexo como profunda forma de te atingir. Só o errado me atrai, e amo o pecado, a flor do pecado”.
E mais uma da Clarice Lispector: “A liberdade ofende”.
Stanislaw Ponte Preta: “Política tem esta desvantagem: de vez em quando, o sujeito vai preso, em nome da liberdade”.
Rubem Alves: “O desejo de liberdade é mais forte que a paixão. Pássaro, eu não amaria quem me cortasse as asas. Barco, eu não amaria quem me amarrasse no cais”.
Marina Tsvetayeva: “A liberdade é uma puta bêbada esperneando contra um soldado que tenta dominá-la”.
Luís Freitas Rodrigues: “A liberdade não evita que um indivíduo se torne hipócrita; é contudo, inegavelmente, uma lei contra a hipocrisia”.
Marquês de Maricá: “O que ganhamos em autoridade, perdemos em liberdade”.
Não sei quem: “Se você acha que a liberdade não enche a barriga, tente passar dez anos na prisão com a barriga cheia”.
Nietzsche: “Qual é o sinal da liberdade realizada? Não sentir vergonha de si mesmo”.
Nietzsche, de novo: “O homem livre é imoral, porque em todas as coisas quer depender de si mesmo e não de algo estabelecido”.
Carlos Drummond de Andrade: “A liberdade é defendida com discursos e atacada com metralhadoras”.
Balzac: “A liberdade leva à desordem, a desordem à repressão, e a repressão novamente à liberdade”.
Juscelino Kubistchek: “Não consentirá o governo que a liberdade seja utilizada para assassinar a própria liberdade”.
Juscelino, de novo: “A liberdade, para nós, corresponde a uma série de conquistas econômicas, sociais e políticas”.
D. Quixote: “Liberdade é o direito que se tem de não permitir que os outros façam aquilo que querem”.
José Bonifácio: “O amor da liberdade deve ser, na frase bíblica, invencível como é a morte; deve, como o apóstolo, ter a sede do infinito; deve ser grande como o universo que o contém”.
Graça Aranha: “A liberdade é uma relatividade humana, que forçamos à existência para a nossa ilusão criadora”.
Gustave Le Bon: “Muitos são os homens que falam de liberdade, mas poucos são os que não passam a vida a construir amarras”.
Jean-Jacques Rousseau: “O homem nasceu livre e por toda a parte vive acorrentado”.
Rousseau, de novo: “Povos livres, lembrai-vos desta máxima: a liberdade pode ser conquistada mas nunca recuperada”.
Baruch Espinoza: “É aos escravos, e não aos homes livres, que se dá um prêmio para os recompensar por terem se comportado bem”.
Manuel de Barros: “Quem anda nos trilhos é trem. Sou água que corre entre pedras – liberdade caça jeito”.
Guimarães Rosa: “A água de boa qualidade é como a saúde ou a liberdade: só tem valor quando acaba”.
Guimarães Rosa, de novo: “O passarinho na gaiola pensa que uma árvore e o céu o prendem”.
Henrik Ibsen: “Nunca vista as suas melhores calças quando sair para lutar pela liberdade e pela verdade”.
Millôr Fernandes: “A liberdade é um cachorro vira-lata”.
Millôr, de novo: “Não existe liberdade consentida. A liberdade é de baixo para cima, imposta pelas reivindicações e pela consciência do indivíduo. As tiranias, por vontade própria, jamais dãoliberdade. Apenas, à proporção em que se sentem seguras, vão pondo elos na corrente que prende todos os cidadãos”.
Millôr, mais uma vez: “Ser livre, é bom notar, não é ser libertado. ‘Eu te dou toda liberdade’ é a restrição suprema”
Denis Diderot: “O homem só será livre quando o último rei for enforcado com as tripas do último padre”.
Rui Barbosa: “Bem acanhado tino o dos que preferem a coroa do terror que um sopro arrebata, à do contentamento público na liberdade, que a gratidão perpetua”.
Montesquieu: “A liberdade é o direito de fazer tudo que as leis permitem”.
Thomas Jefferson: “O preço da liberdade é a eterna vigilância”
George Orwell: “Às vezes penso que o preço da liberdade não é tanto a eterna vigilância, mas o eterno jogo sujo”.
Nelson Rodrigues: “A liberdade é mais importante que o pão”.
Adão Myszak: “Na época atual, a liberdade só existe para os fortes. Ninguém precisa dos fracos”.
Austregésilo: “Ser livre, para o homem contemporâneo, é ser justo, é ser culto, é respeitar o direito alheio, o direito individual, diante de si mesmo”.
Coelho Neto: “Nada mais livre do que a natureza e, todavia, é regida por leis invariáveis”.
Heitor Moniz: “O liberalismo tem uma bandeira bonita e aspectos exteriores que o tornam na verdade sedutor. É apenas uma aparência enganosa”.
Heitor Moniz, de novo: “O liberalismo tudo promete ao povo e dá tudo aos fortes e aos ricos”.
Vivaldo Coaraci: “O homem é tanto mais livre quanto maior a sua capacidade de renúncia”.
Antônio Costa: “Liberdade! A natureza toda é um espelho onde a tua grandeza se reflete”.
Leôncio Basbaum: “Liberdade quer dizer vida e natureza, em toda sua exuberante, espontânea e livre manifestação”.
Leoni Kaseff: “O fim último da vida não é o progresso, nem mesmo a verdade, mas a liberdade”.
Wilson Chagas: “É livre quem aprendeu a livrar-se daquilo que o impede justamente de ser livre”.
Albert Camus: “Julgavam-se livres e nunca alguém será livre enquanto houver flagelos”.
Dei Bao: “A liberdade não é nada senão a distância entre a caça e o caçador”.
Victor Hugo: “Tudo que aumenta a liberdade, aumenta a responsabilidade”.
George Bernard Shaw: “Liberdade significa responsabilidade. É por isso que tanta gente tem medo dela”.
Sigmund Freud: “A maioria das pessoas não quer realmente a liberdade, pois a liberdade envolve responsabilidade, e a maioria das pessoas tem medo da responsabilidade”.
George Orwell: “Se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir”.
Rabindranah Tagore: “É tão fácil esmagar, em nome da liberdade exterior, a liberdade interior”.
Mahtma Gandhi: “A prisão não são as grades, a liberdade não é a rua; existem homens presos na rua e livres na prisão. É uma questão de consciência”.
Goethe: “Ninguém é mais escravo do que aquele que se julga livre sem o ser”.
Francis Bacon: “É um estranho desejo, desejar o poder e perder a liberdade”.
Voltaire: “Se o homem nasceu livre, deve governar-se; se ele tem tiranos, deve destroná-los”.
Madame de Staël: “A liberdade e o amor são incompatíveis. Quem ama é sempre escravo”.
Malcolm X: “Não se pode separar paz de liberdade, porque ninguém consegue estar em paz sem que tenha sua liberdade”.
Pablo Neruda: “Você é libre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências”.
Simone de Beauvoir: “Querer ser livre é querer livres os outros”.
Simone de Beauvoir, de novo: “O homem é livre. Para essa liberdade só há um caminho: o desprezo das coisas que não dependem de nós”.
Benito Mussolini: “A verdade é que os homens estão cansados de liberdade”.
Isaac Asimov: “A liberdade não tem preço, a mera possibilidade de obtê-la já vale a pena”.
José Martí: “A liberdade custa muito caro e temos que nos resignarmos a viver sem ela ou nos decidirmos a pagar seu preço”.
Che Guevara: “Sonha e serás livre de espírito… Luta e serás livre na vida”.
Gustave Le Bom: “Para os homens, a liberdade, na maioria dos casos, não é outra coisa senão a faculdade de escolherem a servidão que mais lhe convém”.
Nelson Mandela: “Nenhum poder na Terra é capaz de deter um povo oprimido, determinado a conquistar a liberdade”.
John Lennon: “A mulher é o negro do mundo. É a escrava dos escravos. Se ela tenta ser livre, tu dizes que ela não te ama. Se ela pensa, tu dizes que ela quer ser homem”.
Hilda Hilst: “Sinto-me livre para fracassar”.
Woody Allen: “A liberdade é o oxigênio da alma”.
Henri Barbusse: “A liberdade e a fraternidade são palavras, enquanto a igualdade é uma coisa”.
Bob Marley: “Acredito na liberdade para todos, não apenas para os negros”.
Beethoven: “Os músicos utilizam todas as liberdades que podem”.
Cecília Meireles: “Liberdade de voar num horizonte qualquer, liberdade de pousar onde o coração quiser”.
Leon Tolstoi: “Não alcançamos a liberdade buscando a liberdade, mas sim a verdade. A liberdade não é um fim, mas uma consequência”.
Lauro de Oliveira Lima: “Tudo está fluindo. O homem está em permanente reconstrução; por isso é livre: liberdade é o direito de transformar-se”.
Fernando Pessoa: “A liberdade é a possibilidade de isolamento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo”.
Jean Paul Sartre: “A pátria, a honra, a liberdade… Nada disso! O Universo gira em torno de um par de nádegas e isso é tudo…”.
Luís Fernando Veríssimo: “Mas eu desconfio que a única pessoa livre, realmente livre, é a que não tem medo do ridículo”.
Mouzar Benedito, jornalista, nasceu em Nova Resende (MG) em 1946, o quinto entre dez filhos de um barbeiro. Trabalhou em vários jornais alternativos (Versus, Pasquim, Em Tempo, Movimento, Jornal dos Bairros – MG, Brasil Mulher). Estudou Geografia na USP e Jornalismo na Cásper Líbero, em São Paulo. É autor de muitos livros, dentre os quais, publicados pela Boitempo, Ousar Lutar(2000), em co-autoria com José Roberto Rezende, Pequena enciclopédia sanitária(1996), Meneghetti – O gato dos telhados (2010, Coleção Pauliceia) e Chegou a tua vez, moleque! (2017, e-book). Colabora com o Blog da Boitempo quinzenalmente, às terças.


sexta-feira, 10 de maio de 2019

O DECANO DO JORNALISMO POLÍTICO DO ACRE, FALOU!!





O decano do jornalismo político do Acre, Luís Carlos Moreira Jorge, a quem presentiei  o meu trabalho sobre o PT, teceu o seguinte comentário no seu Blog abrigado  no Ac. 24 Horas.

“Terminei de ler e recomendo o livro do professor e militante do PT, Marcos Inácio Fernandes, o “Marcão”, sobre a história política do Acre e com foco maior no surgimento do PT. Belo livro para quem gosta de política e de história. Para minha surpresa, eu vi inserida na obra duas notas da coluna que eu assinava no jornal “O RIO BRANCO”, intitulada “Conversando sobre Política”, sobre disputas internas no surgimento do PT, isso em 1981. Já se vão 38 anos! Mas já assinava coluna política desde o meado da década de 70, também no “O RIO BRANCO”. O que nos leva a escrever sobre política mais de 40 anos. O livro do “Marcão” me fez reviver essa vivência. É uma obra que dá uma pincelada por todos os partidos que existiam no Estado antes da abertura política e do fim do bipartidarismo. Como acompanhei estas fases foi como um filme antigo passando pela minha cabeça. Muitas colunas surgiram ao longo dessas décadas, se mantiveram por um tempo e depois sumiram. A única que ficou perene foi a minha coluna. Por isso nada mais me surpreende na política do Estado. Foi bom reviver um pouco disso no livro do Marcão. Inclusive, uma ilustração da Balsa para Manacapuru, feita pelo DIM, em 1988, com aquele personagem da Escolinha do Professor Raimundo, que veio fazer campanha para o Ariosto Migueis à PMRB, gritando na televisão “Veeenha”! Ariosto foi derrotado pelo Kalume. E volto a recomendar que comprem o livro, à venda na livraria Paim. Comprem, é história.

(Blog do Crica de Luís Carlos Moreira Jorge. Em: 09-05-2019)

PS - Obrigado pelas palavras generosas Luís. Espero que muitos outros sigam a sua recomendação. Comprem o livro, leiam e façam as suas considerações.

domingo, 21 de abril de 2019

EM HOMENAGEM AO MÁRTIR DA CONJURAÇÃO MINEIRA - TIRADENTES.


Sentença contra Tiradentes.


“Que seja conduzido pelas ruas públicas ao lugar da forca e ali morra morte natural para sempre e que depois de morto lhe seja cortada a cabeça e pregada em poste alto até que o tempo a consuma: e seu corpo será dividido em quatro quartos e pregado em postes pelo caminho de Minas, onde o réu teve suas infames práticas. Declaram o réu infame, e seus filhos e netos, sendo seus bens confiscados. A casa em que vivia será arrasada e salgada, para que nunca mais no chão se edifique.” 
(Autos da Devassa da Inconfidência Mineira)

Romance LIX ou da Reflexão dos Justos


“Foi trabalhar para todos...
- E vede o que lhe acontece!
Daqueles a quem servia,
Já nenhum mais o conhece.
Quando a desgraça é profunda,
Que amigos se compadece?

Tanta serra cavalgada!
Tanto palude vencido!
Tanta ronda perigosa,
Em sertão desconhecido!
- E agora é um simples Alferes
Louco – sozinho e perdido.

Talvez chore na masmorra.
Que o chorar não é fraqueza.
Talvez se lembre dos sócios
Dessa malograda empresa.
Por eles, principalmente,
Suspirará de tristeza.

Sábios, ilustres, ardentes,
Quando tudo era esperança...
E, agora, tão deslembrados
Até da sua aliança!
Também a memória sofre,
E o heroísmo também cansa.

Não choram somente os fracos.
O mais destemido e forte,
Um dia também pergunta,
Contemplando a humana sorte,
Se aqueles por quem morremos
Mereceram nossa morte.

Foi trabalhar para todos...
Mas, por ele, quem trabalha?
Tombado fica seu corpo,
Nessa esquisita batalha.
Suas ações e seu nome,
Por onde a glória os espalha?

Ambição gera injustiça.
Injustiça, covardia.
Dos heróis martirizados
Nunca se esquece a agonia.
Por horror ao sofrimento,
Ao valor se renuncia.

E, a sombra de exemplos graves,
Nascem gerações opressas.
Quem se mata em sonho, esforço,
Mistérios, vigílias, pressas?
Quem confia nos amigos?
Quem acredita em promessas?

Que tempos medonhos chegam,
Depois de tão dura prova?
Quem vai saber, no futuro,
O que se aprova ou reprova?
De que alma vai ser feita
Essa humanidade nova?”

(Cecília Meireles – Romanceiro da Inconfidência)




domingo, 7 de abril de 2019

DM/PT - MEMÓRIAS I



Saudação aos companheiros do PT quando fui indicado para presidência do DM de Rio Branco. Não consegui implantar a "Escola de Formação Política e Cidadania", mas consegui conhecer mais um pouco das entranhas do partido. Um rico aprendizado! (MIF)

Plenária do PT de Rio Branco (25/03/2017)

Meu “improviso” aos companheir@s

1 –  Saudação a plenária e a mesa. Minhas condolências ao Jorge, Tião e toda família Viana pela recente partida do seu patriarca. Seu Wilde agora é “poeira de estrelas”, como diz meu xará filósofo Marcos Afonso.  Como disse o poeta Augusto dos Anjos: “Depois da morte ainda teremos filhos”. São vocês que ajudaram a transformar o Acre.
Obs. Lembrar de D. Sílvia e seu Pedro Veras fazendo boca de urna pelos filhos no Colégio Acreano, em 1990.
2 – Minha Gratidão áqueles que me trouxeram até aqui. Desde os companheiros do PCBR, do Partidão e do PT de todas as suas correntes internas, que me confiaram a tarefa de dirigir o nosso partido em Rio Branco. Obrigado companheiros. Como diz o samba: “Eu sei bem que mereço, mas não esperava tanto”. Quando “ficar difícil vou enfrentar, e quando ficar fácil, agradecer”.
Quero pedir um sonoro PRESENTE aos companheiros que já subiram e ajudaram a construir a nossa história.
. Wilson Pinheiro (Assassinado);
. João Eduardo (Assassinado);
. Jesus André Matias (Assassinado);
. Ivair Higino (Assassinado);
.Francisco Alves Mendes Filho- Chico Mendes (Assassinado);
. Francisco Augusto Vieira Nunes - Bacurau;
. Francisco Hélio Pimenta;
. José Marques de Souza - Matias;
. Hélio Melo;
. Professora França;
. Vereadora Maria Antônia;
. Dep. Estadual Francisco Rildo Cartaxo Nobre;
. Anselmo (Presi. do STR de Plácido de Castro);
. Jõão de Deus (líder comunitário);
. Zé Gilberto;
. Zé Alexandre;
.Manoel Ribeiro
. Theodoro Sólon Quintela - Quintelinha.
. Antônio Cezário Braga.(Pai do nosso Cezarinho, que vai dirigir o nosso partido no Estado).


3 – Os Autonomistas diziam que o ACRE era o amor ao Brasil que se tornou expressão JURÍDICA. Eu digo que o PT é o amor ao Acre, que se tornou expressão POLÍTICA.
Estamos demonstrando isso nesses 17 anos intercalados na Prefeitura e 17 anos consecutivos no Governo em  rumo aos 20 anos. E Queremos mais 20, por que não?
4 – Nesse nosso encontro eu quero falar de MILAGRES. Como diz Hana Arendet: “A questão de se a POLÍTICA ainda tem de  algum um sentido  remete-nos necessariamente de volta a questão do sentido da política; e isso ocorre exatamente quando ela termina em uma crença nos milagres e em que outro lugar poderia terminar” (A Dignidade da Política);

Os heróis nacionais e patriotas que sofreram prisões, torturas, clandestinidade, exílio e, mesmo assim, morreram de velhos de morte natural. Eu saúdo aos que atapetaram o nosso caminho com sangue, suor e lágrimas. Nomino: Luís Carlos Prestes, Gregório Bezerra, Apolônio de Carvalho, João Amazonas, Giocondo Dias, Salomão Malina, Jacob Gorender, Leonel Brizola Brizola, entre outros, que no momento me foge a memória.
Os milagres da política:
a-   Milagre de ter cumprido todos os requisitos da Reforma Partidária de 1979, para se constituir no Acre;
b-   Milagre de ter cumprido a legislação draconiana com chapa integral nas eleições de 1982, com voto vinculado  e tudo. Já naquelas eleições o PT desponta como a 3ª força política no Estado. Foi a 2ª maior votação proporcional do Brasil (5,3 %) só superada pela de São Paulo, que foi de 9,8%.
c-   Milagre de apenas com 11 anos e existência  chegar a 1ª Prefeitura  da região Norte . Rio Branco. Diziam que para a administração do PT aparecer bastaria que o Jorge pintasse a Prefeitura. Fez mais, muito mais. Ganhou prêmios (Polos Agroflorestais e Casa Rosa Mulher);
d-   Jorge governou com minoria parlamentar na Câmara de Rio Branco, mesmo assim, terminou o governo municipal com mais de 80% de aprovação;
e-   E para não me estender muito, vocês estão diante de outro MILAGRE. Fui “ungido” por todas as forças do PT, consensualmente, para dirigir o partido em Rio Branco. Uma demonstração de unidade e maturidade política. Não pletei o cargo, não fiz proselitismo político para ser aceito e não tinha essa pretensão. Caiu no meu colo e vou assumir a TAREFA, como um velho BOLCHEVIQUE da escola do Partidão.

Tarefa de Geir Campos:

“Morder o fruto amargo e não cuspir
mas avisar aos outros quanto é amargo,
cumprir o trato injusto e não falhar
mas avisar aos outros quanto é injusto,
sofrer o esquema falso e não ceder
mas avisar aos outros quanto é falso;
dizer também que são coisas mutáveis...
E quando em muitos a noção pulsar
— do amargo e injusto e falso por mudar —
então confiar à gente exausta o plano
de um mundo novo e muito mais humano.

Vou me dá como tarefa fazer duas (2) coisas:
1 – Conhecer o partido a “palmo de gato” (radiografia computadorizada); pois como disse Sun-Tzu: “Se conhecemos o inimigo e a nós mesmos não precisamos temer o resultado de uma centena de combates. Se nos conhecemos, mas não ao inimigo, para cada vitória sofreremos uma derrota. E se não nos conhecemos nem ao inimigo, sucumbiremos em todas as batalhas” (a Arte da Guerra - Cap.III).

2 – Implantar a Escola de Formação Política e Cidadania para qual estou sugerindo o nome do Abrahim Farahat – Lhé , que pela sua generosidade e solidariedade, no meu entendimento, é a figura mais emblemática do PT do Acre e deslanchar o processo de formação, principalmente entre os jovens.
O mais é lutar “até a carne cair dos ossos”, já que lutar para nós é um destino, como disse o presidente/poeta Agostinho Neto:

“Lutar para nós é um destino.
É uma ponte entre a descrença
E a certeza de um mundo novo”
(Agostinho Neto - Vozes de Angola)

À luta companheir@s!!

Rio Branco – AC, 25 de março de 2017

Marcos Inácio Fernandes
(futuro Presidente do Diretório Municipal do PT de Rio Branco)


                                    






sexta-feira, 5 de abril de 2019

LIBERDADE, LIBERDADE, ABRE AS ASAS SOBRE NÓS









“Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós*
(Clamando por Lula Livre no 1º aniversário de sua prisão política)

Por:Marcos Inácio Fernandes**

Liberdade - essa palavra,
Que o sonho humano alimenta:
Que não há ninguém que explique,
E ninguém que não entenda!”
(Cecília Meireles – Romance XXIV do Romanceiro da Inconfidência)

Ontem vi o filme ”Snowden - Herói ou traidor” , que conta a história de Edward Snowden, que em 2013 vazou informações secretas da Agência de Segurança Nacional – NSA, dos EUA - entre elas, documentos que provaram que a agência monitorava ciberneticamente milhões de pessoas sem autorização do Congresso americano, inclusive a presidente Dilma e a Petrobrás.

 O diretor do filme, Oliver Stone, não tem dúvidas que o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff foi um "golpe de estado", que são sempre gestados nos bastidores dos “porões” das embaixadas e demais departamentos do governo americano. O subcomandante Sibá Machado, há muito que vinha “cantando essa pedra” e tentaram ridicularizá-lo com a pecha de “téorico da conspiração”. Agora já podemos ver nas telas e, nos livros, uma parte desse enredo macabro que vem ocorrendo no mundo árabe e na Venezuela e em outros países do nosso continente. É como diz o ex-presidente do Equador, Rafael Correia: “O único país que está livre de um golpe de Estado, são os Estados Unidos. Lá não tem Embaixada Americana.”

Pois bem. O golpe de 2016 no Brasil ainda está em curso e ganhou contornos dramáticos com a prisão do Lula em 7 de abril de 2018. Nesse primeiro aniversário dessa indignidade de que Lula é vítima e que nos afeta a todos, fica minha reflexão, cheia de esperanças, de que, mais cedo ou mais tarde, Lula ganhará a LIBERDADE e será um dos protagonistas da cena política brasileira. Lula ainda tem o privilégio de nas masmorras de Curitiba não ter ficado apartado do seu povo. Estive na Vigília de Lula Livre, lá pelo 180 dias do seu encarceramento e vi e me comovi com a solidariedade que ele recebia todos os dias com o “BOM DIA, BOA TARDE e BOA NOITE presidente Lula” e muitas outras manifestações de solidariedade do povo brasileiro, através de cartas (também mandei a minha) e visitas ilustres do mundo inteiro e dos seus companheiros de partido.

Mesmo nessa situação de preso político, Lula pode se considerar um privilegiado. Um ungido pelas forças da natureza e da sociedade. A perversidade e desumanidade das nossas elites, não conseguiram apartar Lula do seu povo e nem confiná-lo numa solitária, sem direito a visitas, leituras e assistência religiosa/humanitária. Lula não teve o direito de enterrar o irmão e quase acontecia o mesmo com a perda prematura de seu neto. Muitos dramas pessoais, muita provação, mas Lula RESISTE!

Pode ser que sirva de consolo quando comparamos a situação do Lula com a de José Mujica do Uruguai e de Luís Carlos Prestes do Brasil. Mujica, que visitou Lula na mesma época que estive na vigília, amargou 12 anos de solitária por diversas masmorras de seu país (também deu filme: “A Noite dos 12 Anos”). Foi anistiado e se tornou Presidente da República do Uruguai e continua vivo prá contar a história. Prestes, foi preso em março de 1936, depois da fracassada “Intentona Comunista” de 1935. Amargou quase 10 anos de cárcere em regime de isolamento, sua companheira Olga Benário Prestes, foi entregue para a Gestapo Nazista e morreu num campo de concentração alemão. A situação de Prestes era tão degradante, que no seu julgamento, seu advogado Sobral Pinto, invocou em sua defesa a Lei de Proteção aos Animais. Prestes resistiu a ditadura do Estado Novo. Foi anistiado em 1945 e eleito Senador pelo Rio, em 1946, foi cassado juntamente coma sigla do PCB, mas continuou a atuar na política brasileira, até 1990, quando nos deixou, aos 92 anos, para entrar para a história dos heróis do nosso povo.

Lula e o “Lulismo” também já fazem parte do imaginário popular. O pouco que fez pelo nosso povo, nos seus dois governos, foram bastante para merecer o reconhecimento e a gratidão daqueles que sempre foram alijados das políticas publicas.

Nesse 1º aniversário de sua prisão política espero que possamos ser poupados de rememorar no próximo ano, mas estaremos juntos quantos anos forem necessários.

Termino com a reprodução da dedicatória do meu livro sobre o PT do Acre, que mandei pro Lula: “Presidente Lula nós dizemos bem alto: A INJUSTIÇA DÓI (Madeira do Rosarinho de Capiba).  Compartilhamos de sua dor. Obrigado por você existir e RESISTIR. Com o abraço fraterno e solidário do Marcão.

Espero que já tenha sido entregue.

**Marcos Inácio Fernandes, é militante do PT

*Hino da Proclamação da República de Leopoldo Miguez e Osório Duque Estrada