terça-feira, 20 de outubro de 2026

MANTENDO A PÓLVORA SECA!

 

MANTENDO A PÓLVORA SECA!

 

Binho e militância do PT

Por: Marcos Inácio Fernandes*

“Confie em Deus, mas mantenha a pólvora seca.”

Oliver Cromwell (1599 – 1658)

 Contexto Histórico:

A frase é atribuída ao líder da Revolução Puritana na Inglaterra, Oliver Cromwell, início das revoluções burguesas clássicas, que marcava a ascensão do capitalismo. Cromwell a pronunciou na batalha de Dunbar na Irlanda quando suas tropas iam atravessar um rio.

O sentido literal da frase é militar, pois nos séculos XVI e XVII, os soldados usavam mosquetes e arcabuzes carregados com pólvora solta. Se a pólvora molhasse, a arma não disparava, e o soldado ficava indefeso mesmo depois de rezar. Manter a pólvora seca era a precaução básica de quem ia à batalha. O sentido figurado é o que sobreviveu: ter fé, mas não ser negligente.

A expressão virou um provérbio sobre estar sempre preparado e vigilante. Ela se constitui numa síntese, bem contemporânea, da relação entre fé, esperança, prudência, poder e ação política.

Isso é, exatamente, o que estamos fazendo desde que o resultado do 1º turno foi anunciado e os vencedores começaram a verbalizar seu projeto político e até anunciar Ministérios para governar o Brasil. O que os bolsonaristas expressaram, provocou uma reação espontânea e em cadeia da sociedade brasileira. E os estudantes e a juventude encabeçaram as grandes mobilizações e manifestações de massas, nas ruas e nas redes.

A disputa deixou de se restringir a Lula x Flávio Bolsonaro; esquerda x direita; mas sobre; democracia x ditadura; civilização x barbárie; humanismo x ódio e intolerância.

E as manifestações pipocaram por todo Brasil, embaladas pelas palavras de ordem de VIRA LULA!  E BORA LULA!! E já podemos vislumbrar que o vira-vira está se configurando.

Ontem na manifestação de Rio Branco na Praça da Revolução pude sentir esse clima. Fazia tempo que não via um ato tão numeroso, eclético e animado. Além da gente - as “figuras carimbadas” da esquerda acreana, tinha muitos jovens, pessoas do povo de todas as idades e muitas figuras do campo político/ideológico, que nunca participaram de manifestações políticas.

Fiquei feliz em ver muitos companheiros veteranos e muitos ex-alunos no evento. Alguns desses ex-alunos fizeram questão de tirar uma foto comigo e ganhei muitos abraços carinhosos e fraternos. Saí do evento revigorado e muito mais esperançoso. Nesses 6 dias que faltam é não baixar a guarda, se manter nas ruas e nas redes, alertar os incautos e conseguir votos prá Lula.

Agora é manter a “pólvora seca” para disparar no 13 no próximo domingo.

 

*Marcos Inácio Fernandes (Marcão), 78 anos, professor aposentado e militante do PT.

Rio Branco (AC), 19 de outubro de 2026

Memória do ato:

 

Rejane, Marcão, Arlete e Brana

 

 

Liberacy, Marcão e Nara

 Daniel Carneiro, Liberacy (ex-alunos) e Marcão


 

Conceição, Marcão e França


 

Clevson, Marcão, Cleisa filha e Vitória.




SER E PARECER.

 

SER E PARECER



Por: Marcos Inácio Fernandes*

"A mulher de César não basta ser honesta, precisa parecer honesta”.

Caio Júlio César (100–44 a.C.)

Contexto histórico:

Caio Júlio César, futuro ditador de Roma, na época do episódio era pretor (magistrado) e já havia sido eleito Pontífice Máximo (autoridade religiosa máxima de Roma).  Pompeia, era sua segunda esposa, com quem se casou por volta de 67 a.C.

O episódio em que a frase foi cunhada, ocorreu na festa da Bona Dea ("Boa Deusa"), um ritual religioso de Estado, realizado anualmente no início de dezembro, na casa de um magistrado romano, geralmente o cônsul ou o pretor. Apenas mulheres participavam desse ritual. O magistrado e todos os homens da casa eram obrigados a sair; até estátuas ou representações masculinas eram cobertas com véus.

A deusa era associada à fertilidade e à modéstia feminina. Seus ritos eram secretos, noturnos, com música, dança e sacrifícios. A exclusão dos homens era absoluta e sagrada — a presença de um homem era uma profanação (chamada de incestum).

Então aconteceu a “profonação” da festa por Públio Clódio Pulcro, um patrício jovem, entrou disfarçado de mulher (como harpista) — supostamente para se encontrar com Pompeia. Foi descoberto, e o escândalo explodiu.

De imediato, César divorciou-se de Pompeia. Quando questionado, mesmo sem provas de que ela tivesse cometido adultério, respondeu que "a mulher de César não deve estar nem sob suspeita". Ele não a acusou de adultério; o problema era a aparência de impropriedade, incompatível com o cargo de Pontífice Máximo que ele ocupava.

A conexão com a lógica de César

 Na política contemporânea não basta ser inocente; é preciso parecer inocente aos olhos do público. É impressionante constatar, como detentores de cargos públicos, nos três poderes, enriquecem e não conseguem explicar seus crescimentos patrimoniais.

A frase "a mulher de César não basta ser honesta, precisa parecer honesta" aplica-se com precisão ao episódio recente: a exigência de abertura de sigilos bancários e telefônicos por Lula e Flávio Bolsonaro não é sobre culpa jurídica, mas sobre a "aparência" de idoneidade que ambos precisam dizer ao eleitorado na reta final do segundo turno.

César repudiou Pompeia não porque acreditava em sua traição, mas porque o cargo de Pontífice Máximo exigia que sua casa estivesse acima de qualquer suspeita. A dúvida, por si só, era intolerável.

No episódio atual, a lógica se repete. Lula desafiou Flávio Bolsonaro a abrir sigilos durante o debate da Band em 18 de outubro, propondo que ambos entregassem os dados à Justiça Eleitoral antes da votação. A justificativa explícita foi: "para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão nesse país”. Ou seja, não se trata das duas investigações criminais em curso contra Flávio que motivou a exigência, mas da suspeita pública que paira sobre o patrimônio do senador — a compra de um imóvel de alto valor, por exemplo — e que Lula quer ver esclarecida antes do voto.

No dia de hoje, Lula vai protocolar junto ao TSE, sua procuração e de familiares, autorizando seu sigilo bancário e telefônico. Vamos acompanhar se Flávio Bolsonaro fará o mesmo. Continuando o nosso passeio histórico, lembro Tancredo Neves que disse: “ninguém vai ao Rubicão para tomar banho”. Lula atravessou o Rubicão. Encerro com outra frase de César: “Alea jacta est” – “A sorte está lançada”. Venceremos!!

 

Rio Branco (AC), 20 de outubro de 2026

 

*Marcos Inácio Fernandes (Marcão). 78 anos, professor aposentado e militante do PT

 

 

 

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

ANA CAROLINA - 50 ANOS (UMA CANÇÃO QUE VIROU VIDA)

 

ANA CAROLINA - 50 ANOS

(Uma canção que virou vida.)



Quando minha filha nasceu em 1976, eu e Eró resolvemos homenagear a minha avó materna cujo nome era ANA. Uma mulher, que entre outras qualidades, me protegeu de uma surra que meu pai estava prestes a me castigar. E o CAROLINA da lírica e melancólica canção do Chico Buarque. Ficou assim: ANA CAROLINA DA SILVA FERNANDES. (Silva da parte da mãe, Eró e o Fernandes, de minha parte).

E o “tempo passou na janela” e quase nem demos conta e quando a gente “deu fé”, lá se passaram meio século. Na canção de Chico, Carolina contempla o tempo passar, enquanto lá fora a vida floresce vai passando pelas frestas da janela e convida ao encantamento. A música deixaria de ser apenas música para se transformar na mais bela realidade das nossas vidas.

Hoje, contemplando seus 50 anos, lembro da menina que carreguei nos braços, da mulher que se transformou diante dos meus olhos e da mãe que fez o milagre de prolongar a nossa existência concebendo o “Rei Arthur” nosso arcanjo da esperança, esse menino que trouxe novas asas aos nossos sonhos e fez a vida florescer outra vez, perpetuando a nossa herança genética. Como disse o poeta, Augusto dos Anjos: “depois da morte ainda teremos filhos”... e netos.

Minha filha, o tempo vai continuar a “passar na janela,“que nas suas novas voltas em torno do sol, as energias cósmicas, produzam sentimentos bons na sua vida e que ela continue a lhe bafejar com suavidade.

 Que seus caminhos sejam iluminados e que nunca lhe faltem motivos para sorrir. PARABÉNS, FELICIDADE E VIDA LONGA!!!

Dos pais Marcos e Eró.

Rio Branco (AC), 15 de outubro de 2026



Marcos, Ana e Eró.


Abelardo, Ana com Arthur, Marcos e Eró

 


segunda-feira, 12 de outubro de 2026

QUANDO O BLOCO DA VITÓRIA ENTRA NA RUA.

 

QUANDO O BLOCO DA VITÓRIA ENTRA NA RUA

(Lula, o povo e a hora da virada)

Por: Marcos Inácio Fernandes*

Uma leitura política do frevo  “O Bloco da Vitória de Nelson Ferreira*

Há momentos na história em que a política deixa os gabinetes, abandona os discursos protocolares e ganha as ruas. Nesses momentos, a história parece encontrar sua própria música. E poucas expressões da cultura brasileira traduzem tão bem esse fenômeno quanto o frevo pernambucano.

É nesse universo que o Bloco da Vitória, de Nelson Ferreira, oferece uma poderosa metáfora para compreender a trajetória política de Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente sua capacidade de atravessar derrotas, resistir às adversidades e retornar ao centro da vida política brasileira.

O frevo anuncia, com a alegria contagiante das multidões, que chegou a hora da virada. Mas essa virada não acontece por determinação de um líder isolado. Ela depende de uma força coletiva que transforma esperança em movimento e movimento em possibilidade histórica.

A primeira grande lição do frevo é que a vitória começa quando o povo entra na rua.

Lula conhece profundamente essa linguagem. Sua trajetória política nasceu das assembleias operárias, das greves do ABC paulista, da organização sindical e da construção de um projeto político que buscava transformar demandas sociais em participação no poder.

Como no frevo, não se trata de uma caminhada solitária. Há um cordão, uma multidão, uma coletividade que reconhece interesses comuns e decide caminhar junta.

A virada não é um presente: é uma construção

Na política, como na música, o ritmo importa.

O frevo começa com a convocação, ganha velocidade, incorpora novos participantes e transforma o movimento individual em uma celebração coletiva.

A trajetória de Lula também conheceu diferentes compassos: as derrotas eleitorais, a chegada à Presidência em 2003, os conflitos políticos, a prisão, a recuperação dos direitos políticos e a vitória presidencial de 2022, pela terceira vez..

Essa sequência não deve ser compreendida como um destino inevitável, mas como resultado de disputas sociais, decisões institucionais, estratégias políticas e mobilizações populares.

A imagem do bloco que não interrompe sua marcha diante das dificuldades permite interpretar a resistência política como uma combinação de persistência, organização e capacidade de reconstrução.

É justamente aí que a analogia ganha profundidade.

O povo não é apenas o espectador da virada. É um dos seus principais agentes históricos.

“Quando o povo decide entrar na frevança”

Há um aspecto especialmente expressivo no frevo de Nelson Ferreira: a celebração popular não elimina a memória das dificuldades.

O povo que dança também é o povo que trabalha, enfrenta a carestia, convive com a desigualdade e luta pela sobrevivência.

Por isso, a alegria do bloco não pode ser confundida com a ausência de sofrimento. Ela representa a capacidade de produzir esperanças apesar dele.

Na experiência política brasileira, a ascensão de Lula está relacionada a esse universo de trabalhadores urbanos e rurais, movimentos sociais e parcelas da população historicamente afastadas dos centros de decisão.

Entretanto, é necessário reconhecer que o povo brasileiro não constitui uma vontade única. Suas aspirações são diversas, frequentemente contraditórias e atravessadas por conflitos de classe, território, geração e valores.

A força da metáfora está precisamente nessa tensão: transformar uma multidão heterogênea em um movimento político suficientemente articulado para disputar os rumos do país.

A gargalhada como expressão de resistência

O frevo também reserva um lugar especial ao riso.

Não se trata apenas da gargalhada carnavalesca, mas da possibilidade de enfrentar o medo, desafiar a resignação e recuperar a confiança no futuro.

Na história política, o humor popular muitas vezes funcionou como linguagem de crítica ao poder. A sátira, a irreverência e a festa permitem expressar aquilo que nem sempre encontra espaço nos discursos oficiais.

A virada de Lula pode ser lida, nessa perspectiva, como um momento em que seus apoiadores transformaram a memória da derrota no 1º turno em celebração política.

Mas a festa eleitoral tem seus limites.

A vitória nas urnas não resolve a concentração de renda, as desigualdades regionais ou os conflitos entre interesses econômicos e direitos sociais.

O bloco pode conquistar a avenida. Governar o país, porém, exige transformar a energia da mobilização em políticas públicas, instituições democráticas e resultados concretos.

A verdadeira vitória começa depois da festa

Aqui reside a dimensão mais importante da analogia.

O frevo celebra a chegada da vitória; a política precisa perguntar o que será feito com ela.

A volta de Lula à Presidência em 2023 representou, para seus apoiadores, uma possibilidade de reconstrução de políticas sociais e de retomada de compromissos democráticos. Mesmo com todos os avanços dos indicadores econômicos, Lula sofre uma oposição zoológica da extrema direita bolsonarista, que afeta o Brasil e sua soberania. (Vide o apoio aos tarifaços dos EUA).

A democracia em risco

O povo entendeu esse risco a partir das primeiras declarações do candidato vencedor do 1º turno. Ameaça a Constituição, o “tesouraço” prometido e as imagens de comemoração da vitória.: a arma na mão da criança, o chicote da Júlia Zanatta (PL-SC), os incêndios na Universidade de Pernambuco.

.A medida histórica de uma virada política não está apenas na capacidade de vencer uma eleição, mas na possibilidade de ampliar direitos, reduzir desigualdades e produzir mudanças duradouras nas condições de vida da população.

É nesse ponto que a alegria do frevo encontra a responsabilidade do Estado.

A vitória deixa de ser exclusivamente partidária e passa a ser julgada por seus efeitos sobre a sociedade.

O Brasil ainda está na avenida

Nelson Ferreira compôs um frevo que ultrapassa o tempo de sua criação porque compreendeu algo essencial sobre a cultura popular: a esperança também precisa de ritmo, de corpo e de presença coletiva.

A história de Lula permite uma leitura semelhante. Sua trajetória demonstra que derrotas políticas não encerram necessariamente um projeto e que a capacidade de reorganização pode alterar situações consideradas definitivas.

Mas nenhuma virada pertence para sempre a um líder, a um partido ou a uma geração. Pertence a toda sociedade organizada.

A democracia é um movimento permanente, feito de avanços, recuos, conflitos e novas possibilidades.

O Bloco da Vitória oferece, assim, uma imagem do Brasil que insiste em se reinventar: um país que conhece as dificuldades, mas não renuncia ao direito de sonhar; que enfrenta suas contradições, mas continua procurando caminhos de transformação.

Porque a grande virada não acontece apenas quando um candidato vence. Acontece quando a esperança coletiva consegue transformar-se em conquistas sociais.

E, enquanto houver desigualdade a enfrentar, direitos a defender e democracia a aperfeiçoar, o Brasil continuará precisando de gente disposta a entrar na avenida e dançar o frevo.

Afinal, a história não termina quando o bloco vence.

É depois da vitória que começa a verdadeira responsabilidade de mudar o país.

Rio Branco (AC), 12 de outubro, dia da Padroeira do Brasil, de 2026

*Marcos Inácio Fernandes, 78 anos, é professor aposentado e militante do PT


PS 1 -Texto inspirado no frevo “Bloco da Vitória”, de Nelson Ferreira transcrito abaixo:


Bloco da Vitória

Nelson Ferreira

”O Bloco da Vitória está na rua
Desde que o dia raiou
Venha minha gente
Pro nosso cordão
Que a hora da virada chegou, ô ô ô ô

Quando o povo decide
Cair na frevança
Não há quem dê jeito
Aguenta o rojão
Fica sem comer
Mas no fim dá tudo ok

Neste carnaval
Quá quá quá quá
O prazer é gargalhar
E com bate bate de maracujá
A nossa vitória vamos festejar”.

PS 2 – Imagens dos “vencedores” do 1º turno

Criança de arma na mão comemorando em Parnamirim-RN e deputada Júlia Zanatta (PL-SC) de rêlho na mão, comemorando em Santa Catarina.