Os 80 anos de Eró teve duas celebrações. A primeira foi no mesmo dia do seu nascimento (07/03), em Grossos, onde reside seu irmão Ozório (Janjão), junto aos seus familiares, na praia de Pernambuquinho, naquela cidade. A segunda foi em Parnamirim que a sua família adotiva (os COSTA/FERNANDES e os FERNANDES, de Parnamirim fez questão de celebrar lhe oferecendo um jantar.
Para as celebrações fiz um texto e um vídeo relatando a trajetória de vida de Eró. Compartilho o texto. (O vídeo fica para outra postagem, pois é longo para os padrões da Internete).
segue o texto e a memória fotografica dos eventos. (MIF)
LIBELO POLÍTICO PARA ERÓ
(Passeando por Maquiavel,
prisões e calçada alta)
Maquiavel, pai da Ciência
Política, disse que: VIRTUDE e a FORTUNA
são os dois polos onde se desenvolvem as ações políticas. O Príncipe, teria que
possuir essas duas qualidades para chegar e, se manter, no PODER. A “fortuna” seria a sorte e saber aproveitar
as circunstâncias e saber agir no momento certo. Não deixar o “cavalo passar
selado”. Esse preâmbulo (cacoete de professor aposentado) é prá dizer que eu
tenho muita sorte, apesar de nunca ter ganho uma mísera “galinha cheia” em
quermesse de Igreja. Aqui no Nordeste diz-se que uma pessoa de sorte “acha
dinheiro em calçada alta, pois não precisa nem se abaixar para apanhar”
Eu achei Eró numa “calçada
alta” e em circunstâncias muito adversas e dolorosas. Foi no início dos anos 70
(os anos de chumbo), visitando Izolda na prisão da Colônia Penal João Chaves,
hoje desativada e que ficava nas imediações do atual Bairro de Santa Catarina,
na Zona Norte de Natal. Nos domingos, dia de visita aos presos, pegávamos um
ônibus, sempre lotado, do centro de Natal até Igapó e de lá íamos a pé,
percorrendo uns 2 kilômetros, em estrada de barro até a Colônia Penal. Foi
nessas visitas que nos conhecemos e começamos a namorar.
Pouco tempo depois foi ela que
ia me visitar na mesma prisão, onde fiquei alojado apenas um pouco mais de 2
meses. A Izolda ficou 2 anos. Hoje rememorando esses fatos, numa perspectiva
histórica e otimista, posso dizer que foi positiva e benfazeja as nossas
prisões em face de nossos posicionamentos políticos contra a ditadura da época.
Foi nessas circunstâncias, que o destino cruzou a minha vida com a de Eró. Ô
sorte!!
Quando fui a primeira vez à
Areia Branca, cidade onde morava os pais da Eró. Ela me fez alguns alertas
sobre o seu pai, meu futuro sogro, seu José Elpídio, que era uma pessoa sem
instrução, sistemático e rigoroso e que eu relevasse qualquer coisa do que ele
dissesse. Então ela me apresentou: “papai esse é Marcos meu namorado”. Se José
me “cubou” do “rejêto ao mocotó”,(do cotovelo ao calcanhar), como se diz no
nordeste, e tascou “É, PELO MENOS ALTURA TEM”.
A minha altura relativizou as
minhas poucas VIRTUDES. Casei-me com Eró, ganhei mais 2 famílias (Os Gomes da
Silva e os Costa Fernandes) além da minha própria e construímos a nossa, com um
casal de filhos (Ana e Abelardo), que já nos presentearam com 2 netos (Arthur e
Luís Guilherme). Dizer mais o que? Dizer que somos Bem aventurados e estamos
felizes. Essa FELICIDADE está ancorada em Eró, esteio da nossa família. Que a
nossa UNIÃO e CONVIVÊNCIA que já dura 1 ano, acompanhado de mais meio século,
possa ainda nos trazer muitas bem-aventuranças, com doçura e tolerância.
Agora que já estamos de “meio
dia prá tarde” e aposentados, “vivendo da boniteza” como pavão, vamos curtir o
“ócio criativo” abrir o nosso “saldo de sentimentos” e esperar que o resto de
tempo que nos resta ensine a gente a viver ainda melhor. Vamos sorver esse
tempo, com sofreguidão e correr, minha filha, que o tempo ‘RUGE”.
Marcão/Marquito
Rio Branco (AC) março de 2026
Celebração em Grossos:
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