terça-feira, 23 de julho de 2019

CONSTRUINDO UM NOVO PT







CONSTRUINDO UM NOVO PT – CNPT

Por: Marcos Inácio Fernandes*

“Quem não se movimenta não percebe as correntes que o aprisionam”   Rosa Luxemburgo (1871-1919)


Estamos nos movimentando e nos empenhando na reconstrução e na UNIDADE do partido. O resultado eleitoral de 2018 e a conjuntura política adversa nos impõe essa necessidade. O PT/AC, a exemplo dos demais estados, sempre conviveu e respeitou o funcionamento de suas correntes como forma de arejar o processo democrático interno. Até 1991, conviviam 16 tendências no PT, e as tensões eram proporcionais ao número dessas tendências.
Relato no meu trabalho sobre o PT do Acre, essas tensões: “A discussão sobre as "tendências" do PT, que sempre consumiu muita energia do partido, teve uma primeira formulação para sua regulamentação no 5° Encontro do Partido, em 1987. Em 1989, o PRC se dissolve, enquanto organização partidária que atuava abrigado no PT e, em 1990, no seu 7° Encontro, o PT aprova a regulamentação definitiva da atuação das tendências internas e o direito delas terem representação proporcional nas instâncias de direção do partido.” (FERNANDES, 2018)

Entretanto os conflitos internos não cessaram e culminou com a expulsão da Convergência Socialista, em 1992, que se transforma em PSTU e em outra grave crise interna, já no 1º governo Lula, são expulsos do partido a Senadora Heloísa Helena  e os  Deputados Federais,  Babá e Luciana Genro, que fundariam o PSOL, em 2004.

No Acre os problemas de suas correntes internas acompanham o partido desde a sua fundação. “Naqueles primeiros anos da década de 80, as "escaramuças" entre as correntes internas do PT eram freqüentes. A Articulação, em 82, chegou a aventar a expulsão da LIBELU(Liberdade e Luta de orientação Trotskista); o PRC (Partido Revolucionário Comunista) denunciava que seu candidato, Chico Mendes, havia sofrido campanha anticomunista por parte de membros da Articulação nas eleições de 82. Por sua vez, os trotskistas da "FQI"(Fração da Quarta Internacional), criticavam os militantes do PRC por conta da "dupla militância", atuando como partido dentro do PT.” (FERNANDES,2018)

“0 processo de "institucionalização" do PT, que tem início em 1988, quando o PT elege Marina Silva à Câmara Municipal de Rio Branco, sendo, inclusive, a vereadora mais votada, seria uma das variáveis mais importantes para que as disputas internas das tendências se desenvolvessem num patamar mais elevado e civilizado”. (FERNANDES, 2018)

Em 1989, o PRC se dissolve organicamente, os seus militantes, que desenvolviam a "dupla militância" no PT, vão continuar no partido, apenas em tendências diferentes. Um grupo, capitaneado por Marina Silva, vai para a "Nova Esquerda" que, após a fusão com a "Vertente Socialista" a nível nacional, formaria a "Democracia Radical" (DR) e outro grupo formaria o "Movimento por uma tendência Marxista" (MTM), que se coloca como "guardiã" dos valores da esquerda revolucionaria no PT. Hoje os “Marxistas” do PT/AC, se reúnem em torno da EPS (Esquerda Popular e Socialista) cujo nome mais expressivo é Júlia Feitoza.
A Articulação Unidade na Luta e a DR (Democracia Radical) formam, a nível nacional, o campo majoritário da CNB (Construindo Um Novo Brasil) e são também as correntes hegemônicas do PT do Acre. Elas, ao contrário das outras forças, (EPS, DS, AVANTE e MPT) tem uma vida partidária mais consistente e são as únicas que tem presença no interior do Estado.
Nilson Mourão, numa entrevista a mim concedida em 1989, dizia: “a tendência das "tendências" aqui no Acre é o seu enfraquecimento. Nós conseguimos uma coisa muito importante, pelo menos com as duas forças principais, que é a 'Articulação' e a 'Democracia Radical'. Nós conseguimos uma convivência amadurecida, adulta, onde as questões essenciais da vida do partido são discutidas dentro de uma visão da complexidade do Acre, da importância da unidade na construção do PT. Hoje, esta unidade é bastante forte e a disputa das tendências ficou no 'limbo'. Hoje ela é residual.” (FERNANDES,2018)
Espero que as palavras do Nilson Mourão, nosso presidente de honra, sejam proféticas e que consigamos construir essa unidade, um bloco mais homogêneo e mais coeso em torno do partido. Aqui as discussões em torno do PED/2019 está se esboçando uma fusão entre a Articulação e a DR para a formação do CNPT (Construindo Um Novo PT), onde se espera atrair as outras forças do partido e os que se dizem “independentes” desatrelados das correntes. É um trabalho de engenharia política que vai exigir das novas direções e dos militantes e seus intelectuais orgânicos muitas conversações, discussões, debates e amadurecimento político a altura desse desafio.
Nesse momento difícil que o partido atravessa, torna-se imperativo calçar as sandálias da humildade e praticar a máxima de São Francisco de Assis, que diz: “Inicie por fazer o necessário, então o que é possível e, de repente, você estará fazendo o impossível.”
E a tarefa imediata e necessária a fazer nesse momento é a mobilização dos nossos filiados para uma participação massiva e festiva no PED/2019, no próximo dia 8 de setembro.
*Marcos Inácio Fernandes, é militante do PT
Rio Branco (AC), 22 de julho de 2019







segunda-feira, 1 de julho de 2019

IMPRESSIONADO!!!




















IMPRESSIONADO!!!

Por: Marcos Inácio Fernandes*

Confesso que estou impressionado, muito impressionado mesmo, que depois de tudo que aconteceu com o nosso partido nas eleições de 2018 e depois dela; muitas pessoas estão se filiando ao PT e, pasmem, muitos jovens!! É verdade que as defecções que sofremos foram significativas, embora, em muitas delas, tenham a marca do oportunismo e o pretexto de desencanto com a política e com o partido. O certo é que pretextos não faltam para os que abandonaram o partido. Que sejam felizes.

Agora o que me impressiona é que, mesmo estando alijado do poder e sem a perspectiva de conquistá-lo no curto prazo, fizemos nos últimos meses mais de 100 novas filiações, onde mais da metade delas são de jovens e pessoas simples do povo. O partido está vivo, se movimenta e, saiu da letargia que se abateu sobre todos nós, depois da retumbante derrota eleitoral e política de 2018.

Nesse último sábado (29/06) fizemos a recepção a esses novos filiados na livraria do PAIM, no centro de Rio Branco. Foi uma festa de congraçamento entre alguns velhos militantes e os novos filiados. Teve o tradicional café com pão e mortadela; sorteio de livros e outros brindes; música, poesia (Hip-Hop), vídeos e muitas falas comoventes. Fiquei impressionado com o nível das poesias do Hip-hop, que os meninos apresentaram. Elas tinham um conteúdo social e de denúncia muito forte e na linguagem própria da juventude. A verbalização dos sonhos dos novos filiados também nos tocou profundamente. Entre tantos sonhos externados, um me chamou atenção pela sagacidade e improviso de uma jovem, que disse: “o meu sonho é que o sonho de vocês se realizem”.  Achei ótima! Agora é investir na formação política dessa juventude.

Outra coisa que me impressionou e considero emblemática das mudanças que estão acontecendo é que a nossa servidora do cafezinho e dos serviços gerais, que há anos trabalha no PT, se filiou  ao partido e esteve presente no encontro se deslocando do bairro Wilson Ribeiro por conta própria, deixando filhos menores em casa. Ela falou que vai trazer outros familiares  para ingressarem no partido.

Por outro lado, também me impressiona como muitos quadros emblemáticos do partido, ex-parlamentares e parlamentares (com as exceções que justificam a regra), coordenadores de correntes e outros “capas-pretas” que usufruíram por muitos anos altos cargos comissionados nos nossos governos, desconsideram solenemente o convite formulado para um ato dessa importância, qual seja:  dá as boas vindas aos novos filiados e filiadas do Partido dos Trabalhadores. Considero um descaso e um equívoco político.

Aos que ignoram o esforço dos poucos militantes que querem e, vão, RECONSTRUIR  o partido, apenas uma advertência: NÃO SEREMOS MAIS CHANCELADORES DE DECISÕES QUE SEJAM TOMADAS FORA DAS INTÂNCIAS PARTIDÁRIAS!

E vamos unidos ao PED/2019

Lula livre para tirar a DEMOCRACIA DESSA VERTIGEM!!

Rio Branco (AC) 1 de julho de 2019

*Marcos Inácio Fernandes, é Secretário de Formação do DM/PT – Rio Branco


A DUPLA DINÂMICA DA MARGINALIDADE DE TOGA






Lava Jato era bunker de Dallagnol e Moro contra Lula e PT
Por: Jeferson Miola
"No caso concreto, está-se diante de crime praticado por agentes públicos do sistema judicial brasileiro que aparelharam as instituições e usaram seus cargos para combater inimigos políticos, favorecer aliados ideológicos para viabilizar um projeto de poder", diz o colunista Jeferson Miola
30 de junho de 2019, 14:32 h Atualizado em 30 de junho de 2019, 22:29
Era inocultável a militância anti-PT dos integrantes do Partido da Lava Jato nas redes sociais.
Faltavam, contudo, as provas documentais da atuação secreta deles no porão da Lava Jato – que o ministro do STF Gilmar Mendes compara a uma organização criminosa [OrCrim].
Os integrantes desta organização dedicavam-se com fervorosa obstinação ao esforço para impedir o que temiam ser o “risco” de retorno do PT ao Palácio do Planalto. A Lava Jato, então, foi transformada no bunker de Dallagnol e Moro para atacar Lula e o PT.
O efeito da militância partidária desses agentes públicos em conluio com a Rede Globo e a mídia suja foi expressivo tanto na eleição municipal de 2016 como na presidencial de 2018 – 2 momentos para conferir aparência de “normalidade institucional” do golpe e do avanço do regime de exceção.
Hoje já é bastante aceitável pela crônica política que o bombardeio Globo-Lava Jato na boca-de-urna para prejudicar o PT em 2016 influenciou aquele que acabou sendo um dos mais desfavoráveis desempenhos petistas em eleições municipais nos últimos 20 anos [ler em A vitória do banditismo].
Também já era público e notório o ataque de Sérgio Moro à candidatura de Haddad na eleição de 2018 com a divulgação surpreendente e sem motivo processual aparente, da delação fraudulenta do Palloci.
Estava faltando se conhecer e se comprovar outras atividades secretas dos demais integrantes da OrCrim.
Esse segredo foi agora revelado pelo Intercept no diálogo em que Deltan Dallagnol instrui colegas a acelerarem investigações contra o petista Jaques Wagner para prejudicar o desempenho eleitoral de Haddad na Bahia e no nordeste e, desse modo, evitar o risco da eventual derrota do Bolsonaro, o candidato deles.
Em conversa com parceiros em 24 de outubro de 2018, a apenas 4 dias antes do 2º turno da eleição, Dallagnol pergunta: “caros, Jaques Wagner evoluiu? É agora ou nunca… Temos alguma chance?”.
Atento às pesquisas que mostravam crescimento de intenções de voto no Haddad faltando 4 dias para a votação, Dallagnol explica que “Isso é urgentíssimo. Tipo agora ou nunca kkkk”.
Ao ser lembrado por uma colega que Jaques Wagner já tinha sido alvo infrutífero de outra operação abusiva da Lava Jato – fato que tornaria ineficaz o novo espetáculo – Dallagnol então insistiu: “Acho que, se tivermos outra coisa pra denúncia, vale outra busca e apreensão até por questões simbólicas. Mas temos que ter um caso forte”.
É importante frisar o interesse do Dallagnol em promover uma ação de interesse partidário por questões simbólicas!, para reforçar na população o vínculo do PT e do candidato Haddad com escândalos de corrupção.
Não se está mais somente diante de falhas funcionais graves cometidas por servidores públicos que, como cidadãos e cidadãs, têm plena liberdade de escolha política e militância partidária.
No caso concreto, está-se diante de crime praticado por agentes públicos do sistema judicial brasileiro que aparelharam as instituições e usaram seus cargos para combater inimigos políticos, favorecer aliados ideológicos para viabilizar um projeto de poder.
Esses procuradores e juízes que agiram como integrantes de uma organização criminosa, mafiosa, envergonham as carreiras públicas e todo o funcionalismo público do país.
Eles já deveriam estar afastados dos cargos públicos há muito tempo, inclusive para evitar que continuem destruindo provas que os incriminam [aqui] e para serem julgados e condenados à luz das normas do próprio Estado de Direito contra o qual eles conspiram para atingir fins políticos.


quinta-feira, 13 de junho de 2019

O CONJE GATE





O “CONJE” GATE

Por: Marcos Inácio Fernandes

“Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (João 1:16)

“A justiça sem a força é impotente; a força sem a justiça é tirânica.”
Blaise Pascal (1623-1662)

E a verdade resplandeceu em toda sua crueza. Quem a revelou foi o site INTERCEPT-BRASIL, editado pelo jornalista Gleen Greenwald, que tem no seu invejável currículo um prêmio Pulitzer, o Oscar da comunicação internacional. As entranhas da Lava Jato e sua Força Tarefa estão expostas para o mundo todo e seus desdobramentos são imprevisíveis, pois muita coisa ainda está para ser revelada.

De imediato temos uma certeza. Moro e Dallagnol estão, definitivamente, DESMORALIZADOS e que o processo contra Lula não passou de uma conspiração jurídica e político/mediática, para tirá-lo do páreo da disputa presidencial de 2018. Condenaram Lula, sem crime e sem provas e, como tal a sentença deve ser anulada e Lula posto em liberdade.

Confesso que não esperava que a profecia de Lula, quando disse que só ia morrer quando provasse sua inocência e desmascarasse Moro e os Procuradores da Lava Jato, fosse acontecer tão rápido. A proficia se cumpriu e, nós do PT, chegamos ao 8º round e ganhamos essa luta por nocaute apesar de um “juiz” tendencioso, parcial e promiscuo.

Os diálogos entre Moro, seu “conje” Dallagnol, Procuradores e outras autoridades, reveladas pelo INTERCEPT, cuja estratégia é ir soltando as reportagens a conta-gotas, (ontem a noite fisgou mais um peixe graúdo, o Ministro do STF, Luís “Mata no  Peito” Fux) são diálogos que mostram a teia da conspiração jurídica envolvedo todas as instâncias do judiciário, restando saber quais as outras autoridades fizeram parte desse complô, considerando que os jornalistas responsáveis por esse furo de reportagem, só  mostraram,  até agora, 1% do material que sua fonte forneceu.

Uma coisa é certa: não morreremos de tédio esse ano!

Outra coisa que me veio a mente com essas revelações é uma história que se conta dos coronéis do nordeste da República Velha, Eles diziam: “Se a lei é alta, a gente passa por baixo; se ela é baixa, a gente passa por cima”.  Também se dizia de alguns deles, como o coronel, Zé Abílio de Bom Conselho e o coronel Chico Heráclito, de Limoeiro, conhecido como o “Leão das Varjadas”, que em qualquer página que se abrisse o Código Penal, eles seriam enquadrados em todos os Artigos, Parágrafos, Incisos e Alíneas. Assim também me parece com os novos “coronéis de toga”. O Moro e seus comparsas, além de agredirem o vernáculo, também agrediram a Constituição Federal, o Código do Processo Penal, o Código de Ética da Magistratura e atentaram contra o Estado Democrático de Direito e interferiram, como agentes políticos, no processo eleitoral das últimas eleições Presidenciais. Judiçializaram a política e politizaram a justiça.

E Moro ganhou seu prêmio pelos relevantes serviços prestados a chapa vencedora. Foi nomeado Super-Ministro da Justiça com a promessa de ser alçado ao Supremo Tribunal Federal, na primeira vaga que abrisse na corte. Muito justo!

Como a terra não é plana e o mundo dá muitas voltas o “sonho de verão” do Moro se evaporou e ele se dê por satisfeito se escapar da cadeia, pois cometeu crimes. Como ainda vivemos num Estado de Exceção, o seu destino talvez seja se refugiar na sua pátria- mãe, os Estados Unidos, e ser mais um gusano em Miami. Por enquanto ele sangra e, até para o Bolsonaro, é um peso morto ou um lame duck (pato manco), como dizem os americanos.

De minha parte já estou com minha alma lavada e enxaguada com o que sei até agora. A minha convicção de que Lula é inocente se confirmou e isso já me basta. Agora é continuar a luta para que seus algozes sejam punidos, na forma da lei, e seus danos e de sua família sejam reparados, pelo menos financeiramente, pois sabemos que os danos pela perda da liberdade e de entes queridos são irreparáveis.

Parabéns Greenwald, pela coragem e o furo jornalístico, que poderá lhe valer outro Pulitzer.  Só espero que não aconteça como a  sua primeira reportagem sobre Snowden e a NSA, onde só veio a público 2% dos arquivos fornecidos pelo Snowden. Como você prometeu todo o material será revelado, mas me contentaria se soubéssemos ao menos mais umas 4 coisas: 1- as relações da Lava Jato com o Departamento de Justiça Americano; 2 – os bastidores das negociações das “delações premiadas”; 3 – A relação Lava Jato e rede Globo e 4 – a relação da Lava Jato com os Tribunais superiores e com os novos detentores do poder.

Pelo que já li e ouvi a respeito, desconfio que tem uma mãozinha dos russos e chineses na história desse vazamento, pois esses 2 membros dos BRICS não estavam vendo com muita simpatia o Brasil, que se tornou um player na geopolítica mundial, se tornar num instante um aliado subalterno e atrelado ao imperialismo decadente dos Estados Unidos.

Por sua vez, não sabemos quais os interesses do bilionário, Pierre Omydyar, um francês estabelecido no Vale do Silício na Califórnia e que é dono do INTERCEPT. Torço para que eles convirjam, pelo menos em parte, com os interesses do nosso povo e que tudo venha as claras. Lembrando o jurista americano Louis Brandeis (1856-1941), que disse: “A luz do sol é o melhor desinfetante”. Que essa luz brilhe e desinfete as impurezas da nossa democracia.

Rio Branco (AC), 13 de junho de 2019

*Marcos Inácio Fernandes, é militante do PT

PS – E todos a GREVE GERAL nesse  14/06, pela nossa soberania, pela educação, pelo Estado Democrático de Direito e contra a Reforma da Previdência !!!


domingo, 26 de maio de 2019

ECOS DE STALINGRADO E O MITO DE PROMETEU







Ecos de Stalingrado e o mito de Prometeu*

Por: Marcos Inácio Fernandes

“Ele fica sentado em uma casa com telefones?
Seus pensamentos são secretos, suas decisões desconhecidas?
Quem é ele?
Nós somos ele.
Você, eu, vocês – nós todos. (...)

Não siga sem nós o caminho correto
Ele é sem nós
O mais errado.
Não se afaste de nós!
Podemos errar, e você pode ter razão, portanto
Não se afaste de nós!

Que caminho curto é melhor que o longo, ninguém nega
Mas quando alguém conhece
E não é capaz de mostrá-lo a nós, de que nos serve sua sabedoria?
Seja sábio conosco!
Não se afaste de nós!”

Mas Quem é o partido - Bertolt Brecht (1898-1956)

Na 2ª guerra mundial, a blitzkrieg nazista, dava um “passeio” na Europa. Hitler invadiu a Polônia, anexou a Áustria e ocupou a França. Só foi parado em Stalingrado, que resistiu ao cerco da elite do exército nazista por quase um ano. A região, que abrigava as reservas de petróleo da URSS, foi o palco mais dramático e violento da guerra. Apenas naquela cidade, vítimas do fogo alemão, da fome e do frio, morreram 2 milhões de russos**. Mas, “Stalingrado não caiu!”. Era assim que terminava os boletins informativos da guerra da BBC de Londres, amplificando e elevando a moral dos combatentes, para resistir e derrotar o nazismo. Registre-se que o exército vermelho foi o primeiro a entrar em Berlim.

Talvez seja despropositado estabelecermos uma analogia daqueles fatos históricos, do século passado, com a situação atual do nosso partido o Partido dos Trabalhadores – PT. O certo é que, guardadas as proporções e o contexto histórico, nós também estamos submetidos a bombardeios e uma artilharia de saturação, que recai há anos sobre nossas cabeças, também com baixas consideráveis.

As crises se sucedem. Mensalão, Petrolão, lava Jato, triplex, impeachment, sem crime de responsabilidade, condenações sem provas e prisões de nossas lideranças, inclusive a maior delas, Lula da Silva. Querem, a todo custo,  criminalizar o PT, cassar nossa sigla, como fizeram com o PCB em 1946, e extinguir a “nossa raça” e “acabar com a petralhada”.

Resistimos, porque temos compromisso com o nosso povo e, fomos gestados e forjados, ao longo desses 39 anos, no seio da classe trabalhadora, através de suas organizações e de suas lutas. Temos lastro, temos base social e ainda muita gordura prá queimar.

Hoje o partido tem 1,5 milhões de filiados, 2.975 vereadores, 256 prefeitos 85 deputados estaduais, 54 deputados federais, 6 senadores e 4 governadores, entre os quais a única mulher governadora no Brasil. É um ativo institucional considerável. Ressalte-se, ademais, as 4 vitórias presidenciais consecutivas, que possibilitou, pela 1ª vez na nossa história, abrir a “caixa preta” do orçamento e incluir uma pequena fatia para os pobres e deserdados desse país. Nunca nos perdoaram por isso.

Portanto companheir@s, nós não podemos nos dá a irresponsabilidade política de dilapidar esse patrimônio do povo brasileiro. Mormente agora, quando a luta de classes atinge um novo patamar no Brasil e o poder das milícias, das facções e dos fascistas ameaçam a democracia e o processo civilizatório.

Reconhecemos que a crise é profunda e solapa todas as instituições da sociedade. Nesses momentos alguns se prostram, outros se recolhem, alguns sugerem atalhos e soluções mágicas. É nesse quadro que partidos trocam de nome, ARENA, vira PDS; PFL, vira DEMOCRATAS; PCB, vira PPS; cria-se partidos sem o “P” (REDE, SOLIDARIEDADE, PODEMOS). Nós do PT não precisamos recorrer a esses artifícios.  A nossa, sigla, nossa estrela de 5 pontas e nossas cores vermelha e branca, são marcas consolidadas. Eu diria até que a exemplo dos grandes nomes comerciais, a nossa “marca” é maior que o produto. Na esquerda brasileira, somos o único partido de massas e de quadros.

Aqui no Acre, destroçados que fomos recentemente pela derrota eleitoral e política, já é tempo de sair do marasmo e do imobilismo, como dizia Sérgio Roberto, e encarar nossos desafios políticos. É imperativo unir, de fato, nossas forças, recompor nossas energias e reorganizar o partido.

O problema é que nenhuma das correntes internas dispõe de condições políticas para aglutinar e recompor o partido e conduzi-lo nessa conjuntura adversa, agora na oposição. Por sua vez, os “cardeais” (agora todos “ex”), ou os “4 mosqueteiros”, como dizem as fontes murmurantes (Jorge, Angelim Marcus Alexandre e Binho), fazem movimentos e conversas políticas ao largo do partido e parecem que querem manter uma certa equidistância das instâncias partidárias. Pelo que aconteceu no processo eleitoral, desconfio que algumas feridas ainda estão abertas e talvez os companheiros precisem de um antibiótico mais forte e de mais tempo para cicatriza-las.

Aos valorosos companheiros, que são quadros de expressão nacional do nosso partido, nós não queremos, não devemos e nem podemos abrir mão de seus protagonismos na vida do nosso partido e da sociedade acreana. “Não se afastem de nós”. Como diz a música: “É melhor se sofrer juntos do que ser feliz sozinho...” (“Tomara” de Toquinho e Vinicius de Morais).
A exemplo de Prometeu, todos os dias os abutres comem nosso fígado, mas a noite ele se regenera e a vida continua. Nós também RESISTIREMOS!

Marcos Inácio Fernandes, é militante do PT e responde pela Secretaria de Formação do DM/Rio Branco.

Rio Branco (AC), 26 de maio de 2019

PS - *Prometeu - "o que pensa antes" — era um dos titãs mitológicos. Ele roubou o fogo de Zeus e deu aos homens, por isso foi castigado. Ele foi condenado a ficar acorrentado por 30 mil anos, com uma águia a lhe comer o fígado diariamente e o fígado se recompunha a noite. Sua última palavra foi: RESISTO!

** Na 2ª guerra, todos os países envolvidos no conflito, entre soldados e civis, morreram 47 milhões de pessoas. 26 milhões foram soviéticos.


quarta-feira, 15 de maio de 2019

É HOJE!!

Resultado de imagem para cartaz do 13 de maio






Lembrando do 13 e pensando no 15

(O de maio de 1888 e o 15 de maio de 2019 - 131 anos de vicissitudes e esperanças)

Por: Marcos Inácio Fernandes*

“Acredito na liberdade para todos, não apenas para os negros.” Bob Marley (1945-1981)

“A abolição é a aurora da liberdade; emancipado o preto, resta emancipar o branco.” Machado de Assis (1839-1908)

“A mulher é o negro do mundo. É a escrava dos escravos. Se ela tenta ser livre, tu dizes que ela não te ama. Se ela pensa, tu dizes que ela quer ser homem.” John Lennon (1940-1980)

Nesse 13 de maio, que a historiografia oficial, consagra a “libertação dos escravos” no Brasil, ocorrida há 131 anos, nos remete a pensar e refletir sobre as origens das nossas desigualdades, do nosso conformismo e submissão as injustiças. Afinal 380 anos de servidão, de violência institucionalizada contra os negros, deformou e conformou o nosso “ethos”, que é o conjunto de traços e modos de comportamento que caracterizam um povo.


Como disse, espirituosamente, Millôr Fernandes: “a princesa Izabel botou o preto no branco, mas o branco continuou botando no preto, até hoje”. Fomos o último país a libertar os escravos e muito, por pressão externa. Não era mais funcional e lucrativo para o capitalismo, principalmente o Inglês, manter o anacronismo do trabalho escravo, abolido de há muito na Europa.


A consequência da “libertação dos escravos”, foi a queda da Monarquia. A República é instaurada logo em seguida, trazendo a nódoa da traição e do 1° golpe militar no Brasil, uma quartelada. Em 130 anos de Republica, tivemos apenas espasmos de democracia. Quase metade desse período vivemos sobre estado de exceção e de ditaduras escancaradas.


São as “jabuticabas” do Brasil, que só tem aqui e só acontece e floresce no nosso solo pátrio. Aqui fomos “Estado” antes de ser Nação. Uma nação composta por 3 raças muito tristes – o índio perseguido e quase dizimado, o branco (português), degredado e o negro (africano), escravizado. Mas conseguimos superar essas desditas e nos transformamos num povo miscigenado, alegre, criativo, trabalhador e festeiro, entre outras qualidades. Como dizem: do limão fizemos a limonada e a caipirinha e desenvolvemos expressões culturais, que o mundo reconhece e valoriza.


Agora, em 2019, em pleno século XXI, estamos numa encruzilhada civilizatória. A sociedade brasileira está sob ataque da “famiglia” de milicianos que empalmou o poder e quer nos impor uma pauta obscurantista. Estamos sob ataques contínuos e a marcha da insensatez agora se dirige para a Academia, as Universidades, a ciência e o pensamento. Querem acabar com os cursos de Filosofia e Sociologia, querem desqualificar a obra de Paulo Freire e querem matar, por inanição, as Universidades, cortando e contingenciando 37% do seu orçamento. Será a gota d’água, que transborda o pote até aqui de mágoas?

Está se configurando que sim. A sociedade está se mexendo com os estudantes, professores e trabalhadores a frente. Reviveremos as marchas estudantis de 1968, que ocorreu em todo mundo e no Brasil?

Espero que sim. O poeta Alberto Cunha Melo, diz no seu poema “Aos Mestres Com Desrespeito” que: “Dizem que meu povo é alegre e pacífico/ Eu digo que meu povo é uma grande força insultada...” E eu digo: nunca fomos tão insultados como agora. Por isso estaremos nas ruas nesse dia 15 de maio para dizer que não é só por “três chocolates e meio”, é pela nossa soberania, pelo nosso emprego, pela nossa Previdência, pela nossa Universidade, por Lula livre e pelas gerações futuras.


Que o espírito de luta de Zumbi dos Palmares, Dandara, Tiradentes, Luís Gama, João Cândido, Dadá e Corisco, Gregório Bezerra, Lamarca, Marighella, Zuzu Angel, Apolônio de Carvalho, Prestes e todas as “Marias e Clarices”, que lutaram e lutam por esse solo pátrio.

 

*Marcos Inácio Fernandes, é militante do PT