quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

PARABÉNS AOS 42 ANOS DO PT NO BRASIL E 41 ANOS NO ACRE!!

 



Amanhã o nosso Partido dos Trabalhadores - PT está aniversariando São 42 anos no Brasil e 41 anos no Acre, A minha homenagem e gratidão a todos que escreveram e estão escrevendo essa história. Deixo a minha pequena contribuição a memória do partido que sempre esteve ao lado do povo na sua trajetória gloriosa. Deixo aqui um pequeno registro da formação do PT no Acre. Vida longa ao Partido dos Trabalhadores. (MIF)


- A FORMAÇÃO DO PT NO ACRE**

Por: Marcos Inácio Fernandes*

CONTEXTO.

O processo de organização do Partido dos Trabalhadores iria se constituir na " lógica da diferença" em meio a mesmice e ao "arcaísmo político-partidário" brasileiro. No início dos anos 80, o Acre era governado por Joaquim Falcão Macedo (1979-1982), o ultimo da série de governadores nomeados pelo regime militar a partir de 64. O Estado, como já foi analisado anteriormente, vivia uma crise de transição na sua base produtiva. Durante toda a década de 80, o Acre se viu isolado, por via terrestre, do resto do país. Uma viagem pela BR-364 até o Estado, mais que uma aventura, era uma temeridade.

Naqueles primeiros anos da década, tanto o abastecimento de combustíveis como de gêneros alimentícios, principalmente dos horti-fruti-granjeiros, era muito precário. O frete aéreo tornava o preço dos produtos proibitivos para a grande maioria da população e o transporte fluvial sofria os condicionantes do tempo de percurso dos portos de Manaus e Belém ate o Acre e da capacidade de navegação dos rios, que tornavam-se intrafegáveis no verão.

Nos primeiros anos da década de 80, era comum a existência de filas para se comprar carne, principalmente no interior, e para se adquirir gasolina e gás de cozinha. O fornecimento de energia sofria constantes interrupções, a ponto da população apelidar a companhia de eletricidade estadual - ELETROACRE, de "ELETROVELA", pois era grande o consumo de velas naquele período.

Em resumo, o Estado amargava o transtorno da sua posição geográfica e da sua insignificância política no cenário nacional. No inverno, ficava isolado por via terrestre; no verão, por via fluvial e em ambos os períodos ficavam isolados das decisões políticas mais gerais, corroborando uma subalternidade política que remonta a sua formação histórica.

A indiferença do poder central, bem como a "indiferença e o desamor dos eternos forâneos em relação aos fatos, coisas e pessoas do Acre", iria amalgamar o sentimento de "acreanidade", fenômeno sócio-cultural que permanece até os dias atuais e que nos anos 70 e 80 era muito forte em relação aos empresários e especuladores do centro-sul do país, todos denominados de "paulistas".

O "acreanismo", com efeito, era fruto de uma motivação política que remontava aos anos 20.

O movimento nascido em 1924, com a criação do Centro Cívico Acreano, se insurgia contra essa indiferença do Poder Central que, depois do movimento armado entre o Acre e Bolívia, manifestava-se através de delegados da União com seus costumeiros séqüitos de apaniguados para dirigir os destinos do então Território do Acre. Os que tem vivido e sofrido no Acre, por largas dezenas de anos, sabem que a nossa terra sempre foi pasto das 'aves de arribação', explorada por indivíduos sem delicadeza moral nem consciência cívica, criminosamente indiferentes aos memoráveis fatos de nossa história.

O Centro Cívico Acreano se transformaria, mais tarde, na Legião Autonomista Acreana, que teve marcante atuação política em todo o Estado e que contava, inclusive, com um órgão de divulgação, o jornal "Renovação". Numa edição de fevereiro de 1954, o articulista, Mario de Oliveira, desse referido jornal, escrevia:

“O acreanismo era uma idéia-força, gerada no inconformismo contra atitude impatriótica do governo brasileiro (...) e argumentava que "o Acre nasceu de uma rebeldia ao conformismo. O Acre apareceu na historia brasileira como um fenômeno de ordem moral". (...) O acreanismo não se tratava de nenhum regionalismo estreito; o movimento e uma ação a serviço de uma idéia, que vem de longe, que tem raízes profundas.

Com o Golpe de 1964, o movimento "acreanista" ficou hibernando por quase duas décadas; porém, com a reformulação partidária de 1979, da qual emergiu o PT e outras forças políticas, essa questão e outras ligadas ao direito de permanência dos seringueiros a terra que haviam conquistado de "armas nas mãos", voltava a fazer parte do debate político.

A apatia dos "anos de chumbo" cedia lugar ao frenesi das novas organizações partidárias. A perspectiva de se eleger diretamente, em 1982, o governador do Estado, reacendia os brios dos acreanos e, particularmente, dos militantes do Partido dos Trabalhadores em processo de formação, mas que já se constituía na expressão política mais forte de resistência aos grupos forâneos e de contestação as tradicionais praticas dos caciques políticos locais.

- AS FORÇAS CONSTITUTIVAS DO PT NO ACRE.



No Acre, as idéias de um "novo sindicalismo" e da criação de um partido de trabalhadores também ecoam e ganham ressonância. O núcleo mais organizado e combativo dos trabalhadores acreanos era, sem dúvida, o sindicato rural. O Sindicalismo era uma experiência não apenas nova, mas também inédita na história das lutas de classes no Estado e o "novo sindicalismo", com os exemplos das lutas e resistências dos operários do ABC, encontrariam mais receptividade nas áreas de maiores conflitos - os seringais do vale do Acre, principalmente em Xapuri e Brasiléia.E a partir dos sindicatos rurais e das comunidades de base, tanto da área rural como da urbana, que se começa a tecer o encaminhamento para a formação do PT no Estado. A imbricação entre as comunidades de base, os sindicatos rurais e o PTé um fenômeno sui-gêneres do Acre. Era comum, no período, um grupo de pessoas num mesmo espaço físico realizarem, sucessivamente, uma reunião de "evangelização", outra para tratar dos assuntos do sindicato e, logo em seguida, uma outra para discutir a organização do PT.

Então você veja só! Numa só noite, ou numa tarde, fazíamos três reuniões diferentes com o mesmo povo e não tinha ordem para se começar primeiro por uma ou outra não?} Um dia se falava primeiro do PT, outro dia se falava primeiro do evangelho e, em outro, se falava primeiro do sindicato (...) Então fazia-se três reuniões diferentes, discutindo em cada uma delas sua pauta especifica (...) Nesse tempo as mesmas pessoas faziam, praticamente, três movimentos políticos distintos: o político / religioso, dentro do grupo de evangelização; o político / partidário, que era a discussão petista; e o político / sindical, que era a atividade do sindicato naquele momento ali. Isso era muito interessante, porque as pessoas, por mais que se achassem alheias a um daqueles assuntos, devagarinho, ela começava a se 'converter' a um deles. (...) Ocorreu isso demais nesse período (Marcos Montezuma)

Naqueles primeiros meses de 1980, as discussões sobre os rumos da "Frente Popular" no já constituído PMDB, que herdou a estrutura partidária do MDB, se intensificam e já se articulam as estratégias de intervenção dessa "Frente" para as eleições de 1982.

Entretanto, com a reforma partidária em pauta, as primeiras defecções da "Frente" não tardariam a aparecer. O primeiro dissidente foi Abel Rodrigues Alves, que havia se candidatado a deputado estadual em 1978 com apoio da "Frente Popular". Ele deixa a "Frente" para reorganizar o Partido Trabalhista Brasileiro — PTB no Acre, o que lhe valeu duras criticas de outros componentes da Frente como Manoel Pacifico, Nilson Mourão, Pascoal Muniz e Chico Mendes. Num debate promovido pelo jornal Varadouro, reunindo as pessoas citadas acima, Abel Alves, em meio as críticas dos companheiros, faz a defesa da sua posição:

“E difícil, em poucas palavras, condensar tudo o que se vinha discutindo, há muito tempo, com os vários companheiros - Pacifico, Suede, Aluízio Bezerra e tantos outros - as razões da minha saída do PMDB estão contidas na minha carta, Como frisei, não estou em primeiro lugar, obrigado a vestir uma 'camisa-de-força' imposta por Brasília. A verdade e que não se discutiu a realidade acreana, não se procurou as origens do movimento popular do Acre e essa historia de PTB viciado e das calendas gregas, por que há 16 anos que não existe mais PTB. O que importa e o novo PTB. Então, como disse, sacudi a 'camisa-de-força' do PMDB e o que se está vendo e o que eu previa: pelo próprio programa do PMDB, a gente não só vê as contradições do pessoal que está lá dentro, com a dubiedade de um programa (documento da bancada federal) que fala de seringueiros e seringalistas. Quando se fala de seringueiros, acredito que se exclui os seringalistas. Depois o que se vê dentro do PMDB e a caça ao voto, e a política eleitoreira do Nabor Junior, Geraldo Fleming, de Ruy Lino, e, a reboque, o companheiro Aluízio Bezerra, porque se quiser ser eleito, terá que fazer o jogo dos três. O que vai acontecer, então: Em praça publica, acontecerão as mesmas acusações: de que o Aluízio e comunista; de que Nabor e udenista; de que Ruy Lino viveu embriagado 16 anos na Câmara Federal. E a luta pelo povo, a luta em favor dos trabalhadores? Evidentemente que tudo isso me preocupou bastante e achei que não era possível continuar dentro de um parti do desses. Podem me acusar de que tomei uma atitude sem consultar, mas sempre discuti com os companheiros essa realidade do PTB aqui no Acre”.

Efetivamente, o PTB é reorganizado e iria participar com candidates próprios nas futuras eleições de 1982. Porém, a "luta em favor dos trabalhadores", como perguntava Abel Alves, quem a estava travando, naquele momento, eram os sindicalistas rurais e as lideranças populares das CEB's, pois, como bem frisou o sindicalista Raimundo Barros do STR de Xapuri, por ocasião da constituição da Comissão Regional Provisória do PT, em março de 1980: "O PT já começou há muito tempo, desde quando começamos a lutar pelo direito de ficar na terra, muito embora ele não tivesse esse nome ".(Raimundo Barros)

Os sindicalistas rurais, articulados por João Maia, delegado da CONTAG, portanto, protagonizavam as lutas dos trabalhadores e foram os primeiros e principais responsáveis pela organização do PT no Acre.

Segundo depoimento de João Maia, ele tomou a iniciativa de ir a São Bernardo conversar com o Lula e assumir o compromisso de organizar o partido no Estado. E importante observar que e somente no Acre que um dirigente da CONTAG faz a opção política partidária pelo PT. Nos outros Estados da federação, a posição que irá predominar na entidade será a de apoiar, embora não abertamente, o PMDB. (PAULA, 1991:166)

E a partir da articulação das lideranças sindicais que, efetivamente, em 12 de marco de 1980, acontece no colégio Meta, a reunião de lançamento do PT no Acre com as presenças de Jacó Bittar, então presidente do Sindicato dos Petroleiros de Paulínia/SP e da Comissão Nacional do PT; Antonio Carlos de Oliveira, deputado federal por Mato Grosso; João Maia, delegado da CONTAG; Chico Mendes, então vereador de Xapuri pelo MDB; Oséas Ferreira Lima, do STR de Cruzeiro do Sul; Raimundo Soares de Araújo (Raimundo "Trovoada"), do STR de Tarauacá; Luis Monteiro de Aguiar, do STR de Feijó; Adeli Bento da Silva, do STR de Sena Madureira; Raimundo Mendes de Barros (Raimundão), do STR de Xapuri; além das representações das associações das Lavadeiras de Rio Branco, dos professores do Acre (ASPAC), entre outras. Naquela oportunidade, todas as lideranças, citadas acima, se pronunciaram sobre o assunto. Para exemplificar a Tônica dos discursos, escolhemos o de Adeli Bento da Silva, do STR de Sena Madureira, que nos pareceu o mais emblemático daquela solenidade:

“Companheiros, nós não estamos começando com o partido dos trabalhadores, nós vamos continuar o nosso trabalho, pois, há tempo que viemos batalhando no sindicalismo. Nesse tempo todo, a gente vem enxergando muita coisa errada, mesmo como analfabetos (...) mas não somos cegos. Agora chegou esta oportunidade de criar o partido dos trabalhadores e nós vamos seguir em frente. Não podemos mais ficar esperando as soluções, as promessas dos políticos, porque  nem São Francisco das Chagas, que é o santo mais milagroso do Nordeste, está acreditando mais nesse tipo de promessa. (...) Nós já temos o sindicato, que e o nosso órgão de classe; agora precisamos nos unir dentro de um partido que será o nosso partido.”  (Adeli Bento da Silva)

Ainda nessa solenidade, Jacó Bittar advertia: "no PT não cabem oportunistas", ao mesmo tempo que contestava a insinuação de que o PT estaria dividindo a oposição.

“Os parlamentares do PMDB que pensam que não é o momento para a criação do PT não estão sabendo o nível de consciência que os trabalhadores vêm alcançando em quase todos os Estados. Esses parlamentares serão atropelados (Jacó Bittar)

Bittar disse ainda que:

“encontrou no Acre um nível muito elevado de organização e consciência de classe trabalhadora rural. Um modelo que precisa ser conhecido no sul, uma experiência que precisa ser divulgada em outros locais como prova da capacidade dos trabalhadores de se organizarem e lutarem por seus interesses

E a partir dessa tomada de consciência política que se intensificam as articulações no meio sindical e nos movimentos populares coordenados pelas lideranças das CEB's. Em pouco mais de um ano, o PT do Acre vai conseguir cumprir todas as exigências da legislação partidária, inclusive organizando diretórios municipais em 10 dos 12 municípios então existentes no Estado.

O Acre e um exemplo de estado onde os organizadores do PT tiveram um sucesso inicial maior em virtude de trabalharem com uma base mais homogênea, lá o grupo básico para a organização do partido era constituído, por um lado, pela rede das comunidades de base da Igreja e, por outro, pelos sindicatos rurais (que, na verdade, eram estreitamente vinculados as comunidades de base). O terreno político no Acre fora relativamente bem preparado para o surgimento de um partido como o PT. (KECK, 1991:119)

Em abril de 1980, Chico Mendes, então vereador do MDB de Xapuri, torna-se o primeiro político acreano a anunciar sua adesão ao Partido dos Trabalhadores que, segundo a sua opinião, era "uma real expressão para todos os explorados". Chico, um dos sindicalistas que gozava de muito prestigio junto aos seus companheiros e que já despontava como hábil articulador político, seria eleito presidente da Comissão Executiva Regional do partido e, juntamente com outras Iideranças sindicais e comunitárias, assumiria a tarefa de organizar o partido no Estado.

Em meio à luta sindical na sua área de atuação, Chico Mendes também se desdobrava na organização das Comissões Executivas Municipais do PT. A mobilização sindical e a organização do PT, naqueles primeiros meses de 1980, se processavam simultaneamente e faziam parte da mesma agenda política. Uma carta de Chico Mendes ao seu companheiro Wilson Pinheiro do STR de Brasiléia, datada de 24 de junho de 1980, nos possibilita visualizar com mais clareza como se processava essa articulação. Esse documento retrata fidedignamente o que estava ocorrendo naqueles dias; por isso e importante transcrevê-lo na Integra:

Companheiro Wilson,

Estive aqui a fim de falar com você, porem não foi possível. Olha, é o seguinte: as coisas em Xapuri estão quentes. Os posseiros estão botando pra quebrar. Então os fazendeiros fizeram uma reunião e estão afirmando que a única saída pra eles e matar o presidente do sindicato, o delegado da CONTAG, o Chico Mendes, os padres, e outros delegados sindicais. Diante desses acontecimentos o Dr. João Maia combinou comigo pra se organizar um ato público em Xapuri apoiado por várias entidades, inclusive com vários sindicalistas do Estado. E ficou acertado para eu vir falar com vocês aqui, a fim de que vocês saiam daqui pela manhã, levando um caminhão, com os posseiros da estrada que quiserem participar. Por sinal, o povo já está sendo avisado por toda área de Santa Fé. Sim, e bom lembrar que o ato será realizado a partir das nove horas da manhã, a fim de dar tempo do povo voltar para suas casas. Também quero te avisar que dia dois de julho eu estou aqui para nos organizarmos os documentos da Comissão Executiva Municipal do PT, neste município, para que seja encaminhado à Direção Nacional, para o registro do partido. Não sei se você já sabe que eu fui eleito, ou melhor, escolhido para presidente da Comissão Provisória Executiva Estadual, e agora tenho que me virar que só charuto em boca de bêbado, pois tenho que me deslocar para todos os municípios. Também quero te avisar que o partido já está praticamente organizado tranquilamente em vinte e dois Estados. Não tem mais dúvida os nossos adversários já não vão ter mais argumentos para mentir para o povo dizendo que o PT não é partido ainda. OIhe, dá um jeito de ir dar, ou melhor, levar seu apoio a nossos companheiros de Xapuri. Ok, a gente dá uma ajuda na despesa do caminhão. Tiau, um abraço petista. (Chico Mendes, in: SOUZA, 1986: 219)

A exemplo do processo nacional de organização partidária, o PT nascia no Acre do pólo mais combativo e organizado dos trabalhadores, no caso, os sindicatos rurais. A singularidade do PT acreano em relação ao PT nacional é que, no Acre, a formação inicial do partido não contou com o concurso de militantes de organizações marxistas que participaram da luta armada, nem recebeu adesões de políticos, com mandato, que atuavam na "tendência popular" do MDB e nem contou com o polimento acadêmico de intelectuais de esquerda, salvo a honrosa exceção do sociólogo Nilson Mourão, que logo depois entraria para a Universidade Federal do Acre.

A força aglutinadora e mobilizadora dos sindicatos rurais e das comunidades de base em torno do PT não impedia que a construção do partido se efetivasse em meio a pressões e conflitos. A nível nacional, a principal liderança do partido, Luis Inácio Lula da Silva, havia sido preso e enquadrado na Lei de Segurança Nacional e o sindicato dos metalúrgicos de São Bernardo, do qual era presidente, estava sob intervenção do Ministério do Trabalho.

No Acre, as principais Iideranças sindicais que articulavam o PT, Chico Mendes, presidente do STR de Xapuri e João Maia, delegado da CONTAG, também estavam sendo processados com base na Lei de Segurança Nacional, em face do episódio da chacina de Nilo Sérgio, em Brasiléia por ocasião do assassinato de Wilson Pinheiro, presidente do STR de Brasiléia e João Eduardo, líder de comunidade de base de Rio Branco, ambos membros do PT, haviam sido assassinados. Alguns trabalhadores rurais estavam presos, acusados pela morte do fazendeiro Nilo Sérgio e pairava, sobre muitos militantes ameaças de toda sorte.

Uma rápida folheada pelos jornais da época nos dá uma dimensão mais aproximada do clima em que se processava a organização do PT no Acre. Eis alguns exemplos:

PT x PMDB - Circulando uma nota do PT dando conta que alguns elementos do PMDB e entre os nomes citados se encontra o do ex-padre Pacifico, andam espalhando que o Partido dos Trabalhadores não tem possibilidades de sobreviver na atual conjuntura político. As divergências tendem a aumentar daqui pra frente, não enganem-se. (Jornal o Rio Branco n° 1.220, de 20/05/81, coluna: "Conversando Sobre Política" de Luis Carlos Moreira Jorge, p.4)

Juiz intima membros do PT para fazer especulação (chamada). O juiz Dr. Lourival Silva (de Brasiléia), em 9 de setembro intimou Jose Maria de Almeida e mais 10 pessoas para saber como foi e porque foi que eles haviam entrado para o PT. (Jornal Gazeta do Acre n° 920, de 15/09/81, p.2)

Prefeito chama seguidores de Lula de vagabundos (chamada). Esse tal de Lula e um comunista e os que o acompanham um bando de vagabundos. Foi o que afirmou o prefeito do município de Feijó, Romildo Magalhaes56 (Jornal Gazeta do Acre, n° 1.023, de 27/01/82, p.2)

Prefeito de Manoel Urbano Invade a Convenção do PT (chamada). O prefeito Edmilson Mendes de Araújo, invadiu a Câmara Municipal dizendo: eu quero a lista dos filiados no PT (...) ocasião em que tomou das mãos de Francisco Mendes, que dirigia o encontro, uma relação em que constava os nomes dos filiados ao PT em Manoel Urbano. A Comissão Regional do partido decidiu entrar com uma representação criminal contra o prefeito. (Jornal Gazeta do Acre, n° 1.024 de 28/01/82, p.2)

Presidente Regional do PT Ameaçado de Morte em Xapuri. (Jornal Gazeta do Acre, n° 1.084, de 24/04/82, manchete da la pagina)

CATECISMO: E o PT, como e que fica com essas defecções? Há quem diga que um certo grupo teria comentado: agora só falta extinguir a LIBELU. O que se articula nos bastidores, segundo os experts, e um partido que reze todo ele pela  mesma  cartilha. Alias,

Não só reze como também faça casamentos e batizados. (Jornal O Rio Branco, n° 1.184, de 31/03/81, coluna Conversando Sobre Política, de Luis Carlos Moreira Jorge, p.7)

Prefeito Persegue o PT (chamada). O Prefeito de Manoel Urbano demitiu a professora Maria Pereira da Costa, por ser a presidente do Diretório Municipal daquele município. O Prefeito confirmou que ela havia sido despedida porque estava filiada a um partido de comunistas. (Jornal Gazeta do Acre, n° 1.173, de 12/08/82, p.2)

Como se pode constatar, o PT se estruturava no Acre em meio a uma onda de boatos e de críticas de setores do PMDB que acusava o partido de "divisionista" e de que não se viabilizaria politicamente. Lideranças do movimento sindical e popular haviam sido assassinadas, enquanto outras sofriam ameaças de morte e simples militantes passavam por constrangimentos e perseguições de autoridades constituídas.

Foi através desse processo de lutas e mobilizações, além do sacrifício de algumas lideranças sindicais e populares, bem como da participação efetiva de centenas de trabalhadores anônimos, que o PT foi organizado no Acre.

Assim, em 27 de outubro de 1981, o Tribunal Regional Eleitoral do Acre - TRE/AC deferia o registro definitivo do Partido dos Trabalhadores no Estado. A legitimidade e a legalidade se mesclavam na conformação da "estrela" que despontava.

Rio Branco - (Ac), 09 de fevereiro de 2022

*Marcos Inácio Fernandes, é Secretário de Formação do DM/PT de Rio Branco - AC

**Texto resumido do livro: “PT: A Expressão Política de Amor ao Acre”. FERNANDES, Marcos Inácio. Natal-RN; Offset Editora, 2018

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

ZENILDA BARBALHO - PRESENTE!!

  








ZENILDA BARBALHO BEZERRA DE LIMA

(29/12/1956 - 31/01/2022)

Por: Marcos Inácio Fernandes*

Mais uma das nossas que partiu antes do combinado. Os amigos sempre partem antes do combinado, por mais tempo que tenham ficado com a gente. Estivemos compartilhando juntos da mesma trincheira, no trabalho e na política, desde 1984. Zenilda entrou na EMATER/AC, nesse ano, acho que foi o último concurso público para o órgão e também o último Pré-Serviço, que a Emater realizou. Entre os colegas que participaram do batismo, no CETRER de Manaus, para se tornarem EXTENSIONISTAS, lembro dos nomes de Solange, Madazinha, Vânia Ribeiro, Vareda, Bosco, entre outros.

Desde então, realizamos conjuntamente, alguns trabalhos. Estivemos na linha de frente da 1ª e única greve da Emater, em 1986 e naquele mesmo ano, em novembro, participamos em Salvador- BA, do I ENAS (Encontro Nacional das Associações dos Servidores do Sibrater), juntamente com Cesário Braga, Antônio Lemos, Ademir Batista, Ivanildo Lima (então esposo da Zenilda) e a própria Zenilda. Esse grupo formou a delegação do Acre que iria fundar a FASER (Federação das Associações dos Servidores da Extensão Rural).

A Zenilda Barbalho conseguiu aliar o seu trabalho técnico no serviço de ATER, a uma militância política expressiva, em Senador Guiomard, o município que morava. Foi eleita vereadora por dois mandatos (1996 e 2000), candidata a vice-prefeita, em 1992, e a Deputada Estadual, em 1998, sempre pelo Partido dos Trabalhadores. Ela nunca fugiu dos desafios e das lutas partidárias. Era um quadro dos mais qualificados do nosso partido.

No 2º mandato do Governo do Jorge Viana, tive o privilégio de compartilhar a direção da SEAPROF/EMATER, com a Zenilda, que posteriormente se tornaria Delegada do MDA no Acre. As últimas atividades que realizamos juntos foi a preparação no Estado para a 2ª Conferência Nacional de ATER - CONATER e em 2018, a Zenilda com mais alguns colegas organizaram as comemorações para celebrar os 50 anos da Emater/AC. Fui um dos palestrantes, participei da feijoada e ganhei um lindo porta-lápis de madeira com a logo da Emater. Gratidão por ter me proporcionado o privilégio de sua amizade e companheirismo.

Zenilda, deixa 3 filhos: Lorena, Yuri e Thayná, que estão bem encaminhados na vida e muitos amigos e companheiros.

ZENILDA BARBALHO BEZERRA LIMA – o seu nome enobrece o significado das palavras: EXTENSÃO, COMPANHEIRISMO E AMIZADE!!!

Vá na luz e descanse em paz, colega, amiga e companheira!

Rio Branco(AC), 31 de janeiro de 2022

Marcos Inácio Fernandes (Marcão), Extensionista e militante do PT.


Zenilda, Cazuza e Marcão (Preparação do 2º CENATER


? Joci, Zenilda e Letícia




Feijoada dos 50 Anos da Emater (Marcão e Zenilda Nosso último encontro presencial)




quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

O PT É A SUA MILITÂNCIA - IMAGENS MARCANTES

Prestes a completar 42 anos nesse 10 de fevereiro, resgato aqui algumas imagens da história gloriosa e vitoriosa do PARTIDO DOS TRABALHADORES -PT.  Sempre ao lado do povo!! (MIF)
















sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

A DIVA DA MPB AGORA BRILHA EM OUTRAS ESFERAS!!!



 





 Elza Soares, virou poeira de estrelas e está esplendorosa nessa outra esfera. A minha homenagem a grande Diva da MPB, através desses dois texto de dois ícones da nossa cultura - Chico Buarque e Caetano Veloso. Estou contemplado com o que eles disseram da ELZA SOARES. MIF)


Elza Gomes da Conceição - Elza Soares

(23/06/1930 – 20/01/2022)

 

 

“Nunca houve ou haverá uma mulher como ela”.

 Por Chico Buarque

Se acaso você chegasse a um bairro residencial de Roma e desse com uma pelada de meninos brasileiros no meio da rua, não teria dúvida: ali morava Elza Soares com Garrincha, mais uma penca de filhos e afilhados trazidos do Rio em 1969. Aplaudida de pé no Teatro Sistina, dias mais tarde Elza alugou um apartamento na cidade e foi ficando, ficando e ficando.

Se acaso você chegasse ao Teatro Record em 1968 e fosse apresentado a Elza Soares, ficaria mudo. E ficaria besta quando ela soltasse uma gargalhada e cantasse assim: “Elza desatinou, viu.”

Se acaso você chegasse a Londres em 1999 e visse Elza Soares entrar no Royal Albert Hall em cadeira de rodas, não acreditaria que ela pudesse subir ao palco. Subiu e sambou “de maillot apertadíssimo e semi-transparente”, nas palavras de um jornalista português.

Se acaso você chegasse ao Canecão em 2002 e visse Elza Soares cantar que a carne mais barata do mercado é a carne negra, ficaria arrepiado. Tanto quanto anos antes, ao ouvi-la em “Língua’’ com Caetano.

Se acaso você chegasse a uma estação de metrô em Paris e ouvisse alguém às suas costas cantar Elza desatinou, pensaria que estava sonhando. Mas era Elza Soares nos anos 80, apresentando seu jovem manager e os novos olhos cor de esmeralda.

Se acaso você chegasse a 1959 e ouvisse no rádio aquela voz cantando “Se acaso você chegasse’’, saberia que nunca houve nem haverá no mundo uma mulher como Elza Soares."

Texto do Caetano Veloso

Caetano Veloso também homenageou Elza nos 90 anos, textos publicados em janeiro de 2021 no Globo. Eis o texto de Caetano:

“Seu brilho é a prova de que o Brasil não é mole não”.

 Por: Caetano Veloso

"Elza Soares é uma das maiores maravilhas que o Brasil já produziu. Quando apareceu cantando no rádio, era um espanto de musicalidade. Logo ficaríamos sabendo que ela vinha de uma favela e desenvolvera seu estilo rico desde o âmago da pobreza.

Ela cresceu, brilhou, quis sumir, não deixei, ela voltou, seguiu e prova sempre, desde a gravação de “Se acaso você chegasse’’ até os discos produzidos em São Paulo por jovens atentos, que o Brasil não é mole não.

Celebrar os 90 anos e Elza é celebrar a energia luminosa que os tronchos monstros não conseguirão apagar da essência do Brasil.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

40 ANOS SEM ELIS REGINA

 


    ELIS REGINA CARVALHO COSTA
(17/03/1945 - 19/01/1982)




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Elis Regina

 

Por: Dilva Frazão

 

Biografia de Elis Regina

Por: Dilva Frazão

Elis Regina (1945-1982) foi uma cantora brasileira, considerada por muitos como a melhor cantora brasileira de todos os tempos. Sua morte precoce a transformou em mito. Diversas canções foram eternizadas na sua voz, entre elas: Águas de Março, Casa no Campo e Como Nossos Pais.

Elis Regina de Carvalho Costa nasceu em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, no dia 17 de março de 1945. Começou a cantar, com onze anos de idade, no programa "No Clube do Guri", na Rádio Farroupilha, apresentado por Ari Rego.

Em 1960 foi contratada pela Rádio Gaúcha. Nesse mesmo ano foi eleita a “Melhor Cantora do Rádio”. Em 1961, com 16 anos, viajou para o Rio de Janeiro onde lançou seu primeiro disco, "Viva a Brotolândia".

Em 1964, já se apresentava no eixo Rio São Paulo. Assinou contrato com a TV Rio, para se apresentar no programa "Noite de Gala". Sob a direção de Luís Carlos Miele e Ronaldo Bôscoli.

Nessa época, Elis criou os gestos que se tornaram sua marca registrada. Quando cantava, levantava os braços e girava-os. Também se apresentava no "Beco das Garrafas", reduto da Bossa Nova.

Ainda em 1964, Elis muda-se para São Paulo. Em 1965, fez a sua estreia no festival da Record com a música “Arrastão”, de Edu Lobo e Vinícius de Moraes.

 

Elis recebeu o Prêmio Berimbau de Ouro e o Troféu Roquette Pinto. Foi eleita a melhor cantora do ano.

O Fino da Bossa

Entre 1965 e 1967, ao lado de Jair Rodrigues e do Zimbo Trio, Elis apresentou o programa "O Fino da Bossa", na TV Record em São Paulo.

O programa gerou três discos Dois na Bossa I, II e III. O primeiro "Dois na Bossa" vendeu um milhão de cópias.

Elis Regina e Jair Rodrigues

Carreira internacional

Em 1968, Elis embarcou em uma promissora carreira internacional. No Olympia de Paris, foi ovacionada e voltou ao palco seis vezes depois do final do show.

Apelido

O apelido de Pimentinha foi dado por Vinícius de Moraes. A palavra exprimia a miudeza física e a personalidade explosiva da cantora, que mudava de comportamento em segundos. Era capaz de brigar aos gritos e no minuto seguinte conversar normalmente como se nada tivesse acontecido.

Cantora eclética

Era uma artista eclética, interpretava canções de vários estilos, como MPB, jazz, rock, bossa nova e samba. Levou à fama, cantores importantes como Milton Nascimento, João Bosco e Ivan Lins. Fez dueto com Tom Jobim, Jair Rodrigues, entre outros.

Entre os seus álbuns destacam-se: Ela (1971), Elis e Tom (1974), Falso Brilhante (1976), Essa Mulher (1979), Saudade do Brasil (1980) e Elis (1980).

Músicas eternizadas

Em menos de 20 anos de carreira, Elis gravou 31 discos, onde imortalizou diversas canções da música popular brasileira, entre elas:

·         Águas de Março

·         Como Nossos Pais

·         O Bêbado e a Equilibrista

·         Fascinação

·         Madalena

·         Aprendendo a Jogar

·         Casa no Campo

·         Alo, Alo, Marciano

·         Romaria

·         Upa Neguinho

·         Se Eu Quiser Falar Com Deus.

Vida pessoal

Elis Regina foi casada com o produtor musical Ronaldo Bôscoli entre 1967 e 1972. Juntos protagonizaram brigas homéricas, geralmente em público. Dessa união nasceu João Marcelo Bôscoli (1970).

Entre 1973 e 1981 Elis viveu com o pianista e arranjador musical Cesar Camargo Mariano. Juntos tiveram dois filhos: Pedro Camargo Mariano (1975) e Maria Rita (1977).

Morte

Elis Regina foi encontrada no chão de seu quarto do seu apartamento no bairro dos Jardins, por seu namorado Samuel MacDowell, que arrombou a porta e tentou socorre-la, mas ela já chegou sem vida ao hospital.

Elis Regina faleceu com apenas 36 anos, em São Paulo, no dia 19 de janeiro de 1982.