quinta-feira, 28 de março de 2024

60 ANOS DO GOLPE MILITAR (1964 – 2024)

 


60 ANOS DO GOLPE MILITAR (1964 – 2024)

(MINHAS LEMBRANÇAS)



Por: Marcos Inácio Fernandes*

“Desconfiai do mais trivial,
na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente:
não aceiteis o que é de hábito
como coisa natural.
Pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada,
de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural.
Nada deve parecer impossível de mudar”

(Nada É Impossível de Mudar – Bertolt Brecht).

O golpe militar de 1964, me alcançou no esplendor dos meus 16 anos. Fazia a 4ª série Ginasial no Ginásio Augusto Severo de Parnamirim-RN, no qual concluí o ginasial naquele ano. Na época, não tinha a menor noção do que estava acontecendo no nosso país, pois as minhas preocupações era estudar e jogar bola. A alienação política era predominante na juventude de minha cidade. Ademais, Parnamirim, - a “Cidade Trampolim da Vitória”,-  abrigava a Base Aérea de Natal,(maior densidade de militares reacionários por metro quadrado). Na época, a maioria dos habitantes de Parnamirim era de militares e civis, que prestavam seus serviços naquela unidade da Aeronáutica.

Nos anos 60 comandaram a Base Aérea de Natal, os coronéis aviadores: Firmino Ayres Araújo (04/01 a 06/04/64); Geraldo Labarthe Lebre (04/04 a 27/04/64); Clóvis de Athayde Boher (27/04 a 04/06/64); e Esrom Saldanha Pires (04/06  a 04/01/65).

Em 1954, na crise política que levou ao suicídio de Vargas (Que atrasou o golpe em 10 anos), eu estava na ilha de Fernando de Noronha e quem comandava a Base Aérea de Natal era o Coronel Aviador Antônio Joaquim S. Gomes (02/03/53 a 10/06/58); e na crise de 1961 com a renúncia de Jânio Quadros e a tentativa de impedir a posse de Jango, a Base Aérea ficou de prontidão e o seu comandante era o então Coronel Aviador João Paulo Moreira Burnier, que comandou a Base de (04/08/61 a 04/01/62). Esse militar, da linha dura, já como Brigadeiro, iria protagonizar um dos episódios mais vergonhosos dos militares. Queria utilizar o PARA-SAR (tropa de elite da Aeronáutica) para atentados terroristas no Rio de Janeiro e sequestrar políticos opositores ao regime de 64. Não logrou êxito porque o comandante do PARA-SAR, Capitão “Sérgio Macaco”, se recusou a cumprir suas ordens.

Em 1964, um fato me chamou atenção por aqueles dias de março/abril. Fui assistir um filme no Cine Rio Grande, em Natal e nas imediações do cinema e da Catedral de Natal, havia uma pequena trincheira de sacos de areia com uma metralhadora instalada com soldados do Exército. Não lembro o filme que assisti, mas, lembro que no Jornal do “Canal 100”, que antecedia o filme, passou o comício da Central do Brasil, onde o presidente João Goulart, anunciou as “Reformas de Base”. O golpe militar já havia acontecido e Jango já estava exilado no Uruguai (Foi o único presidente que morreu no exílio).

Terminei o 2º Grau na  Escola Agrícola de Jundiaí em Macaíba, em 1967 e já estava um pouco mais politizado, porém numa fase bem embrionária. Foi então que conheci José Silton, que me recrutou para o PCBR.

O RECRUTAMENTO E A PRISÃO

Conheci o Silton jogando bola. No final dos anos 60 e início dos 70, eu era um meio de campo que jogava até razoável e vivia batendo bola pelo interior. Durante algum tempo joguei pelo time do sítio de Japecanga, (um engenho de fogo morto), perto da minha cidade, Parnamirim. Era nesse sítio que morava o pai do Silton, seu Milton, e ele sempre estava lá nos finais de semana e também participava do jogo. Na primeira vez, que estive em Japecanga, o que me chamou atenção foi o fato de um rapaz daquelas brenhas está assobiando músicas do Edu Lobo e Geraldo Vandré. Era o Silton. Após esse primeiro jogo, retornamos no caminhão do time de Natal e entabulamos conversa sobre as músicas que ele estava cantarolando. Informei-lhe que eu gostava da MPB e que escutava os programas de rádio de Irapuã Rocha, na Rádio Rural, e o de Rubens Lemos, na rádio Cabugi. O prefixo do programa do Rubens Lemos, dizia “Acorda samba do Brasil....” Fiquei sabendo que ele ia fazer vestibular para Educação, que havia concluído o 2º grau no colégio Marista de Natal, que era do movimento estudantil e que havia sido criado por D. Lira, sua mãe adotiva. Na oportunidade lhe informei que também era secundarista e que estava pensando fazer Sociologia e ele, com o seu jeito expansivo e alegre, fez a uma festa e me deu a maior força. Desde então, ficamos amigos e freqüentávamos a casa um do outro. Continuamos a jogar no time de Japecanga e passamos no vestibular para as nossas áreas e a amizade evoluiu para um companheirismo partidário. Através do Silton eu pude enveredar pela trilha revolucionária que os jovens acalentam e acabei sendo “recrutado” para militar na FREP (Frente Revolucionária Popular), uma frente capitaneada pelo PCBR. A minha militância “revolucionária” se restringiu a algumas leituras de textos clássicos da literatura socialista: O Manifesto Comunista, Esquerdismo: a Doença infantil do Comunismo, O Estado e a Revolução e romances do Jorge Amado: Subterrâneos da Liberdade, poesias de Brechet e Castro Alves e por aí. Através do Silton, tomei conhecimento do trabalho de Geanfrancesco Guarnieri, “Arena Canta Zumbi” e de “Liberdade, Liberdade” de Flávio Rangel e Millôr Fernandes. Esse trabalho teatral sobre a Liberdade já estava censurado, mas o Silton, ainda conseguiu comprar um LP e me presenteou. Guardo esse presente até hoje. Agora, recentemente, já no século XXI, consegui esse trabalho em CD na coletânea das duas coleções da Nara Leão, que na época participava do elenco da peça. As minhas ações “revolucionárias” se restringiram a duas panfletagens. Uma no cine Nordeste (jogar uns panfletos na parte de cima, o mezanino do cinema, durante a projeção) e a outra dentro de um ônibus de linha que transportava trabalhadores nas primeiras horas da manhã de um bairro de Natal que eu não sabia qual era (tinha ido dormir no aparelho e de lá para o local da atividade, sempre de olhos vendados). Na primeira semana de faculdade, na Fundação José Augusto, que oferecia os cursos de Sociologia e Jornalismo, recebi uma tarefa de me articular com Izolda, que também havia sido aprovada no curso, para formarmos uma célula de esquerda na faculdade. Mantivemos os primeiros contatos, mas, logo em seguida, (acho que com menos de 15 dias de curso), a Izolda foi presa quando soltava uns panfletos na fábrica de confecções Guararapes, (hoje o Shopping Midwey) na hora da saída das operárias. Izolda, foi incursa na Lei de Segurança Nacional e pegou 2 anos de detenção, que cumpriu na Penitenciária João Chaves. Fui com o Silton visitá-la algumas vezes e esse infortúnio proporcionou um romance/namoro entre Silton e Izolda e foi lá que conheci a Eró, irmã de criação da Izolda, com quem mais tarde me casei e vivo até hoje. A possibilidade de ter conhecido essas pessoas (Silton, Izolda, Eró) foi a grande dádiva que o projeto ingênuo, mas generoso, da esquerda me presenteou e me moldou como ser humano (também ingênuo, mas, da mesma forma, generoso). Ainda através do Silton, conheci Paulo Pontes, que esteve na minha casa participando de uma discussão com uma freira (não lembro mais o nome) e o nosso clube de jovens da Cohabinal do qual participava Graça de D.Bena, Lauro (já falecido) e Duzinho (também falecido). Depois da reunião com a irmã, fizemos uma discussão política, na qual, o Paulo Pontes disse que a alternativa no Brasil era “partir para luta armada”. Eles partiram (Silton e Paulo) e pagaram caro por essa opção. Silton, com a vida, tirada da forma mais ignominiosa – a tortura. Paulo Pontes, foi preso na Bahia, junto com Teodomiro dos Santos, mas ambos sobreviveram a tortura (sabe Deus com quais seqüelas). Tempos depois, em 1983, quando já morava no Acre, casado e com dois filhos (Ana e Abelardo) fui fazer um curso sobre Desenvolvimento Rural em Salvador e me reencontrei, nesse curso, com o Paulo Pontes. Ele havia feito o curso de Economia, que iniciou quando ainda estava preso. Depois de anistiado, concluiu o curso e trabalhava na CAR-BA. Reencontrei-o, bem mais velho e calvo, porém, vivo. Silton foi para a clandestinidade e morreu por seus ideais. Izolda, depois de cumprir sua pena, se auto-exilou no Peru e por lá casou e teve dois filhos, Jussara e Ernesto, ambos já formados, trabalhando e com filhos. Eu, que pretendia também entrar para a clandestinidade, fui preso em função de uma carta que havia enviado para Silton falando dessa minha pretensão. Na ocasião, o Silton já havia sido assassinado e a carta foi interceptada.

 Na noite de 10 de abril de 1973, ao retornar da Faculdade, quando estava chegando em casa, um jipe com dois policiais civis do DOPS, me levaram preso e me deixaram numa delegacia da Cidade da Esperança e depois fui para um depoimento no QG do Exército (hoje Museu Câmara Cascudo) e depois fui levado para a Polícia Federal. Amarguei alguns dias na Polícia Federal, onde, logo que cheguei, levei uns sopapos de um policial, que chamavam de “Chinoca”. Depois me encapusaram e algemaram e colocaram no piso do banco traseiro de uma Veraneio, com dois agentes com os pés no meu peito e me levaram para um local que desconheço. Nesse local passei por uma sessão de tortura, que se restringiu a telefones nos ouvidos, chutes e pancadas pelo tórax por algumas horas, além da tortura psicológica com ameaças de morte, de me enviar para o Doi-Codi do Recife (ali eu ia ver o que era bom, diziam). Quando retornaram comigo para a Polícia Federal, já era noite. Estava arquejando com o corpo todo dolorido e o ouvido sangrava. Na ocasião um agente da PF foi comprar uma cerveja preta e me deu prá tomar. Foi um regalo. Fiquei alguns dias na PF algemado a uma cama de campanha e incomunicável. Apenas recebi a “visita” do tenente Albernáz do serviço de informação da Aeronáutica, que voltou a me fazer ameaças e falar mal dos comunistas, inclusive citando Prestes. Depois de prestar vários depoimentos, fui processado pela Lei de Segurança Nacional e transferido para a Colônia Penal João Chaves. Nunca fiquei tão feliz em ir para um estabelecimento penal pois, o meu receio e o meu pavor, era que me levassem para o Dói-Codi do Recife, como viviam me ameaçando.

Fiquei preso na Colônia Penal João Chaves (hoje desativada) por uns dois meses. Nesse período, lembro que teve uma Páscoa para os presos. Deram farda nova (calça e camisa azul), houve uma missa celebrada por Pe. Aquino (Ex- vigário de Parnamirim) assistida pela quase totalidade dos detentos, além do secretário de segurança do Estado e esposa, o diretor da Colônia (Cel. Juvenal) e alguns convidados. Após o ato serviu-se o café, que já estava disposto na mesa (pratinho de papelão com biscoito, bolacha e pão com queijo) tudo coberto com papel celofone vermelho e 1 copo novo. O prato, o papel e o copo foram posteriormente recolhidos. Distribuíram um saquinho contendo 1 sabonete “Carnaval”, 1 pasta “Gessy”, 1 talco “Cinta Azul” e 1 carteira de cigarro “Continental” com filtro. A maioria dos presos queriam trocar os outros objetos pela carteira de cigarro. Dei o meu sabonete para o Edmar (estava preso por pistolagem) e o cigarro para os “subversivos” que estavam  presos comigo (Chico, Ivan, Alvamar, Marcos Formiga e Lindenbergue). Nesse período, quem também estava encarcerado era o comunista do Partidão Bento Ventura e o ex-jogador do ABC, Luiz Marques, que cumpria uma condenação por assassinato, além dos pistoleiros Edmar e Joca de Cininha.

Em 26 de junho de 1973, recebi a Certidão de soltura da Secretaria de Estado do Interior e Segurança, com o seguinte teor: CERTIDÃO: Certifico para os fins que se fizerem necessários, que MARCOS INÁCIO FERNANDES, foi posto em liberdade nesta penitenciária, hoje dia 26/06/73 /conforme telegrama oriundo da 7ª CJM (Auditoria Militar), à Colônia Penal pelo Dr. José Bolívar Réges, auditor, e confirmado pela DOPS.

 Natal, 26 de junho de 1973.  Altamiro Galvão de Paiva 1º Ten. PM Cmt- DEST Setor de Segurança.

Dei a maior parte das minhas roupas para os presos e fui embora livre. Entretanto ficamos sendo monitorados pelos órgãos da repressão. Toda vez que um general/Presidente de plantão, visitava Natal, os “subversivos” eram recolhidos ao DOPS e só eram liberados, quando o avião presidencial partia. Num desses recolhimentos estavam Juliano Siqueira e Rubens Lemos, que perguntou na ocasião: é “reunião de pais e mestres”? Também tive meu nome vetado para um trabalho no IBGE (havia feito o censo Demográfico e Econômico de 1970) e já no Acre também fui vetado para ingresso na UFAC, onde entrei depois por concurso público.

Esse é o meu depoimento e minha “descomemoração” do golpe de 64. Estou ainda perplexo por ter quase vivenciado outra tentativa de golpe agora em janeiro de 2023, com participação ativa de militares. Espero que dessa vez não haja anistia, pelo contrário, que haja punição rigorosa, aos que atentaram, mais uma vez, contra nossa frágil democracia.

 

Rio Branco (AC), 28 de março (quinta-feira da Paixão) de 2024

 

*Marcos Inácio Fernandes, é professor aposentado e filiado ao PT

 

PS – Quero lembrar e prestar meu tributo de gratidão e respeito aos verdadeiros patriotas, que sucumbiram no combate ao regime militar e que nos legaram a democracia que desfrutamos hoje. Ao prenunciar seus nomes, exclamamos: PRESENTE!

OS PATRIOTAS ASSASSINADOS PELA DITADURA MILITAR DE 1964

(1964 /1981 – Relação nominal)

1964

1965

1966

1 - Albertino José de Oliveira

2 - Cel. Av. Alfeu de Alcântara Monteiro

3 – Astrogildo Pascoal Vianna

4 – Bernardino Saraiva

5 -- Carlos Schimer

6 – Dilermando Melo do Nascimento

7 – Edu Barreto Leite

8 – Ivan Rocha Aguiar

9 – José de Souza

10 – Jonas José Albuquerque Barros

11 – Paulo Torres Fernandes Gonçalves

12 – Pedro Inácio de Araújo

1 – Silvano Soares Santos

 

1 – Manoel Raymundo Soares

2 – Miguel Pereira dos Santos

 

1967

1968

1969

1 – Milton Palmeira de Castro

 

1 – Clóvis de Amorim

2 - David de Souza Meira

3 – Edson Luiz de Lima Souto

4 – Fernando da Silva Lobo

5 – João Frazão Dutra

6 – Jorge Aprígio de Paula

7 – José Carlos Guimarães

8 – Luiz Carlos Augusto

9 – Maria Ângela Ribeiro

10 – Omalindo Cândido da Silva

11 – Virgílio Gomes da Silva

 

1 – Antônio Henrique Pereira Neto

2 – Carlos Marighella

3 – Carlos Roberto Zanirato

4 – Chael Charles Schereider

5 -Erimias Delizeikov

6 – Fernando Borges de Paula Ferreira

7 – Hamilton Fernnando Cunha

8 – João Domingues da Silva

9 – João Lucas Alves

10 – João Roberto Borges de Souza

11 – José WilsonLassa Sabag

12 – Luís Fogaça Balboni

13 – Marco Antônio Brás de Carvalho

14 -Nelson José de Almeida

15 – Reinaldo Silveira Pimenta

16 – Roberto Cieto

17 – Ruy Carlos Bebet

18 – Sebastião Gomes da Silva

19 – Severino Viana Colon

1970

1971

1972

1 - Abelardo Raush Alcântara

2 -Alceri Maria Gomes da Silva

3 – Alvemar Moreira Barros

4 – Antônio Raimundo de Oliveira Lucena

5 – Antônio dos Três Reis

6 – Ari Abreu Lima da Rosa

7 – Dorival Ferreira

8 – Edson Cabral Sardinha

9 - Edson Neves Quaresma

10 – Eduardo Leite

11 – Eiraldo Palha Freire

12 – Hélio Luis Navarro

13 – Joaquim Câmara Ferreira

14 – Joel Vasconcelos

15 – Joelson Crispim

16 – Jorge Leal Gonçalves

17 – José Roberto Spigner

18 - José Idésio Brianese

19 – Juarez Guimarães Brito

20 – Lucimar Brandão Guimarães

21 – Marco Antônio da Silva Lima

22 – Marcos Antônio Dias

23 – Mário Alves

24 – Norberto Nehring

25 – Olavo Hansen

26 – Roberto Macarini

27 – Yoshitama Fujimore

28 – José Campos Barreto

29 – José Campos Teixeira

30 – Roberto Tanari

31 – Walter Ribeiro Novais

1 – Aderval Alves Coqueiro

2 – Aldo de Sá

3 – Brito de Souza Neto

4 – Amaro Luiz de Carvalho

5 – Antônio Joaquim Machado

6 – Antônio Sérgio de Matos

7 – Aluizio Palhano

8 – Carlos Alberto Freitas

9 – Carlos Eduardo Pires Fleuty

10 – Carlos Lamarca

11 – Célio Augusto Guedes

12 – Denis Cassimiro

13 – Devanir José de Carvalho

14 – Dimas Antônio Cassemiro

15 – Edgard de Aquino Duarte

16 – Eduardo Antônio da Fonseca

17 – Félix Escobar

18 – Francisco José de Oliveira

19 – Gerson Teodoro de Oliveira

20 – Heleni Teles Guariba

21 – Ivan Mota Dias

22 – Joaquim Alencar de Seixas

23 – José Manoel Mendes Nunes de Abreu

24 – José Miltom Barbosa

25 – José Raimundo da Costa

26 – José Roberto Arantes de Almeida

27 – Luís de Almeida Araújo

28 – Luís Antônio Santa Bárbara

29 – Luís Eduardo da Rocha Marlilo

30 – Luís Hirata

31 – Mariano Joaquim da Silva

32 – Marilene Vilas-Boas Pinto

33 – Mauro de Souza Prata

34 – Mauricio Guilherme da Silveira Nicolau

35 – Nilda Carvalho Cunha

36 – Odijas Carvalho de Souza

37 -Otoniel Campos Barreto

38 – Paulo de Tarso Celestino

39 – Raimundo Eduardo da Silva

40 – Raimundo Gonçalves Figueredo

41 – Raul Amaro Nin Ferreira

42 – Rubens Paiva

43 -Stuart Edgard Angel Jones

44 – Yara Yavelberg

 

 

1 – Alex de Paula Xavier Ferreira

2 – Alexandre José Ibsem Voerões

3 – Ana Maria nacinovic Correa

4 – Antônio Benetazzo

5 -Antônio Carlos Nogueira Cabral

6 - Antônio Monteiro Teixeira

7 – Amo Preiss

8 – Aurora Maria Nascimento Furtado

9 – Antônio Marcos Pinto de Oliveira

10 – Bergson Gurjão Farias

11 – Carlos Nicolau Danelle

12 – Cazuza

13 – Ciro Flávio Oliveira Salazar

14 – Elmo Correia

15 – Ezequias Bezerra

16 – Fernando Augusto da Fonseca

17 – Flávio de Carvalho Molina

18 – Gastone Lucia Beltrão

19 – Gerson Reiche

20 -  Getílio D’Oliveira Cabral

21 – Grenaldo de Jesus da Silva

22 – Hélcio Pereira Fortes

23 – Helenira Rezende de Souza Nazareth

24 – Hiroaki Torigoi

25 -Ismael de Jesus da Silva

26 – Idalísio Soares Aranha Filho

27 – Jaime Petit da Silva

28 – Jana Moroni Barroso

29 – Jeová de Assis Gomes

30 – João Carlos Cavalcanti Reis

31 – João Mendes de Araújo

32 – João Carlos Haas Sobrinho

33 – José Bartolomeu Rodrigues de Souza

34 – José Inocêncio Perreira

35 – José Júlio de Araújo

36 – José Silton Pinheiro

37 -  José Francisco Cheves

38 – José Toledo de Oliveira

39 – Kleber Lemos da Silva

40 Lauriberto José Reys

41 Ligia Maria Salgado Nóbrega

42 – Lincoln Cordeiro Oeste

43 – Luís Alberto Andrade de Sá Benevides

44 – Luís Galhardine

45 – Lourdes Maria Wanderley Pontes

46 – Lourival Paulino

47 – Lúcia Maria de Souza

48 – Lúcio Petit da Silva

49 – Luiz Eurico Tejera

50 – Manoel José Nurchis

51 – Marcos Nonato da Fonseca

52 – Maria Célia Correia

53 – Maria Lúcia Petit da Silva

54 – Miriam Lopes Verbena

55 – Maria Regime Lobo de Figueiredo

56 – Paulo Massa

57 – Paulo Ribeiro Bastos

58 – Rui Osvaldo Aguiar Pfutzenreuter

59 – Sérgio Landulfo Furtado

60 – Valdir Sales Sabóia

61 – Winston Ferreira;

62 - Yuri Xavier  Pereira

 

1973

1974

1975

1 – Alexandre Vannucchi Leme

2 – Adriano Fonseca Filho

3 -  Alfredo

4 – Almir Custódio de Lima

5 – Anatália de Souza Alves de Melo

6 – André Grabois

7 -Antônio Carlos Bicalho Lana

8 – Arildo Valadão

9 – Arnaldo Cardoso Rocha

10 – Caiubi Alves de Castro

11 – Daniel José de Carvalho

12 – Edmur Péricles de Carvalho

13 – Emanoel Bezerra dos Santos

14 – Eudaldo Gomes da Silva

15 -  Evaldo Luís Ferreira de Souza

16 – Francisco Emanoel Penteado

17 – Francisco Seiko Okama

18 – Gildo Macedo Lacerda

19 – Hélber José Gomes Goulart

20 – Henrique Ornelas Ferreira Cintra

21 – Honestino Guimarães

22 – Humberto Albuquerque Câmara Neto

23 – jean Henry Raya

24 – João Batista Rita Pereda

25 – Joaquim Pires Cerveda

26 – Joel José de Carvalho

27 – José Carlos Novaes Mata Machado

28 – José Lavechia

29 – José Manoel da Silva

30 – José Porfírio de Souza

31 – Lincoln Bicalho Roque

32 Luís José da Cunha

33 – Manoel Aleixo da Silva

34 – Manoel Lisboa de Moura

35 – Merival Araújo

36 – Maurício Grabois

37 – Nelson Dourado

38 – Nelson de Souza Kohl

39 – Nunes Onofre Pinto

40 – Osmar

41 – Pauline Reichstul

42 – Paulo Roberto Pereira Marques

43 – Ramires Maranhão

44 – Ranúsia Alves Rodrigues

45 -  Ronaldo Mourth Queiroz

46 – Soledade Barreti Viedma

47 -Sonia Maria Lopes de Moraes

48 – Vitorino Alves  Moitinho

49 – Zebão

1 – Ana Rosa Kucinski

2 – Antônio Guilherme Ribeiro Dias

3 – Antônio T. Castro

4 – Áurea E. Valadão

5 – Cilon

6 Davi Capistrano da Costa

7 – Dinaelza Santana Cajueiro

8 – Dinalva da Conceição M. Teixeira

9 -Eduardo Colier Filho

10 – Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira

11 – Guilherme Soveira Lund

12 – Ieda Santos Delgado

13 – Issame Nakamura Okano

14 – Isis Dias de Oliveira

15 – João Massena Melo

16 – José Humberto Bronca

17 – José Roman

18 – Luiz Inácio Maranhão

19 – Osvaldo Orlando da Costa (Osvaldão)

20 – Paulo Rodrigues

21 – Rosalindo Cruz

22 – Rui Frazão Soares

23 – Sueli Yomiko Kanayana

24 – Sonia Piauí

25 – Thomas Antônio Meireles

26 – Telma Correia

27 – Tito de Alencar Lima (Frei Tito)

28 – Valquiria Queiroz Caramuru

29 – Walter de Souza Ribeiro

30 – Waldick Reilner P. Cajueiro

31 – Wilson Silva

1 – Armando Teixeira Frutuoso

2 – Elson Costa

3 -Hiram de Lima Pereira

4 – Itair José Veloso

5 – Jayme Amorim de Miranda

6 – José Ferreira de Almeida

7 – José Maximiniano de Andrade Neto

8 – José Montenegro de Lima

9 – Nestor Veras

10 – Orlando Rosa Bonfim Júnior

11 – Pedro Jerônimo de Souza

12 – Wladimir Herzog

1976

1977

1978

1 – Ângelo Arroyo

2 – João Batista Franco Drumond

3 – João Bosco Penido Burnier

4 – Manoel Fiel Filho

5 – Pedro Ventura de Araújo Pomar

6 – Rudolf Lubemkeim

7 – Simão Cristino

 

1 – Alberi Vieira dos Santos

2 – Roberto Rascado Rodrigues

3 – Sebastião Lopes

1 – Marivaldo

2 -Mauro

3 – Norberto Armando Habbeger

1979

1980

1981

1 – Adão Fausti8no

2 – Benedito Gonçalves

3 – Guido Leão

4 – Joceli Joaquim Macedo

5 – Oracílio Martins

6 – José Soares dos Santos

7 – Santo Dias da Silva

1 – Agenor Martins

2 – Francisco Sobreira Lima

3 – Joaquim Ferreira Abadia

4 – José dos Santos

5 – Lyda Monteiro da Silva

6 – Marcelo dos Santos

7 – Pedrinho Marceneiro

8 – Raimundo Ferreira Lima

9 – Wilson de Souza

1 – Francisco Oliveira

2 -João Nascimento

3 – Joaquim Neves Norte

4 – José Bezerra

5 – José Manoel de Souza

6 – José Pedro dos Santos

7 – Sebastião Mearim

 

 

 

 

 

 


sábado, 16 de março de 2024

ADEUS SEU CHICO!

 Eró, seu Chico e Marcão (Nos 100 anos)


Marcão, Eró, seu Chico, Ana e Arthur (100 anos do seu Chico)

Marcão com Abelardo, Ana e seu Chico - 1979

Seu Chico, quebrando a barreira dos 100 anos


Painel dos 100 anos do seu Chico

ADEUS SEU CHICO

Seu Chico, meu vizinho e amigo, desde que cheguei no Acre, em 1978, fez a partida nessa madrugada, aos 102 anos. Partiu suavemente, dormindo. Ele acompanhou de perto o crescimento dos meus filhos e, na festa do seu centenário, celebramos a data com a  presença do meu neto Arthur, filho da Ana. A sua trajetória de vida, pode-se considerar  invejável. Não apenas por ter quebrado a barreira dos 100 anos com lucidez, mas, principalmente, por ter constituído uma família numerosa com D. Maria (acho que mais de 10 filhos, dos quais conheci mais de perto, Ivone e João Neto, que trabalharam comigo na Emater, Chico, Geraldo, Moreira, Carlinhos e Maise). Todos foram bem encaminhados na vida e se tornaram cidadãos de bem. Considero que esse é o maior patrimônio, que qualquer pai de família deve se orgulhar.

Vá na luz, seu Chico e descanse em paz!!

 

Marcão.

Rio Branco (AC), 16 de março de 2024


sábado, 24 de fevereiro de 2024

FORRÓ NO CÉU!

 FORRÓ NO CÉU!!

D. Sebastiana (1940 - 2024) e Marcão

Hoje tem forró no céu? Tem mermo! D. Sebastiana já está flutuando para aquelas paragens onde moram as estrelas. Vai se encontrar com seus parceiros do forró do Senadinho e do Aeroporto Velho, que ela frequentava enquanto seus joelhos permitiram. Agora esse problema está superado. Ela vai se reencontrar com seus parceiros e amigos, que também já subiram, como o Quintelinha, o Panelada e o Lhé e o forró vai ser de “torar a alça do corpete”. Dominguinhos já está escalado para tocar e o Jackson do Pandeiro vai cantar seus sucessos, entre eles, o antológico SEBASTIANA, em sua homenagem. Cantemos juntos.

“Convidei a comadre Sebastiana / Prá dançar e xaxar na paraíba/ Ela veio com uma dança diferente/ E pulava que só uma guariba /E gritava: A, E, I, O, U, ypisilone (bis)

Já cansada no meio da brincadeira / E dançando fora do compasso /Segurei Sebastiana pelo braço / E gritei não faça sujeira / O xaxado esquentou na gafieira / E Sebastiana não deu mais fracasso / E gritava: A,E,I,O,U Ypisilone.” (Sebastiana – Rosil Cavalcanti).

Receba meus sentimentos Bete, Socorro, Andréia, Wanda e demais familiares do clã Oliveira.  Vá na luz, amiga Sebastiana, e descanse em paz!!

 

P.S – Amanhã no “É Cantando Que A Gente Se Entende” na Difusora, colocarei um forrózinho em sua homenagem.

Abraço saudoso do Marcão.

Rio Branco (AC), 23 de fevereiro de 2024

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

CELULAR, UMA ARMA DE DISTRAÇÃO EM MASSA NO BOLSO DE CADA UM.

 Esse texto é de UTILIDAE PÚBLICA!!! Nos fornece informações valiosas para sabermos utilizar melhor os nossos celulares e menos dependentes dos ALGORÍTIMOS das Plataformas Digitais. (MIF)


Celular, uma arma de distração em massa no bolso de cada um

Como o smartphone sequestra suas horas e sua concentração – e um caminho para sair dessa relação abusiva

Marcelo Soares | 01 fev 2024_ Revista Piaui

Quando o editor me convidou para escrever esta reportagem sobre o nosso vício em telas e as medidas para se livrar dele, anotou algumas práticas testadas informalmente na redação:

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§  Usar os “filtros de cor” para deixar a tela do celular em preto e branco (uma estratégia que será descrita na reportagem abaixo) é um Ozempic para o vício em tela: tudo fica mais sem graça e você perde a vontade de ficar “beliscando” o dia todo, vendo tanta besteira. Passa, então, a usar o celular de forma mais utilitária e menos recreativa, por menos tempo

§  Mover os aplicativos mais supérfluos para dentro de pastinhas na tela exige dois cliques – e, assim, faz você pensar duas vezes antes de abrir as portas para abrir o TikTok do nada, como quem, entediado, abre a geladeira para ver o que tem de bom

§  Deletar o app da tela inicial ajuda ainda mais: você precisa fazer uma busca para encontrar o que quer. É um micro trabalho, claro, mas que dá um empurrãozinho para desautomatizar o clique

§  Melhor ainda é dificultar um pouquinho mais: apagar o aplicativo de rede social e acessar do browser do celular, logando e deslogando a rede a cada vez que usar. Se você tiver autenticação em dois fatores, vai bater uma preguiça de digitar o código

§  Melhor ainda é se esforçar para manter a navegação no laptop, como faziam os povos da Mesopotâmia, sempre que possível. A experiência é bem menos viciante e você se afasta do risco de abrir a tela para checar a previsão do tempo e cair, sabe-se lá como, em duas horas entretido nas tretas do X.


Parar para ler um texto menos ligeiro ajuda a exercitar algo que os smartphones vem nos roubando: a concentração. A reportagem abaixo, que pode ser lida no tempo dos stories da Silvia Braz, traça um panorama científico sobre o tempo inútil de tela e ideias para ter uma relação mais saudável com o aparelho.

 O brasileiro passa em média cinco horas por dia grudado na tela do celular, segundo o estudo “State of Mobile 2024”, divulgado em dezembro. Como essas cinco horas não são contínuas, e sim picotadas ao longo do dia, vivemos distraídos e muitas vezes nem vemos o tempo passar. Daí muita gente ter colocado como meta de Ano-Novo passar menos tempo online.

“A sensação de passagem do tempo é muito vulnerável a distorções”, disse à piauí a pesquisadora Ruth Ogden, professora de psicologia do tempo na Universidade John Moores de Liverpool, no Reino Unido. Sua equipe ouviu trezentas pessoas em países europeus sobre seus hábitos digitais. Quanto mais horas passavam conectadas, pior era a percepção delas sobre o tempo livre. Embora estivessem muito mais horas ocupadas, parecia que tinham produzido muito menos. Ogden não culpa propriamente a tecnologia por isso, mas recomenda prestar atenção em como se usa e se percebe o resultado dela.

Tempos atrás, quem torcia para um time, ou era fã de uma banda, vivia cercado de pessoas que raramente partilhavam do mesmo entusiasmo. Nos últimos quinze anos, o uso do smartphone permite que alguém possa passar o dia todo falando do seu assunto favorito com amigos, ídolos e desconhecidos – e, nisso, até as horas de sono são prejudicadas. 

Os algoritmos que direcionam informação, lazer e interação são os principais atores nessa situação. Um algoritmo é um modelo matemático, implementado por meio de códigos de programação, que se alimenta de dados sobre o comportamento passado do usuário para tentar prever e incentivar o que ele fará em seguida. As empresas de redes sociais coletam toneladas de dados sobre características e preferências de cada usuário visando prever melhor quais conteúdos mostrar para mantê-lo colado na tela por mais tempo, mostrando assim mais anúncios e aumentando suas receitas. Daí, o sucesso das plataformas depende da captura permanente da atenção das pessoas. “Os usuários estão, ao mesmo tempo, sendo usados”, escreve Justin E.H.Smith, autor de The Internet is Not What You Think it Is: A History, a Philosophy, a Warning (A internet não é o que você pensa que é: uma história, uma filosofia, um alerta, em tradução livre).

Na pandemia, quando até as atividades mais básicas migraram para o celular, a apelação para caçar cliques dominou as redes, com variações em torno de temas altamente polarizantes, de política a comportamento. Nas plataformas de streaming, a mesmice tomou conta. Além de todas as continuações de franquias de super-heróis, há filmes feitos para o que o algoritmo calculou ser o gosto médio do público, baseado no histórico de consumo de cada usuário. Na Netflix, eles muitas vezes são estrelados por Adam Sandler e sempre parece que você já viu o longa antes, de tanto que os roteiros se alimentam do que já deu certo antes. 

O jornalista norte-americano Kyle Chayka, autor de Filterworld – how algorithms flattened culture (Mundo com filtro – como os algoritmos achataram a cultura, em tradução livre), lançado em 16 de janeiro nos Estados Unidos, avalia que esse avanço dos algoritmos sobre o reino da criatividade deixou tudo mais chato – e achatado. Ele empurra a cultura em duas direções só aparentemente diferentes – com uma mão estimula a mesmice, com a outra, as bolhas; as duas atraem engajamento, tempo gasto e compras online. 

No X, o antigo Twitter, o bilionário mimado Elon Musk adotou uma série de critérios de visibilidade, especialmente paga, que aprofundam a cada dia a percepção de que o que vale lá é a gritaria. Esse processo de deterioração da utilidade das plataformas em busca de lucro é chamado de “enshittification”, ou “bostificação”, pelo jornalista e escritor canadense Cory Doctorow.

Se você colocou entre suas resoluções para 2024 a redução do tempo que passa no celular e nas redes sociais, pode ter tido problemas para imaginar por onde começar. Sua ideia tem mais chance de dar certo agora no início do ano, quando noves fora alguma operação policial em Angra dos Reis (RJ), o noticiário político está um pouco morno, os assuntos das redes sociais giram em torno de tretas entre celebridades e, em alguns casos, você talvez possa pensar em passar uns dias fora de casa antes que a quarta-feira de cinzas traga a correria de volta.

Para ajudar quem deseja não estar mais tão alerta ao telefone, a piauí reuniu dicas elaboradas em diversos livros publicados nos últimos anos sobre como enfrentar os vícios comportamentais associados à tecnologia. Boa parte delas é dada por engenheiros e designers que já trabalharam nas próprias plataformas que nos viciam.

 É difícil fugir do smartphone porque ele de fato é útil. Já passou o tempo em que era mais fácil concordar com Umberto Eco, que via o celular como útil apenas para bombeiros, médicos, líderes mundiais com acesso à bomba atômica e adúlteros. Hoje, da divisão do trabalho ao joguinho para passar o tempo, tudo está na tela. E, com o crescimento do comércio eletrônico, ele também permite gastar dinheiro até nos horários em que ninguém sairia à rua atrás de uma nova geladeira. 

O jornalista e escritor escocês Johann Hari identificou a redução da capacidade coletiva de concentração como um dos grandes problemas da atualidade. Segundo os especialistas que ele entrevistou no livro Foco Roubado: os Ladrões de Atenção da Vida Moderna, o uso do smartphone e das redes sociais fragmentou e acelerou a circulação de informações que se processa a cada dia. E grande parte disso é de baixa relevância ou de interesse perecível. Isso facilita um ambiente de confusão.

Se as cinco horas diárias no celular fossem ininterruptas, ele distrairia menos do que nas dezenas de pequenos momentos que desviam a atenção de qualquer um. Essas interrupções são estimuladas pelos alertas disparados por qualquer aplicativo, seja de trabalho, conversa, comércio ou jogo. Voltar a prestar atenção no que se estava fazendo antes de ser interrompido é o que mais toma tempo todo dia, diz Cal Newport, autor de Trabalho Focado: Como ter Sucesso em um Mundo Distraído. Fora do escritório, ele sugere deixar o aparelho para carregar à noite longe dos olhos e das mãos, especialmente na hora de dormir.

Para recobrar ao menos parte dessas horas e dar melhor uso a elas, seria preciso antes de mais nada ter uma ideia do quanto se usa o aparelho e os aplicativos. 

Em alguns ambientes de trabalho, é impossível ter uma conversa de cinco minutos ininterruptos sem que ela seja quebrada algumas vezes por um alerta de celular. Às vezes essas notificações até são pertinentes, mas dificilmente urgentes a ponto de precisar interromper alguém.

Elas são componentes das técnicas de “nudge” (cutucada), conceito proposto em 2009 pelos economistas Cass Sunstein e Richard Thaler. No design de produtos e serviços, embute-se elementos que direcionam os usuários às ações desejadas. Os autores citavam objetivos nobres como estimular crianças a comer merendas saudáveis ao colocar frutas mais à vista do que chocolates nas cantinas. Mas isso rapidamente foi adaptado para maximizar a atenção dedicada pelos usuários a sites de conteúdo. 

Jake Knapp e John Zeratsky, autores de Faça Tempo: 4 Passos para Definir suas Prioridades e Não Adiar Mais Nada, conhecem bem esse ambiente. Já foram designers no Google, projetando aspectos do Gmail e do YouTube. Segundo eles, reagir imediatamente a qualquer demanda pela sua atenção é subordinar as suas próprias prioridades às alheias. 

Só que o cérebro humano não foi feito para dar conta de tudo o que se tenta processar hoje em dia. O pesquisador dinamarquês Sune Lehmann demonstrou que a cada ano tem se aumentado a sobrecarga cognitiva das pessoas. “Parece que a atenção alocada em nossas mentes tem um certo tamanho, mas os itens culturais que disputam essa atenção se tornaram mais densamente agrupados”, escreveu. Segundo ele, estaríamos chegando rapidamente ao limite da capacidade de cada um dar conta de processar tantas informações. As principais hashtags do Twitter, segundo o estudo, perderam mais de cinco horas de permanência nos trending topics, em média, entre 2013 e 2016.

Para David Strayer, professor de psicologia da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, ouvido por Hari, o telefone distrai motoristas tanto quanto a bebida alcoólica, e ser interrompido por notificações no trabalho atrapalha a concentração o dobro do que ocorreria se a pessoa tivesse acabado de fumar maconha. 

Uma pequena maneira de reduzir as demandas pela sua atenção, portanto, é ser mais seletivo com as notificações que você aceita em seu aparelho.

 O ator, escritor e apresentador Gregorio Duvivier anunciou em sua conta do Instagram, em novembro de 2023, que abandonaria o X. 

“Percebi (mais tarde do que deveria) que aquela rede não estava trazendo nada de bom pra ninguém (a não ser, talvez, pros acionistas)”, escreveu. “Não interessa ao algoritmo nada que te tire da rede, ou seja: livro, filme, peça. Aquilo é um ringue para se bater e apanhar, e nessa porradaria gerar lucro para poucos e perder seu precioso tempo. Sua energia vital. Sua atenção.”

Se antes era possível pensar em termos de “a notícia me encontra se for importante”, hoje não dá mais. Ela só o encontrará nas redes sociais se for escandalosa, polarizante, porque o algoritmo valoriza o que mais engaja. Novos assuntos e personagens ganham altíssima importância muito mais rápido – e perdem no mesmo ritmo. Já tentou lembrar todo mundo com quem você manifestou indignação na semana passada?

Uma dieta de informação balanceada depende de mais atenção à procedência do que se lê ou assiste. Nas redes sociais, tudo tem a mesma aparência – seja uma reportagem apurada por meses ou uma notinha que repercute uma treta; seja uma publicação profissional, ou um site que vive de plagiar conteúdo alheio. No último trimestre de 2023, para piorar, Elon Musk alterou o X para mostrar apenas a imagem de links postados, piorando a identificação das fontes.

Por enquanto, a maioria da mesmice ainda é produzida ou chupinhada por seres humanos, que têm restrições de capacidade de escoar textos e imagens. Mas não falta praticamente nada para que aplicações de IA (inteligência artificial) gerativa passem a despejar uma quantidade ainda mais insana de textos, imagens e vídeos de baixa qualidade nos feeds de redes sociais, visando apenas o clique fácil e engajado. Em dezembro, a Amazon já precisou limitar a quantidade de livros digitais que uma mesma pessoa poderia subir para o Kindle por dia, pois já existem malandros criando obras inteiras de baixa qualidade via ChatGPT para vender baratinho em edição digital. Por isso, vale a pena pensar em filtrar melhor de onde vem a informação que se consome.

“O jogo não é propriamente um vício: é o hábito que a gente adquire de perder”, escreveu o cronista Leon Eliachar (1922-1987). Segundo o estudo “State of Mobile”, alguns dos aplicativos de celular que mais cresceram no Brasil nos últimos dois anos são os de apostas, que mesmo antes de terem sua regulamentação aprovada no Congresso figuravam entre os maiores anunciantes da mídia brasileira. 

Esses apps não tinham nem de longe a receita daqueles coloridos e cheios de sons viciantes especialmente para crianças e adolescentes. Você pode até argumentar que é algo para relaxar, para desligar a cabeça depois de um dia cansativo. Mas a psicóloga norte-americana Gloria Mark, autora do livro Attention Span: a Groundbreaking Way to Restore Balance, Happiness and Productivity (Limiar de Atenção: um jeito revolucionário de resgatar equilíbrio, felicidade e produtividade, em tradução livre), discorda: atividades com tela consomem uma fatia considerável da capacidade de atenção que você recarrega todo dia ao dormir. 

Tristan Harris, que já trabalhou como eticista no Google, afirma que as redes sociais utilizam técnicas semelhantes às dos caça-níqueis para capturar a atenção dos usuários. Uma delas é arquitetar o mecanismo para facilitar que o jogo não acabe nunca. Nas redes, o mecanismo que faz isso é a rolagem de tela infinita, criada há cerca de dezoito anos por Aza Raskin, sócio de Harris no Centre for Humane Technology (Centro para Tecnologia Humana), entidade sem fins lucrativos que procura educar os usuários de tecnologia sobre seus efeitos adversos. 

O problema é que a lógica “gamificada” já se espalhou por todas as áreas da internet – e, assim como nos cassinos tradicionais, quem ganha sempre é a casa. Já reparou como até pra comprar remédio em farmácia você ganha pontos e recebe a proposta de “cumprir missões”, sempre em aplicativos coloridos? 

Redes sociais têm todos os ingredientes de uma experiência viciante, segundo o psicólogo australiano Adam Alter, autor de Irresistível: Por que você é viciado em tecnologia e como lidar com ela. Elas oferecem metas que os seus usuários podem seguir (chegar a um número alto de curtidas, por exemplo), dão feedback a quem se mantém ligado, por meio de recompensas variáveis (postagens mais ou menos engajantes, você nunca sabe o que vem a seguir) e alimentam a ilusão de progresso, quando se obtém números crescentes de seguidores. Existem “cliffhangers” como em séries, os famosos “ganchos”, porque dependendo do assunto há um suspense sobre como ele vai se desenvolver. E, obviamente, elas promovem uma certa interação social de baixa intensidade mas alta frequência. 

Entre os aplicativos que mais enviam notificações que interrompem o usuário estão os de mensagens instantâneas e de redes sociais. Por isso, vale pensar em desativar no próprio telefone todos os avisos que eles possam querer enviar. 

Nas redes sociais, você pode selecionar quais alertas você aceita receber. Nos filtros avançados do X, antigo Twitter, dá para silenciar notificações de pessoas que você provavelmente não conhece. Assim, se algum perfil apócrifo surgir para te xingar, isso não aparecerá como algo que você precisa observar naquele instante.

No Facebook, você pode desativar notificações de alguns tipos de mensagens, como das publicações em que você já comentou, ou de menções em lote, ou de grupos dos quais participa. Avalie caso a caso o que faz mais sentido – ou experimente cancelar tudo de uma só vez, reativando só o que fizer falta.

Dá para acionar o mesmo recurso no Instagram e no LinkedIn

No Whatsapp, você pode desativar as notificações para novas mensagens, especialmente os sons. Se a sua conta for convertida para Whatsapp Business, em que você pode na prática atuar como uma empresa, você pode definir “horários de funcionamento”, fora dos quais quem tentar lhe enviar uma mensagem recebe a informação de que deveria voltar a te procurar no dia seguinte. 

 O smartphone concentrou em si tarefas que demandavam inúmeros aparelhos, como ouvir música e guardar os contatos das pessoas. Com as redes sociais, tornou-se a segunda tela na sala de estar e no trabalho; hoje, pode-se considerar até que é a primeira.

Duas décadas atrás, quem quisesse falar ao telefone e também ouvir música precisava carregar dois aparelhos – o celular e um walkman, ou discman, ou talvez um iPod ou outro tocador de MP3. Para consultar mapas, taxistas carregavam sob o banco um volumoso guia da cidade e precisavam estacionar sempre que tivessem de consultá-lo. Para quem precisasse acessar sua agenda ou atualizar planilhas pela estrada, também havia assistentes digitais, os “PDAs”. Fotografar e fazer vídeos dependia de carregar câmeras específicas; algumas cabiam no bolso. Há 23 anos, a Levi’s chegou a lançar uma calça cheia de bolsos discretos para carregar todos os aparelhos.

Quem tem mais de 40 anos, como Johann Hari, cresceu nesse mundo. Quando foi pesquisar para seu livro, ele se desconectou completamente e foi passar um tempo numa cidade pequena. Sentiu um pouco de ansiedade no começo, mas fez as pazes com os minutos de tédio. Descobriu que era justamente nesses momentos que surgiam ótimas ideias. Quando se vive praticamente todas as horas que se passa acordado apenas para trabalhar e consumir conteúdo, ouve-se pouco as próprias ideias, percebeu. Só que, ao retomar a rotina, os hábitos digitais começaram a voltar também.

Hari ouviu diversos especialistas e concluiu que mudanças de atitude individuais ajudam, mas são insuficientes. Não resolvem o problema maior: o foco da humanidade foi roubado por um modelo de negócio. Esse modelo é o padrão atual, projetado pelos mais capazes engenheiros do planeta para se tornar irresistível – e com a adoção massiva da inteligência artificial pode se tornar ainda mais irresistível. Isso é ruim, diz ele, porque apenas estando plenamente conscientes dos problemas que nos cercam é que chegamos a soluções para eles. Distraídos, não sobra tempo sequer para enxergá-los.

A piauí tentou contato com Hari, mas recebeu resposta automática informando que ele está até março de 2024 na região rural da Jamaica, longe do celular e do laptop, checando seus e-mails apenas uma vez por semana. Sua assistente até sabe como achá-lo no telefone fixo em caso de emergência, só que logo depois de informar o e-mail dela, ele avisa: “mas vou te xingar por interromper minha paz! 🥰” 

 


segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

COCA COLA É ISSO AÍ.

 







                                                                  Propaganda enganosa!



CHINA PROIBIU COCA-COLA PARA CONSUMO HUMANO E CLASSIFICOU-A COMO MATERIAL DE LIMPEZA

Na China, a Coca-Cola será vendida como limpador de águas residuais e o refrigerante Coca-Cola produzido pela American Coca-Cola Company será transferido, de acordo com a decisão do Comitê Central Chinês para Qualidade Alimentar, para a categoria de Líquidos Sanitários recomendados para limpeza de tubulações...

A razão para esta decisão rigorosa são as pesquisas científicas sobre o conteúdo da bebida e seus efeitos na saúde humana. Mais de 500 prisioneiros foram escolhidos nas prisões chinesas para realizar experimentos e pesquisas. Eles beberam Coca-Cola três vezes ao dia durante seis meses. A experiência terminou com a morte de 75 pessoas e a infecção de 150 pessoas. Outros eram deficientes e o restante sofria de exacerbações de doenças crônicas e estava exposto a danos à saúde de diversos graus de gravidade...

Com base nestes dados, a Autoridade chegou a conclusões sobre o perigo dos refrigerantes para a vida e a saúde humana, o que levou à decisão de retirar imediatamente a Coca-Cola de todas as mercearias do país chinês 🇨🇳 ...

Ao mesmo tempo, são observadas propriedades positivas do líquido. Em particular, na canalização como limpador eficaz de esgotos e canalizações sanitárias em casas de banho, cozinhas...

Na Turquia, e pela primeira vez no mundo, foi iniciado um julgamento contra a empresa americana Coca-Cola para a composição da bebida, que poderia causar leucemia pulmonar, hepática, tireoidiana...

Na Índia, a Suprema Corte proibiu a distribuição de bebidas Coca-Cola devido aos seus riscos à saúde...

A Letónia proibiu a distribuição de Coca-Cola e Pepsi nas escolas primárias, e na Inglaterra e na Ucrânia foi imposta a proibição do seu consumo nas escolas...

Fatos sobre a Coca-Cola:

É considerado bom para remover ferrugem, ou as chamadas incrustações, do bule e da placa de banho, devido ao teor de ácido ortofosfórico que contém...

Em alguns países asiáticos, os agricultores usam a Coca-Cola para matar pragas de insectos e outros porque é mais barata que os produtos químicos e dá o mesmo efeito...

A cada segundo, 8.000 mil copos de Coca-Cola são consumidos no mundo...

Tudo o que foi dito acima não se aplica apenas à Coca-Cola, mas todos os outros refrigerantes são perigosos, como a Pepsi e outras bebidas de todos os tipos...

Devemos lembrar que as empresas transformadoras só se preocupam com os lucros e não se preocupam exclusivamente com a saúde humana para fins comerciais. Quanto a cuidar da sua saúde, está apenas nas suas mãos, por isso deve abster-se de beber e aconselhar quem está à sua volta a não beber... Na verdade, é delicioso beber porque contém ácidos, açúcares e produtos químicos. mas ao mesmo tempo é perigoso e mortal e traz câncer, osteoporose e perda precoce de memória....   Ótimo removedor de manchas de detergente. Tóxico: É exatamente assim que eu uso a Coca-Cola!