quarta-feira, 5 de agosto de 2015

O PASSAGEIRO DO HERCULES 56



O Passageiro do Hercules 56 

Os presos. Em pé, da esquerda para a direita: Luís Travassos, José Dirceu de Oliveira (mostrando as algemas), José Ibrahin, Onofre Pinto, Ricardo Vilas Boas, Maria Augusta Carneiro Ribeiro, Ricardo Zarattini e Rolando Frati. Agachados, estavam João Leonardo Rocha, Agonalto Pacheco, Vladimir Palmeira, Ivens Marchetti e Flávio Tavares.  Ainda deixaram de aparecer na foto Gregório Bezerra e Mario Zanconato.

*Marcos Inácio Fernandes

“Eu quisera ser claro de tal forma

Que ao dizer : - ROSA –

Todos soubessem o que havia de pensar.

Mas: quisera ser claro de tal forma

Que ao dizer: -JÁ –

Todos soubessem o que haviam de fazer”.

 (Poética de Geir Campos)

 

Prenderam novamente José Dirceu, nessa 2ª feira, 03 de agosto de 2015. Dirceu, fatalmente, vai ser incluído no livro dos recordes, o Guinness Book. Preso na ditadura, incurso na Lei de Segurança Nacional. Preso na democracia, que ele ajudou a construir, sentenciado, SEM PROVAS, pelos Juízes da nossa Suprema Corte. Ressalte-se, que não teve direito a dupla jurisdição, como teve, por exemplo, Eduardo Azeredo, que renunciou ao mandato de Deputado Federal para ter direito a essa prerrogativa. Nesse caso, o STF, corretamente, acatou o seu pedido. Sempre é bom lembrar, que o Mensalão do PSDB, ou Mensalão Mineiro, como chama a imprensa, ocorreu em 1998, bem antes que o “Mensalão” do PT, que eclodiu com a denúncia de Roberto Jeferson em 2005. Entretanto, o mensalão do PSDB, com as mesmas características e, muitos personagens em comum, está mofando nos escaninhos da Justiça de 1ª Instância de Minas Gerais.

Esse preâmbulo é apenas para ilustrar e atualizar a frase do Tim Maia, que diz que no Brasil “prostituta se apaixona, cafetão tem ciúmes, traficante se vicia e pobre é de direita”. Nós acrescentamos: e a justiça é parcial e partidarizada. A sua balança não resiste a uma simples inspeção do INMETRO!

Na AP 470, apelidada de Processo do Mensalão do PT, que virou um circo midiático isso ficou, sobejamente, comprovado e pode ser resumido no voto da Ministra Rosa Weber, que na ocasião era assessorada pelo Dr. Moro, que hoje conduz a Lava Jato, já apelidada de “Vaza Jato”. Disse a Ministra:” “Não tenho prova cabal contra Dirceu – mas vou condená-lo porque a literatura jurídica me permite .Essa e outras aberrações jurídicas estão narradas no livro do jornalista Paulo Moreira Leite; “A Outra História do Mensalão – As contradições de um julgamento político – São Paulo: Geração Editorial, 2013.

O combatente Dirceu.

José Dirceu começou a sua militância política no movimento estudantil nos anos 60, onde, desde cedo, aflorou sua liderança. Organizou o XXX Congresso clandestino da União Nacional dos Estudantes – UNE, em Ibiuna, São Paulo, em 1968, quando foi preso com dezenas de estudantes. Em setembro de 1969, numa ação ousada do MR-8 e ALN, que seqüestrou o Embaixador americano, Charles Burke Elbrick, no Rio de Janeiro, ele, e mais 14 presos políticos, foram trocados pelo Embaixador e deportados para o México. Do México, Dirceu foi prá Cuba e retornou, clandestino, ao Brasil em 1971. Em 1979, coma anistia, retoma suas atividades políticas e ajuda a organizar o Partido dos Trabalhadores – PT. Foi eleito Deputado Estadual por São Paulo em 1986; deputado Federal em 1990 e 2002; candidatou-se ao governo de São Paulo em 1992, ficando em 3º lugar; foi eleito presidente do PT, em 1995 e reeleito em 1997  e 2001. Foi o grande estrategista da vitória de Lula em 2002 e assume o Ministério da Casa Civil em 2003, no governo Lula.

Em 2005, Roberto Jeferson, denuncia um suposto mensalão para comprar apoio parlamentar ao governo. A mídia se pega com unhas e dentes a esse “escândalo”, abre-se CPI, Zé Dirceu cai do Ministério, e volta à Câmara para se defender. No parlamento, instala-se processo de quebra de Decoro Parlamentar, contra o Deputado e, em 01 de dezembro de 2005, a Câmara cassa-lhe o mandato e seus direitos políticos por 15 anos.

Anos depois, numa reunião que teve com José Dirceu, aqui em Rio Branco, da qual participei, ele diria que foi aconselhado por muitos a renunciar ao cargo, como fez Azeredo, e os Senadores, Antônio Carlos Magalhães e Roberto Arruda para escapar da cassação. Na ocasião ele falou que não ia jogar fora mais de 40 anos de vida pública e que estava consciente de não ter praticado nenhuma irregularidade no exercício do cargo de Ministro. Ele se submeteu ao pelotão de fuzilamento da Câmara, fez a sua defesa, mas foi cassado por um placar de 293 Deputados a favor e 192 contra. Ele, na ocasião, disse estar convicto, que num julgamento técnico/jurídico e com Juizes garantistas seria absolvido. Estava enganado.

Na verdade, José Dirceu, já havia sido pré-julgado, sentenciado e condenado pelos jornais e a bancada dos tele-jornais da Globo. A mídia já tinha feito seu julgamento. Restava ao supremo “embasar” o crime. Foi então que plagiaram e adaptaram a “Teoria do Domínio do Fato” do jurista alemão Claus Roxin .  José Dirceu foi condenado a 10 anos e 10 meses e a pagar multa de 676 mil reais. Condenado sem domínio nem fato, como diz Paulo Moreira Leite no capítulo 27 do seu livro já citado.

 Nunca é demais registrar, que desde 2005, quando Roberto Jeferson, denunciou o mensalão,  por mais de 5 anos,  se investiga José Dirceu, com seus sigilos bancários, telefônicos e fiscais devassados por CPI, Polícia Federal e Ministério Público Federal e imprensa. Em todo esse tempo o MPF não conseguiu levantar uma mísera prova contra José Dirceu. Então, tiveram que recorrer a uma jurisprudência, um tanto quanto heterodoxa, no Direito – o domínio do fato e a literatura jurídica – e nem lavaram as mãos escuras com benzina como fez Pôncio Pilatos, entregando Jesus a turba.* *

É uma coisa que eu acho muito interessante é que os corruptos do PT, levam uma vida modesta, nos padrões de classe média, de média prá alta. Nenhum ostenta riqueza; nenhum é dono ou sócio majoritário em Bancos ou Casas de Câmbio; nenhum tem contas secretas  na Suiça e em paraísos fiscais; não são donos de iates, helicópteros e aviões; não são donos de fazendas e nem de apartamento em Paris, etc,etc. Os corruptos do PT, só são ricos nas páginas da Veja e nas páginas dos coxinhas  e da direitona no Face, que não se cansam de compartilhar mentiras sobre Lula, Dilma, Dirceu e os demais membros do PT. Eu fico me perguntando? Ou esse pessoal é muito sabido ou muito burro, ou mágico! Onde escondem tanto dinheiro desviado nas negociatas com tanta vigilância da imprensa? Estão entesourando em baixo dos colchões? Estão aplicando na poupança? Descubram, pelas horas que são!! Investiguem, provem, julguem e prendam e confisquem seus bens para minimizar os prejuízos aos cofres público. TODOS. Não só os do PT!

 

Fico muito preocupado, que uma investigação que desnudou o nosso patronato, que desvendou as entranhas do nosso patrimonialismo (a mistura do público e privado), que deixou a nu o caráter e a moral das nossas “classes produtivas”, que além de corruptores, sonegadores de impostos, formadores de cartéis, ladrões dos recursos públicos com suas obras superfaturadas e agora são também delatores, possa ser anulada por estar atropelando o Estado Democrático de Direito.

Estamos nos transformando na “República da Delação”.

Prende-se para se obter uma delação. Premia-se a delação. Vaza-se dados protegidos por sigilo. Faz-se escutas telefônicas clandestinas, sem ordem judicial. Prende-se por engano (a cunhada do Vacari). E agora, com Dirceu, prende-se quem já está preso.

Moro está absoluto, como Pelé na pequena área, nos tempos gloriosos do Santos. Manda prender e mandar soltar em todo canto do Brasil, mesmo sendo um Juiz de 1ª instância. Ele quer punir também as empresas e parar o Brasil. Tá podendo!!

Qual será os poderes que estão por traz desse Juiz? Que forças ocultas são essas?

Enquanto isso o governo sangra. A economia patina. O PT se acoelha, ou melhor, ODARELA.

A direita se assanha e já recorrem a bombas. A luta de classes se acirra. E ela será de baioneta escalada, em campo aberto, nas ruas. Ou será que essa direitona fascista e essa opsição desvairada pensa que vamos entregar o governo, que elegemos com tanto custo, assim sem resistência, de mão beijada?! Estão redondamente enganados. Apesar do governo e apesar do PT, os patriotas e democratas vão defender o respeito a vontade do povo expressa nas urnas (54 milhões de votos) e o Estado Democrático de Direito. Ninguém tenha dúvida disso.

Em 64, Brizola quis resistir ao golpe, mas Jango contemporizou. Haveria derramamento de sangue e ele fez a opção do exílio e foi o único Presidente que morreu no exílio. Agora o quadro se mostra parecido com o de 54 e 64, mas os militares estão cientes da sua função institucional e nunca foram tão valorizados como nos governos Lula e Dilma. Ademais a 4ª frota americana não está  de prontidão nas nossas costas, embora a NSA viva nos espionando e a Embaixada Americana funcionando. E onde há Embaixada Americana há sempre riscos de golpes, segundo Rafael Correa, Presidente do Equador.

O PT que foi construído a partir de bases sociais sólidas. Levou 3 décadas para chegar aos governos, municipais, estaduais e federal. Sempre através do voto. Nunca se desviou do rumo democrático e se tornou uma referência de governo em diversos campos da vida pública.

 Lula perdeu 3 eleições para a Presidência e nunca questionou o veredito do povo. Quando o povo deixou de servir aos poderosos, como eleitor, e elegeu Lula, por duas vezes, ele soube honrar seus mandatos e cometeu o crime de junto com Zé Dirceu, de incluir o pobre no orçamento da União, com políticas de transferência de renda e compensatórias. Passou uma mão de cal na senzala e esse foi o seu grande crime. Os donos da Casa Grande não perdoaram as extravagâncias do pobre fazer 3 refeições ao dia, viajar de avião, freqüentar universidades, sair do cabresto dos coronéis, com o seu catãozinho do Bolsa Família, diminuir as desigualdades sociais, aumentar o poder de compra do salário-mínimo, saldar a dívida com o FMI e se tornar seu credor e tornar o Brasil mais soberano e respeitado perante o mundo. Só a nossa elite e parte da classe média com seus complexo de vira-latas, não reconhece o bom governo do Lula, que saiu do seu 2º mandato com 80% de aprovação.

Aqui faço um adendo para relatar um fato que muitos desconhecem ocorrido no Acre. Quando o PRC (Partido Revolucionário Comunista), que atuava dentro do PT fazendo uma dupla militância, no período da transição democrática, alguns de seus membros articularam um foco de uma guerrilha rural em Xapuri. Na oportunidade Zé Dirceu, que era secretário geral ou presidente do PT , não sei ao certo, veio pessoalmente ao Acre debelar a aventura e expulsou, sumariamente do PT, os envolvidos. Conto isso para afirmar, que o PT e suas lideranças, nunca tergiversaram com a democracia.

Cometeu erros, se desviou da ética, está atordoado, mas ainda merece minha presença e minha militância. Na juventude, quis entrar pra clandestinidade, mas fui preso antes. Foi minha sorte. Hoje,que já estou de meio dia prá tarde, e querem extinguir o PT, fico me perguntando? Será que a clandestinidade vai ser meu destino?

Quanto ao companheiro José Dirceu, continua a merecer minha solidariedade e continuo a cultivar uma coisa que é muito cara no Estado Democrático de Direito – A PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA – Considero-o inocente até que se prove o contrário. Se provado alguma coisa contra ele, que se puna na forma da lei e não da literatura jurídica. Tenho esperança que a história lhe fará justiça.

 

*Marcos Inácio Fernandes é professor aposentado e militante do PT

 

**Uma referência a dois fatos históricos, que foram uma tragédia para a justiça. O julgamento de Cristo e a ação do STF e seu Ministro, Hermenegildo de Barros, que foi Ministro do Supremo na ditadura Vargas, e chancelou, juridicamente, a entrega de Olga Benário Prestes aos Nazistas, noutra passagem vergonhosa do nosso Supremo Tribunal Federal. Naquela ocasião o poeta Aprígio dos Anjos fez o seguinte soneto:

“Neste foro de gênios insepultos,

Cheio de múmias e quadrupedantes,

Vejo pingüins passarem por gigantes

E analfabetos por jurisconsultos.

Acórdãos de sentidos claudicantes,

Na feitura de juízes semicultos

Criam formas bizarras e tumultos,

Que escapa à perícia de Cervantes.

A balança da lei não tem mais pratos,

Desde  que sucumbiu Poncios Pilatos,

Desgraçou-se a justiça de uma vez.

 

Ele ao menos conforme a bíblia ensina

Lavava as mãos escuras com benzina,

Coisa que Hermenegildo nunca fez!”

 

 

domingo, 26 de julho de 2015

30 ANOS SEM MÁRIO RIBEIRO





30 anos sem Mario Ribeiro (1956-1985)

 É amanhã o aniversário de sua passagem. Num final de uma manhã de sábado de 1985, seu irmão Manoel Ribeiro, (que também já subiu), me telefonava e me dava a triste notícia do falecimento de seu irmão, vítima de um aneurisma cerebral, no esplendor dos seus 29 anos. Naquela data me tornei um acreano, pois nessa terra, começava a enterrar meus mortos. Mário Ribeiro, amigo e irmão, foi o 1º deles. Um ano depois de sua prematura partida, escrevi esse artigo, em sua reverência, que agira se acrescentam mais 29 anos.

Um Ano Sem Mário Ribeiro

Marcos Inácio Fernandes
“Duas vezes se morre:
Primeiro na carne, depois no nome.
A carne desaparece, o nome persiste, mas
Esvaziando-se de seu casto conteúdo
- Tantos gestos, palavras, silêncios –
Até que um dia sentimos,
Com uma pancada de espanto (ou de remorso?)
Que o nome querido já nos soa como os outros”.
(Fragmento do poema: Os Nomes de Manuel Bandeira)

Faz um ano que Mário se foi, mas o seu nome, os seus gestos, o seu sorriso infantil são lembranças ardorosamente vivas e presentes.
A segunda morte, (a do nome), ainda não aconteceu:MÁRIO RIBEIRO, esse nome querido, vai soar para os seus familiares e amigos sempre diferente. Nunca será um simples nome do  cadastro do contribuinte, da lista  telefônica ou dos obituários dos jornais.
Mário Ribeiro, para nós, será sempre sinônimo de vida, de amizade, de trabalho, de companheirismo, de alegria, de honestidade, de afeição, de desprendimento, de coragem, de ternura, enfim, de todas aquelas qualidades que caracterizam um homem bom.
Mário era um homem bom.Talvez, por isso, ele tenha nos deixado tão prematuramente, porque um homem bom, como disse um outro poeta, não serve para muita coisa, só serve para ser bom.
Mário foi um dos primeiros amigos que fiz no Acre, pois ele era daqueles pessoas que mal a gente conhece já fica querendo bem, parecendo que a amizade que se inicia, já vem de longas datas, como se fosse uma amizade de infância.
Através do Mário fui introduzido na pelada do DPA, no campo da Embrapa, onde fiz outros grandes amigos. Por causa do Mário comecei a torcer pelo Atlético Acreano (uma herança dolorosa) mas, perfeitamente compreensível. É que as pessoas de coração largo têm uma tendência natural de torcer e lutar pelos mais fracos.
E Mário tinha um coração de animal pré-histórico. (Era grande demais e sem a poluição da era industrial). Trabalhamos, bebemos, jogamos e nos divertimos juntos e, em todas as atividades em que tive o privilégio de estar a seu lado, trago as mais gratas e alegres recordações.
Hoje, passado 1 ano que ficamos privados do seu convívio, de sua presença física, as lembranças se avivam com grande intensidade em nossas mentes e em nossos corações. Vou sempre me lembrar do “e aí meu” (palavras iniciais que ele usava quando me telefonava). Vou sempre rir daquela frase na partida de buraco (Eu e seu primo, ele e o Franklin) eu perguntei se ainda jogava e ele respondeu: “joga sim, mas na outra” e bateu o jogo pegando a gente de mão cheia de cartas e soltou aquela sua risada característica.
Lembro ainda do nosso encontro na Bahia no Congresso de Veterinária, das cervejadas na Raimundinha, das peladas na quadra da PM (com aquela camisa ridícula do Flamengo) e tantas outras passagens que faz a gente lembrar do Mário sempre com ternura, com alegria, com saudade.
Mário, está fazendo um ano que nós também morremos um pouco, pois “o homem morre tantas vezes, quanta vezes perde os seus” (1). Segundo Plauto, aqueles que os Deuses estima morre jovem. Você, com certeza, era um estimado dos Deuses, por isso, Eles, divinamente egoístas, o chamaram tão cedo.
Descanse em boa companhia Mário, amigo e irmão.

Marcão (enfim um acreano, pois nessa terra já enterrei os meus mortos).
Rio Branco, 28 de julho de 1986

(1)   Frase de Públio Siro (Século I a.C) Sentenças.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

BASQUETE DO BRASIL BOMBANDO

Já é prata nos jogos de Toronto do PAN 2015 e vai disputar o ouro.
O Brasil continua brilhando no PAN 2015 em Toronto. Vai disputar o ouro no Basquete contra o Canadá ou Estados Unidos, nesse sábado. Mantém a sua tradição nos jogos do PAN conforme informação da Federação abaixo:Na minha avaliação a vitória no Basquete contra os Estados Unidos no PAN de Indianapólis de 1987, foi a maior conquista do esporte brasileiro!

Foto de Marcos Inácio Fernandes.
BASQUETE É O ESPORTE COLETIVO BRASILEIRO COM MAIS MEDALHAS NOS JOGOS PAN-AMERICANOS

Rio de Janeiro, RJ Esporte coletivo do Brasil com mais medalhas na história dos Jogos Pan-Americanos, o basquete tentará voltar ao topo do pódio este ano na 17ª edição, a partir do dia 10 de julho, em Toronto, no Canadá. Até hoje, as Seleções Brasileiras Masculina e Feminina somam 24 láureas nos Jogos, sendo oito de ouro. Os homens subiram 13 vezes no pódio, com cinco ouros, duas pratas e seis bronzes. As mulheres somam 11 medalhas, sendo três ouros, quatro pratas e quatro de bronze.
“O basquete é um dos esportes mais vitoriosos do esporte brasileiro, com grande apelo de público, mídia e patrocinadores. O Comitê Olímpico do Brasil tem orgulho de compartilhar essa história, repleta de grandes ídolos e inesquecíveis conquistas”, afirmou o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman.
O Brasil conquistou medalha no basquete logo em sua primeira participação tanto no masculino quanto no feminino. Os homens faturaram o bronze na edição de estreia do Pan, em Buenos Aires, na Argentina, em 1951. O torneio das mulheres só estreou quatro anos depois, na Cidade do México, e a Seleção feminina ficou em terceiro lugar. A primeira medalha de ouro masculina veio em Cali, na Colômbia, em 1971. Já as mulheres ficaram com o título pela primeira vez em Winnipeg, no Canadá, em 1967.
“Ao longo das 16 edições dos Jogos Pan-Americanos, os jogadores de basquete do Brasil sempre honraram e representaram muito bem o país. São muitas conquistas importantes e marcantes nestes mais de 60 anos dos Jogos. No quadro de medalhas da modalidade, estamos atrás apenas dos Estados Unidos. Eles têm 26 medalhas e nós 24”, disse o presidente da Confederação Brasileira de Basketball (CBB), Carlos Nunes.
O Brasil já viveu grandes emoções no basquete nos Jogos Pan-Americanos. Em Indianápolis, nos Estados Unidos, em 1987, Oscar, Marcel e companhia venceram os americanos na final por 120 a 115. A equipe da casa contava em seu elenco com o pivô David Robinson, futuro integrante do Dream Team nos Jogos Olímpicos de Barcelona, na Espanha, em 1992, Dan Majerle e Danny Manning.
Em Havana, Cuba, em 1991, foi a vez das mulheres brilharem. Diante do então presidente cubano Fidel Castro, Magic Paula e Hortência não deram chances para as donas da casa e faturaram a medalha de ouro com uma vitória na final por 97 a 76. Na cerimônia de pódio, Fidel brincou com as duas jogadoras dizendo que não ia entregar as medalhas, pois as duas tinham trapaceado já que estariam com miras-laser e não erravam os alvos.
O ala-armador Marcelinho Machado é o único tricampeão do basquete brasileiro, tendo vencido em Winnipeg, em 1999, Santo Domingo, na República Dominicana, em 2003, e no Rio de Janeiro, em 2007. Os jogadores com recorde de participações (5) são Marcel de Souza, entre os homens, e Delcy Marques e Marlene Bento, entre as mulheres. Já Antonio Carlos Barbosa é o técnico recordista em participações, também com cinco.
Atual Diretor Técnico da CBB, Vanderlei Mazzuchini Junior, esteve presente no Pan de 1999. Ele integrou a equipe que deu início ao domínio do basquete brasileiro nos Jogos, somente interrompido na última edição, em Guadalajara, no México, em 2011.
“Foi uma ótima conquista, com certeza o título mais importante de uma geração que já estava com jogadores com 28, 29 anos. Teve uma repercussão legal e foi o primeiro do tricampeonato consecutivo”, lembrou Vanderlei.
Por duas vezes, o Pan foi realizado no Brasil. E em ambas a Seleção Brasileira subiu no pódio. Em São Paulo, em 1963, tanto homens quanto as mulheres ficaram com a prata após derrotas na final para os Estados Unidos. No Rio de Janeiro, em 2007, a equipe masculina conquistou o tricampeonato consecutivo, enquanto o time feminino foi novamente derrotado pelos Estados Unidos na decisão, que marcou a despedida da ala Janeth Arcain da Seleção Brasileira.

CICATRIZES

DA SÉRIE: MEUS CAMINHOS PELO MUNDO 1






 Ponte Rio - Niterói (13,2 km)
 Na Quinta da Boa Vista

 Com colegas de curso da ENCE

Meus Caminhos Pelo Mundo.1

Viajar para o Rio, ninguém esquece. E quando é a 1ª viagem, então! Minha 1ª viagem ao Rio de Janeiro foi em 04 de março de 1974. Cheguei no dia que o Médice estava inaugurando a ponte Rio – Niterói.  Viajei para o Rio num desses boings que a porta era no fundo do avião. Não lembro qual foi a companhia, mas lembro que viajei na companhia do jogador do Alecrim, o lateral Anchieta, que ia fazer  um teste no América do Rio. Eu fui fazer um curso de estatística de nível médio na Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE do IBGE.
Chegando no Rio, quem estava esperando o Anchieta era o Marinho Chagas do Botafogo, que ficou de papo com a gente. Nos preparativos para a Copa de 74, estava no amistoso no Maracanã, quando o Marinho entrou no lugar do Marco Antônio do Fluminense, e ganhou definitivamente a posição. Assisti alguns dos amistosos do Brasil para a Copa da Alemanha e naquela oportunidade vi jogar Luís Pereira, Ademir da Guia, Dirceu Lopes, Carpegiane, Paulo César Caju e outros craques, remanescentes da seleção de 70.
No Rio fiz amizades com os colegas de curso, Marilda Magalhães, Mariza, Amaro, Donaldson, Mariano, Pedro. Naquele curso aconteceu uma coisa inédita, difícil de acontecer em cidade grande. D. Marilda, que havia ficado viúva e morava sozinha, no Grajaú, nos convidou para morar com ela e formar um grupo de estudo. Ela não conhecia nenhum da gente e fez esse gesto magnânimo, que nós aceitamos, desde que, rateássemos as despesas. Pense numa pessoa bonita, tanto de fisionomia como de coração.
Ainda durante o nosso curso a Marilda se enamorou de um português, o Toni, com quem teve uma filha. Ela teve um filho do 1º marido e na época já era avó. Estive com ela quando passei pelo Rio indo para Curitiba no Projeto Rondon em 1975 e almoçamos juntos uma bacalhoada, num restaurante chic em São Conrado, que o Toni nos levou. Depois a vi na ECO-92, ela já não estava mais com o Toni e a filha, Mariana ou Mariane (não  sei bem) já estava uma mocinha. Depois disso perdi contato com ela e os demais colegas de curso. Restaram algumas fotografias de baixa qualidade, muito aquém da altura do curso e da importância daquele evento na minha vida. De qualquer forma fica o registro fotográfico e esse simples relato.
Nessa estada no Rio, conheci o Cristo Redentor, a Quinta da Boa Vista, o Maracanã, claro, as praias de Copacabana, Ipanema e Leblon; fui a um show de Chico e Bethânia no Canecão e visitei meu tio João, pela 1ª vez. Ele ainda morava num barraco de madeira na favela da Maré. Sim, e conheci a Confeitaria Colombo.
Início de setembro, desse ano, quero voltar ao Rio e conhecer a Ilha Fiscal e de Paquetá e revê familiares e amigos.

terça-feira, 21 de julho de 2015

35 ANOS SEM WILSON PINHEIRO





 Zequinha, Pedro Marques, Wilson Pinheiro (os outros dois, não lembro dos nomes). Em baixo: (o 1ºnão lembro o nome), João Maia e Anselmo
 Carteira Sindical de Wilson Pinheiro

Na minha tese de Mestrado sobre o PT, homenageei os nossos mártires, que pavimentaram a estrada do nosso partido. Hoje, nesse 21 de julho, quando Wilson Pinheiro foi assassinado na sede do Sindicato  de Brasiléia, relembro essa homenagem.

“Quando a indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou caroável)
Talvez eu tenha medo.
Talvez sorria, ou diga;
- Alô  iniludível!

O meu dia foi bom, pode a noite descer.
(A noite com os seus sortilégios)
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar”


(Manuel Bandeira – “Consoada”)




        Em homenagem àqueles para quem a “noite” desceu mais cedo.
Deles se pode dizer que ajudaram a preparar a mesa para o banquete da utopia.




·        Wilson de Souza Pinheiro (1931-1980) – assassinado.


·        João Eduardo (1943-1981) – assassinado.


·        Jesus André Matias (1953-1983) – assassinado.


·        Ivair Higino de Almeida (1962-1988) – assassinado.


·        Francisco Alves Mendes Filho – “Chico Mendes” (1944-1988) – assassinado.


·        Francisco Hélio Pimenta Teófilo (1940-1990).


·        Francisco Augusto Vieira Nunes – “Bacurau” (1939-1996).


·        José Marques de Souza – “Matias” (1937-1997).