segunda-feira, 9 de maio de 2016

O GRÊMIO, O GOLPE E JACKSON DO PANDEIRO


Equipe do Gêmio de Parnamirim. Em pé da esquerda para a direita: Marcos, Wite, Gilberto, Carlinhos, ZÉ Rodrigues,Nazareno e Expedito Lira (o dono do time). Agachados: Gabriel, Jair (irmão de Jaroca), Cajueiro (falecido), Eronildes e Luís Pereira.


O Grêmio, o golpe e Jackson do Pandeiro

Por: Marcos Inácio Fernandes*

“Em Brasília não há inocentes; todos são cúmplices” (Nelson Rodrigues)

“Matar o elefante é fácil. Difícil é remover o cadáver” (Mikhail Gorbachev)

Hoje não estou jogando mais nem milho pras galinhas. Entretanto, nas décadas de 60 e 70, fui um peladeiro inveterado e joguei no meio de campo nas equipes do Potiguar, do Parnamirim e do Grêmio de Parnamirim, além de integrar a seleção de futebol da Escola Agrícola de Jundiaí de 65 a 67.

Estou dizendo isso porque me lembrei de uma façanha futebolística, quando jogava no Grêmio, do Expedito Lira, e fomos jogar na cidade de Monte Alegre, vizinha a Parnamirim. O nosso time era só de garotos, mas, era enjoado. Naquele jogo metemos 4 gols, logo no 1º tempo, na equipe de Monte Alegre. O juiz era da casa e, como sempre acontecia, roubava pro time local. Pois no 2º tempo, a gente não conseguia passar do meio de campo, que o juiz marcava impedimento. Era uma arbitragem, ostensivamente, favorável ao nosso adversário. O tempo foi passando e o time de Monte Alegre conseguiu fazer 3 gols na gente e já escuro eu perguntei  ao juiz: não vai acabar o jogo não?  Ele disse: faltam 10 minutos. Nisso deram uma bola estirada para o Leão, que estudava comigo no Ginásio Augusto Severo e era de Monte Alegre, ele entrou e fez o gol do empate. Quando tiramos o centro, o juiz apitou o fim do jogo. Era assim naquele tempo.

Relembrei esse episódio pessoal e futebolístico pois ele guarda semelhanças com o golpe institucional que está em curso no Brasil.

Inspirando-me na analogia que o Juca Kfouri, fez em vídeo, para explicar o golpe a partir das imagens e regras do futebol, também traço as semelhanças, que me parecem as mais relevantes, para comparar o GOLPE com o FUTEBOL.
O time do governo Dilma está jogando no campo do adversário. É um campo ruim, com torcida organizada, barulhenta, que se comporta como os Hooligans da Inglaterra, muito violenta. O juiz é tendencioso, prá não dizer – LADRÃO. Ademais, os locutores e comentaristas do jogo e da arbitragem (Rede Globo e mídia familiar) fazem uma narrativa totalmente desfavorável ao time do governo, fazendo com que ele perca torcedores.

O time que joga contra o Dilma Futebol Clube, está bem entrosado. Eles coordenam bem a defesa e o ataque. Tem um zagueiro estilo “espalha braza”, que bate até no vento. Como se dizia antigamente: do pescoço prá baixo é canela”. Ele comete muitas faltas e faltas prá cartão vermelho, mas não leva nem o amarelo e nem é advertido. É o xerife da zaga: Sérgio Moro. Como disse o Abel, hoje treinador, e que foi jogador do Vasco; “zagueiro que se preza não ganha o Belfort Duarte”, um prêmio no futebol, que era outorgado a jogadores disciplinados, que não faziam muitas faltas, e nem eram expulsos. O Moro, apesar das faltas, vive recebendo prêmios e mais prêmios.
Isso acontece porque o árbitro escalado dessa partida é um juiz técnico, mas sem preparo físico por conta da idade. Ele não corre o campo todo, apita de longe, faz vista grossa, e raramente apita as infrações. Chama-se Teori Zavascki.

Por outro lado, o time do governo, foi escalado muito ruim e adotou uma tática de jogo temerária que irritou a sua torcida. Desde o início do jogo que está todo o tempo na defensiva. Escalou um meio-de- campo medíocre com Cardozo (Justiça) e Mercadante (Casa Civil) e quando veio mexer nesse meio-de-campo e contratou um jogador habilidoso, que chuta com as duas, bota a bola aonde quer, tem visão de jogo e faz gols,(Lula) a cartolagem adversária (STF), não deixaram ele jogar. Aí já estava aos 30 do 2º tempo e o time perdia por 4 a zero (Aceitação do pedido de impeachment, relatório da Comissão da Câmara, votação do Plenário da Câmara e Votação na Comissão do Senado).
Nesse tempo que resta será que dá prá buscar pelo menos o empate? Ir para a prorrogação de um PLEBISCITO e depois ELEIÇÃO PARA PRESIDENTE. Tenho sérias dúvidas.

Agora, quando já se acende os refletores do estádio, o principal atacante do time da oposição, depois de cometer tantas faltas e fazer um gol de mão, que o árbitro Teori deixou passar, finalmente recebe o cartão vermelho e é expulso do jogo. Ele jogava dopado e agora ameaça os companheiros da equipe que também usam e abusam do doping. Está um frenesi nos vestiários do golpe.
Aproveitando essa brecha, o time do governo quer anular o jogo e vai recorrer ao Supremo. Em que pese as irregularidades do seu principal atacante, que está listada na súmula do Teori, que mostrou todas as faltas do Cunha e só não o chamou de “mestre-de-açucar”, acho improvável que o time do governo tenha êxito. Pode até ganhar, mas tem um juiz (o Gilmar) que pode recorrer e pedir vistas e tumultuar mais uma vez o jogo, como fez com o Lula.
A minha leitura é que nas instituições (STF e Congresso) o GOLPE judicialesco/Partidário/Midiático está consumado. Vão expulsar a Dilma ferindo o regulamento (a Constituição) por ela ter batido um lateral pisando na linha (Pedaladas e decretos). Uma penalidade desproporcional a infração se infração houvesse.

Mas esse golpe não vai ser um passeio como foi o de 64. Haverá resistência e lutas. Aos democratas só resta se espelhar no que disse Étienne De La Boétie (1530 – 1563) no seu célebre Discurso da Servidão Voluntária: “Não nascemos apenas na posse de nossa liberdade, mas com a incumbência de defende-la”. Eu acrescento ; a LIBERDADE e a DEMOCRACIA.
Com o golpe só nos resta a desobediência civil, como La Boétie, já propugnava no século XVI.

E eu lembro do Rojão do Edgar Ferreira que o Jackson do Pandeiro canta: “Esse jogo não pode ser 1x1 se meu time perder eu mato um.... É encarnado, preto e branco é encarnado e preto...”

Nós do cordão encarnado não fugiremos da luta. Os combates vai ser até a carne cair dos ossos.

*Marcos Inácio Fernandes é professor aposentado e militante do PT.

 PS – Acabo de saber que o Presidente interino da Câmara,  Valdir Maranhão (PP-MA), suspendeu a votação do dia 17 de abril, que aceitou o pedido de impeachment da Presidente Dilma. O jogo vai recomeçar.

O JOGO EMBOLOU



Presidente da Câmara suspende o impeachment

Vice de Cunha mela o jogo!
publicado 09/05/2016
waldir maranhao
Maranhão, próxima vítima da PF da sedição
Saiu na Fel-lha:


Presidente interino da Câmara decide anular tramitação do impeachment

O presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), assinou decisão nesta segunda-feira (9) para anular a tramitação do impeachment da presidente Dilma Rousseff no Congresso.

Ainda não há detalhes completos da decisão, que será publicada na edição do Diário da Câmara desta terça (10).

A Folha apurou, porém, que o motivo seria a interpretação de que a votação ultrapassou os limites da denúncia oferecida contra Dilma por crime de responsabilidade –tratando da questão da Lava Jato e não só das supostas irregularidades orçamentárias. 

(...)

Abaixo, a íntegra da decisão de Waldir Maranhão:


Brasília, 09/05/2016 - Leia abaixo a íntegra da nota do presidente interino da Câmara dos Deputados por meio da qual ele anula a tramitação da votação do impeachment na Casa:

Nota à imprensa

1. O Presidente da Comissão Especial do Impeachment no Senado Federal, Senador Raimundo Lira, no dia 27 de abril do corrente ano, encaminhou à Câmara dos Deputados, ofício em que indagava sobre o andamento de recurso apresentado pela Advocacia-Geral da União contra a decisão que autorizou a instauração de processo de impeachment contra a Sra. Presidente da República, Dilma Rousseff.

2. Ao tomar conhecimento desse ofício, tomei ciência da existência de petição dirigida pela Sra. Presidente da República, por meio da Advocacia-Geral da União, em que pleiteava a anulação da Sessão realizada pela Câmara dos Deputados, nos dias 15, 16 e 17 de abril. Nessa sessão, como todos sabem, o Plenário desta Casa aprovou parecer encaminhado pela Comissão Especial que propunha fosse encaminhada ao Senado Federal para a eventual abertura de processo contra a Sra. Presidente da República, Dilma Rousseff, por crime de responsabilidade.

3. Como a petição não havia ainda sido decidida, eu a examinei e decidi acolher em parte as ponderações nela contidas. Desacolhi a arguição de nulidade feita em relação aos motivos apresentados pelos Srs. Deputados no momento da votação, por entender que não ocorreram quaisquer vícios naquelas declarações de votos. Todavia, acolhi as demais arguições, por entender que efetivamente ocorreram vícios que tornaram nula de pleno direito a sessão em questão. Não poderiam os partidos políticos ter fechado questão ou firmado orientação para que os parlamentares votassem de um movo ou de outro, uma vez que, no caso deveriam votar de acordo com as suas convicções pessoais e livremente. Não poderiam os senhores parlamentares antes da conclusão da votação terem anunciado publicamente os seus votos, na medida em que isso caracteriza prejulgamento e clara ofensa ao amplo direito de defesa que está consagrado na Constituição. Do mesmo modo, não poderia a defesa da Sra. Presidente da República ter deixado de falar por último no momento da votação, como acabou ocorrendo.

4. Também considero que o resultado da votação deveria ter sido formalizado por Resolução, por ser o que dispõe o Regimento Interno da Câmara dos Deputados e o que estava originalmente previsto no processamento do impeachment do Presidente Collor, tomado como paradigma pelo STF para o processamento do presente pedido de impeachment.

5. Por estas razões, anulei a sessão realizada nos dias 15, 16 e 17 e determinei que uma nova sessão seja realizada para deliberar sobre a matéria no prazo de 5 sessões contados da data em que o processo for devolvido pelo Senado à Câmara dos Deputados.

6. Para cumprimento da minha decisão, encaminhei ofício ao Presidente do Senado para que os autos do processo de impeachment sejam devolvidos à Câmara dos Deputados.

Atenciosamente,

Deputado Waldir Maranhão
Presidente em exercício da Câmara dos Deputados

quarta-feira, 4 de maio de 2016

NASCE UM CYBORG. PODEM CHAMÁ-LO DE MARQUITO OU MARCÃO.


Na última 2ª feira, 2 de maio, me submeti a uma angioplastia para colocar um stent numa veia do coração. Antes já havia feito um cateterismo, que detectou uma artéria um pouco obstruída, que podia me causar transtornos coronários futuros. Nesse dia me tornei um cyborg.* Estou com um artefato no meu organismo que não nasci com ele. Essa peça de metal introduzida na minha artéria vai proporcionar um melhor bombeamento do sangue para o coração dando a ele mais “esperança de um dia ser tudo o que quer” (Coração Vagabundo de Caetano Veloso), desde que, paralelamente, eu tome os remédios, pratique exercícios e  tenha uma alimentação mais saudável. Por isso que eu quero uma casa no campo, cultivar os amigos além das plantas, ver crescerem os netos, aprender a cozinhar, aprender a tocar um instrumento (nem que seja sino), viajar muito e conhecer lugares e quebrar a barreira dos ENTA, que começa nos quarenta e vai até os noventa anos. Quero emplacar os 100 anos, mas com tudo funcionando. O stent dessa semana foi só o começo, pois em breve teremos “peças vitais de reposição” no mercado para substituir as nossa danificadas. Olha o que diz o Max More, Phd em Filosofia Política pela Universidade de Oxford: “Nos próximos 50 anos a Inteligência Artificial, a Nanotecnologia, a Engenharia Genética e outras tecnologias permitirão aos  seres humanos transcender as limitações do corpo. O ciclo da vida ultrapassará um século. Nossos sentidos e cognição serão ampliados; ganharemos mais controle sobre nossas emoções e memória.”
Acredito nisso. A evolução sempre vem. Ela é inexorável. Quando eu penso que hoje um reles professor aposentado como eu, tem uma vida mais confortável e uma expectativa de vida bem maior do que um rei da idade média, (salvo alguma fatalidade), graças ao desenvolvimento tecnológico, minhas esperanças se renovam em quebrar a barreira centenária.
Quero registrar que graças a maior invenção da humanidade – a ANESTESIA – não senti nenhuma dor, nem no cateter e nem na angioplastia. Já pensou você colocar um tubo de metal numa artéria perto do seu coração, introduzindo esse metal pela via femural (na virilha) e você não sentir nada e apenas com a anestesia local e sedativo? Considero um dos milagres da ciência. E que os milagres continuem. Os medrosos, como eu, agradecem.
Por fim, quero agradecer aos atendentes, enfermeiros e médicos do hemoacre e do Santa Juliana (não gravei o nome de todos), que me trataram na mão “como galo velho”, minha gratidão e meus parabéns pelo profissionalismo que demonstraram. E, quem disser, que no Acre o serviço de saúde não melhorou, ou está enganado ou querendo lhe enganar.
* Um Cyborg é um organismo dotado de partes orgânicas e cibernéticas, geralmente com a finalidade de melhorar suas capacidades utilizando tecnologia artificial.


Marcos Inácio Fernandes ( um homem, natural, social e artificial)


 Muito em breve nas melhores farmácias

 Já com o stent a caminho da UTI



O stent que está na minha artéria



O Que é Uma Angioplastia Com Stent?

Os stents têm sido usados para tratar a Doença Arterial Coronariana (DAC) por mais de uma década. Agora é uma prática comum inserir-se um stent para manter uma artéria coronariana aberta e sustentar o fluxo sanguíneo após uma angioplastia.
A aplicação de stent é um procedimento minimamente invasivo durante o qual um stent e um balão são usados juntos para empurrar depósitos de placa dentro de uma artéria coronariana para se tratar a doença cardíaca.
Um stent coronário é um tubo minúsculo, expansível e em forma de malha, feito de um metal como o aço inoxidável ou uma liga de cobalto. Os stents podem ajudar a reduzir o bloqueio ou estreitamento recorrente após um procedimento de angioplastia. Uma vez que o stent seja implantado, ele ficará em sua artéria permanentemente.
O Procedimento Com Stent
Como em qualquer procedimento de angioplastia, um stent é montado em um balão minúsculo que é aberto dentro de uma artéria coronariana para empurrar a placa e restaurar o fluxo sanguíneo. Após a placa ter sido comprimida contra a parede arterial, o stent é completamente expandido para sua posição, agindo como um "andaime" em miniatura para a artéria. Então, o balão é desinflado e removido, e o stent é deixado para trás na artéria coronariana para ajudar o vaso sanguíneo a se abrir. Para alguns pacientes, poderá ser necessário colocar mais de um stent na artéria coronariana, dependendo do comprimento do bloqueio.
Os procedimentos com stent podem ter uma vantagem sobre a angioplastia sozinha, porque os stents fornecem um suporte estrutural permanente para impedir que a artéria coronariana se feche novamente (o que é também conhecido como reestenose), embora a reestenose ainda possa ocorrer.
Stens de Eluição de Fármaco
Além de fornecer suporte estrutural à artéria coronariana, alguns stents também têm um revestimento medicamentoso para ajudar a impedir que o vaso se feche novamente.
Os stents de metal puro e de eluição de fármaco podem efetivamente reabrir artérias coronarianas.
O uso de stents pode, em raras ocasiões, resultar naquilo que é conhecido como trombose do stent. A trombose do stent é um coágulo sanguíneo que ocorre após a implantação do stent. Em uma pequena porcentagem de pacientes que recebem stents, as células sanguíneas podem tornar-se pegajosas e acumularem-se, formando uma pequena massa – ou coágulo. Quando um coágulo sanguíneo se forma, ele pode bloquear o livre fluxo do sangue por uma artéria, e pode causar um ataque cardíaco ou mesmo a morte. A trombose do stent pode ocorrer em pacientes com stents de metal puro ou de eluição de fármaco.
O mais importante que você pode fazer é seguir as recomendações do seu cardiologista, tomando medicações anti-coágulos, também conhecidas como terapias antiplaquetárias duplas (aspirina com clopidogrel ou ticlopidina). É muito importante não parar de tomar esses medicamentos antes que o seu cardiologista lhe diga para fazer isso.


domingo, 1 de maio de 2016

ATO DE CONTRIÇÃO



Ato de Contrição

Por: Marcos Inácio Fernandes*

Por esses dias fiquei me lembrando do meu tempo do Catecismo em Parnamirim com Pe. Aquino. Também andei me recordando das minhas aulas no curso de Ciências Sociais da UFAC,  na disciplina de Ciências Políticas, onde discutia com meus alunos, as relações de poder e analisava o episódio de Canossa  protagonizado pelo Imperador Germânico Henrique IV e o Papa Gregório VII.

 Pois bem, nesses dias que atravessamos, onde a religião está tão presente na vida política onde existe, inclusive, uma bancada da Bíblia de diversos credos religiosos, considero que a Dilma só se salva se fizer um Ato de Contrição e rezar o Credo pelo avesso.  Aliás ela entrou nesse golpe, que chamam de impeachment, como Pôncio Pilatos entrou no Credo . Sem que nem mais. Mas o jogo nas instituições já está jogado. Os argumentos jurídicos e técnicos em favor do governo não sensibilizam os opositores e grande parte da opinião pública e publicada.
 As opiniões, contra e a favor, estão cristalizadas. Não adianta se recorrer aos argumentos racionais e alertar para as consequências nefastas de uma ruptura brutal em se destituir uma Presidenta eleita. Resta a Dilma ir a Canossa (o nosso Senado) e pedir perdão aos Senadores , como o fez Henrique IV ao Papa  Gregório VII, implorando perdão ao Papa por 3 dias do lado de fora do castelo de Canossa. Também só resta a ela fazer a indulgência plenária da Porciúncula no plenário do Senado, embora estejamos no mês de maio. Como se sabe, a Indulgência da Porciúncula somente era concedida a quem visitasse a Igreja de Santa Maria dos Anjos, entre a tarde do dia 1º de agosto e o por-do-sol do dia 2 de agosto. Atualmente, qualquer Igreja Católica de qualquer país, tem o benefício da Indulgência que São Francisco conseguiu de Jesus para toda a humanidade.

A Presidente Dilma faria a sua penitencia e implorava o perdão da Alta Câmara desse modo: Excelentíssimas senhoras Senadoras e Excelentíssimos senhores Senadores.

1-          Eu peço perdão por ter nascido mulher;
2-          Eu peço perdão por ser uma mulher descasada;
3-          Eu peço perdão por não ser uma mulher bonita, recatada e do lar;
4-          Eu peço perdão, mesmo sendo mulher, ter sido eleita, por duas vezes Presidente;
5-          Eu peço perdão pelos 54.499.901 votos dos meus compatriotas;
6-          Eu peço perdão por ter vencido;
7-          Eu peço perdão por ter lutado contra a ditadura e ter sido torturada por ela;
8-          Eu peço perdão por está sendo torturada na democracia;
9-          Eu peço perdão por ter colocado no orçamento uma migalha para os pobres;
10-       Eu peço perdão por não ter lido “O Príncipe” de Maquiavel;
11-       Eu peço perdão, da mesma forma, de não ter estudado “A Arte da Guerra”, de Sun Tzu; A Arte da Prudência, de Baltazar Gracián e o Breviário dos Políticos, do Cardeal Mozzarino;
12-       Eu peço perdão por ter adotado algumas propostas do programa derrotado nas urnas;
13-       Eu peço perdão, mil perdões, pelo Bolsa Família;
14-       Eu peço perdão pelos aumentos do Salário Mínimo;
15-       Eu peço perdão pela Lei da Empregada Doméstica;
16-       Eu peço perdão por pobres e negros poderem fazer uma Universidade;
17-       Eu peço perdão pelo constrangimento dos aeroportos lotados;
18-       Eu peço perdão pelo Brasil Sorridente, pelo Brasil Sem Miséria, pelo  Mais Médicos. Pela ampliação do PRONAF, do Plano Safra, Luz Para Todos, Minha Casa, Minha Vida e demais Políticas Públicas de inclusão e combate as desigualdades;
19-       Eu peço perdão, dois mil perdões, pelo Brasil não estar mais no Mapa da Fome da ONU;
20-       Eu peço perdão por ter concretizado o “Fora o FMI”;
21-       Eu peço perdão por não tirar mais os sapatos para entrar nos Estados Unidos;
22-       Eu peço perdão por pertencer ao grupo dos países emergentes e fazer parte do BRICS;
23-       Eu peço perdão pela auto estima do nosso povo, que aos poucos estão perdendo o complexo de vira-latas;
24-       Eu peço perdão pelo aumento das nossas Reservas Cambiais, que totalizam quase 400 milhões de dólares;
25-       Eu peço perdão pela ousadia de cobrar a sonegação de impostos da Rede Globo:
26-       Eu peço perdão por cevar, com a verba publicitária, a imprensa oposicionista e partidária;
27-       Eu peço perdão por ter adotado o Republicanismo nas nomeações e relações com os poderes;
28-       Eu peço perdão por não ter podido adivinhar o caráter das pessoas nas minhas nomeações para o governo;
29-       Eu peço perdão por ter Lula como amigo e companheiro e ter pedido a sua ajuda na composição do meu Ministério e me ajudar na governabilidade;
30-       Eu peço perdão por ter falado com Lula ao telefone;
31-       Eu peço perdão pela permanente em turnos sucessivos;
32-       Eu peço perdão por não ter contas na Suíça e em outros paraísos fiscais;
33-       Eu peço perdão por não estar na Operação Lava Jato;
34-       Eu peço perdão por chamar esse processo de IMPEACHMENT pelo seu verdadeiro nome – GOLPE;
35-       Eu peço perdão por não poder pedir perdão pelo Crime de Responsabilidade, que não cometi.  Desse crime, tenho Deus por testemunha, que não preciso pedir perdão.
Votem com suas consciências e seja feita as vossas vontades.


*Marcos Inácio Fernandes,  é professor aposentado e militante do PT.


PS – Podem acrescentar mais perdões.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

ACRE - O VOO DA ÁGUIA; DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E ECONOMIA VERDE NA AMAZÔNIA BRASILEIRA








Prof.Rêgo e Marcão com o trabalho do professor.


No dia 20 de abril fui prestigiar o lançamento do livro do professor Rêgo: "Acre - O Voo da Águia - Desenvolvimento Sustentável e economia verde na Amazônia brasileira, que teve a parceria do governador Tião Viana e do jornalista Gilberto Braga. Lançamento muito concorrido, com autoridades, parlamentares e os amigos do professor Rêgo. Esperei muito para o autógrafo do meu exemplar, cuja dedicatória foi a seguinte: "Ao amigo Marcão, que o nosso tempo sirva para motivação dos que desejam um Acre desenvolvido para todos. Você muito contribui para realização deste sonho"
Em 20-04-2016 ´assinatura.

Obrigado professor. Vou me deleitar com a leitura de seu livro

segunda-feira, 18 de abril de 2016

MISERICÓRDIA!!!





MISERICÓRDIA!!!

Por: Marcos Inácio Fernandes*

“Pelos caminhos do mundo,
Nenhum destino se perde:
Há os grandes sonhos dos homens,
E a surda força dos vermes.”

(Fragmento do Romance XXIV, ou de Joaquim Silvério, do Romanceiro da Inconfidência de Cecília Meireles)

Ontem acompanhando a votação do impeachment na Câmara dos Deputados, me lembrei muito desses versos da Cecília Meireles. Entretanto a palavra que sintetiza o que vimos ontem a noite é essa - M-I-S-E-R-I-C-Ó-R-D-i-A!!! – E veja quanta ironia. Ela foi proferida justamente pelo bandido/deputado que presidiu a sessão quando foi proferir o seu voto: “Que Deus tenha misericórdia do Brasil. Voto SIM”. Como diz o povo: “só mesmo Jesus na causa”. Faço como Chico Buarque e Vinicius de Moraes em Gente Humilde: “eu que não creio peço a Deus por minha gente”. Que ELE tenha misericórdia do nosso povo e interceda para que ele não seja governado por Cunha e Temer (nessa ordem mesmo).
A outra coisa que me chamou atenção foi constatar que Lula errou feio. Certa vez ele disse que havia 300 picaretas na Câmara. Agora sabemos o número exato. São 367 deputados entre picaretas, oportunistas, achacadores, propineiros, misóginos, racistas, intolerantes, homofóbicos, corruptos, torturadores e mais uma série de “qualidades” que o Código Penal tipifica.
Nunca havia visto uma densidade, tão grande, de cinismo e hipocrisia por metro quadrado, como o que presenciamos ontem no plenário Ulisses Guimarães, da Câmara. Apenas os dotados de bom estômago, nervos e coração em perfeito funcionamento foram capazes de assistir até o fim. Eu aguentei, mas, depois tive que tomar uma cachacinha (Samanaú de Caicó-RN) para suportar a derrota e poder dormir.
Agora o que mais me chocou e indignou nas declarações de voto, não foram os deboches do “tchau Dilma”, “tchau querida”, nem os votos destilando ódio das bancadas “BBB” (Boi, Bíblia e Bala), dos Bolsonaros, pai e filho, dos Franscischeli, dos Felicianos do nosso parlamento. Desses crápulas a gente pode esperar tudo, até mesmo uma boa ação. Não nos causa espanto nem surpresa. O que me entristeceu e indignou, foi o voto de José Silva do Solidariedade de Minas Gerais, meu colega e confrade da Academia Brasileira de Extensão Rural – ABER e da frente parlamentar da Extensão Rural. No seu voto ele votou SIM por Minas, pela Extensão Rural e pela agricultura familiar. Foi no mínimo uma injustiça e uma ingratidão com Lula e com Dilma, que tanto fizeram pela Extensão Rural e pela agricultura familiar, como ele bem conhece. Mas eu avivo a memória do Zé Silva. Lula e Dilma fizeram a PNATER a lei de ATER, a lei da ANATER, ampliou e colocou mais recursos no PRONAF e no Plano Safra, criaram o PAA e o PNAE, o Luz Para Todos, Habitação Rural, Brasil Sem Miséria e dezenas de outros programas. Você foi ingrato Zé.

Até que dá para entender o seu voto SIM, já que você está num partido de oposição ao governo, que fechou questão pelo impedimento de uma presidente honrada. Como eu sou da velha escola do partidão, entendo o “centralismo democrático”, quando se diverge internamente, mais uma vez o partido tomando uma posição, ou segue o partido ou sai do partido. Agora você tripudiou e usurpou indevidamente em falar em nome do nosso serviço e da agricultura familiar, que tenho certeza, majoritariamente, aprovam a permanência de Dilma e do nosso projeto político. Só lamento e deploro.

 No mais foi o que se viu. Votou-se SIM por Deus, pelos Estados, pelas cidades, pela família e os animais de estimação e até uma que me chamou atenção – a paz de Jerusalém. E cúmulo da ironia – contra a corrupção tendo um corrupto presidindo a sessão. Faltou apenas votar baseado na Constituição, que juraram defender. No mínimo cometeram perjúrio. É a surda força dos VERMES.

*Marcos Inácio Fernandes é professor aposentado e militante do PT