quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

PT - A EXPRESSÃO POLÍTICA DE AMOR AO ACRE





Partido dos Trabalhadores – PT:
A Expressão Política de Amor ao Acre.

Por: Marcos Inácio Fernandes*

Em 1999, escrevi a tese do meu Mestrado em Ciências Sociais na UFRN, sobre o PT do Acre com o título: “O PT NO ACRE: A CONSTRUÇÃO DE UMA TERCEIRA VIA”. Tratava-se de uma terceira força política, que começava a se contrapor a hegemonia política do PMDB e PDS no Estado. Descrevia a formação do Partido no marco temporal, que ia de sua origem, no início dos anos 80, ao término do mandato de Jorge Viana na Prefeitura Municipal de Rio Branco, em 1996.

Passados 20 anos, o PT se transformou na principal força política do Estado e, após sucessivos mandatos majoritários no Governo e na Prefeitura de Rio Branco, imprimiu na capital e no Estado seu “Jeito petista de governar”, não apenas administrando a estrutura pública, mas cuidando bem do Acre – do seu povo e do seu patrimônio  material e imaterial.

No presente momento, quando amargamos nossa maior derrota eleitoral e política, com uma pequena ajuda do partido e de alguns amigos, resolvi transformar a minha tese em livro, incorporando nos anexos, textos sobre o “folclore da Balsa” e uma memória fotográfica. O título do livro, que encabeça esse texto, foi tomado por empréstimo da frase atribuída aos autonomistas que diziam: “o Acre é o amor ao Brasil que se tornou expressão jurídica”. Eu digo que o “PT é a expressão política de amor ao Acre”

De fato, o Acre insistiu e lutou para ser brasileiro. “Um bem conquistado de armas na mão” como registra o nosso hino. Esperava-se que após a vitória, no campo militar e diplomático, o Acre se constituísse em Estado autônomo, entretanto, ele foi incorporado a nossa pátria como TERRITÓRIO, uma figura jurídica, até então, inexistente na República brasileira.

 A reação dos “revolucionários históricos” as intervenções e indicações do poder central causou muita instabilidade política e fez brotar o movimento dos autonomistas. Eles criaram “Legiões” e, até partidos políticos, plasmando um sentimento de “acreanidade” muito forte e de inconformismo com a tutela federal.  Apenas em 1962, o Acre se tornaria um Estado autônomo e, elegia diretamente, José Augusto de Araújo, para governá-lo.

Depois veio o golpe político/militar de 64 com sua noite sombria de 21 anos. Com a reforma política de 1979, surge o PT nacional em 1980, e a partir de 1981, começa a trajetória do PT acreano, que é o objeto do meu trabalho de tese de Mestrado, intitulado: “O PT do Acre: a construção de uma terceira via”. Nessa tese descrevo um pouco da história do partido, desde a sua origem, com as tramas e os dramas, que lhe acompanham desde sua origem, até a conquista da Prefeitura de Rio Branco, em 1992, a primeira Prefeitura do PT na região norte.

Intitulando os capítulos me inspirei no símbolo do pentagrama de 5 pontas, que é a nossa estrela vermelha e também a estrela da bandeira do Acre.  Tendo por mote esse símbolo, denominei assim os capítulos:  Cap. I – Fulge um astro na nossa bandeira; Cap. II – O despontar da estrela; Cap. III – A estrela bruxoleia; Cap. IV – A estrela sobe e fulgura e as Considerações Finais.

Espero e desejo que esse trabalho, o primeiro a contar a história da nossa constituição partidária, inspire muitos outros. Que eles possam descrever e analisar os nossos 20 anos consecutivos e ininterruptos no governo do Estado (1998-2018) e os 20 anos intercalados na Prefeitura de Rio Branco.

Que os novos trabalhos, que possam surgir sobre o PT do Acre, sejam capazes de analisar os nossos erros e acertos e explicar, a luz da ciência (inclusive as ocultas), o que nos levou recentemente a essa retumbante e dolorosa derrota eleitoral e política. 

Em Rio Branco, (1993-1996), tivemos o nosso batismo administrativo. Ele se constituiu no marco inicial do “jeito petista de governar” e cuidar do Acre. Lembrando sempre: quem ama, cuida!!

*Marcos Inácio Fernandes, é militante do PT e responde pela Presidência do Diretório Municipal de Rio Branco – AC

PS - Esse texto, um pouco mais sintético, consta das orelhas do livro. A Apresentação é do subcomandante Sibá Machado, o Prefácio é do meu amigo e colega da Academia, Dr. Homero de Oliveira Costa; e tem na contra-capa as considerações dos companheiros Jorge Viana e Marcos Afonso.

O livro já está disponível na Livraria do Paim (Centro) e será lançado em evento lítero/musical no dia 15/02 (sexta-feira) as 16:00 horas. Sintam-se todos convidados. Importante: o exemplar custa R$40,00 (quarenta reais).O evento faz parte das comemorações dos 39  anos de aniversário do PT.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

E ASSIM SE PASSARAM 44 ANOS




Hoje, com minha companheira Eró, completamos 44 anos de casados . Tem uma frase, que não lembro o autor, que diz: "Se viver não é fácil, conviver é o diabo!". Pois bem: VIVEMOS, CONVIVEMOS E SOBREVIVEMOS!!! Ô sorte!!  Não temos quase nada mas conseguimos construir uma família "normal" (como diz meu sobrinho Fernando de Juca e Lula -"nem ricos, nem pobres. Normais"). Já estou  no saldo! Agora tá sem jeito. Temos que nos aturar até a "viagem grande" e sem maiores preocupações, pois como disse o poeta: "Depois da morte ainda teremos filhos"... e netos, que perpetuaram a linhagem dos FERNANDES.

Que venha as "bodas de ouro", o centenário e o sesquicentenário!!!
E vamos cantar "Contentamento" de Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro: "Eu sei bem que mereço, mas não  esperava tanto..."

Marcos e Eró - 44 anos compartilhando o mesmo teto.

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

ANO NOVO





ANO NOVO
Por: Marcos Inácio Fernandes


“E quem for cego veja de repente/Todo azul da vida/Quem estiver doente/Saia na corrida/Quem tiver presente/Traga o mais vistoso/ Quem tiver juízo/ fique bem ditoso/ Quem tiver sorriso/Fique lá na frente/Pois vendo valente/E tão leal seu povo/O rei fica contente/Porque é Ano Novo” (Chico Buarque – Ano Novo)

É de praxe quando um ano se acaba e outro se inicia, fazermos um balanço do ano que finda e conjecturas do que esperamos para o que vai entrar. Pois bem, seguindo essa tradição e o espirito desse período, onde o velho está morrendo e o novo ainda não nasceu, também ouso compartilhar a minha análise pessoal, do que passou e do que estar por vir.

Do ponto de vista pessoal tive experiências extraordinárias pois estive presente nos mais importantes eventos políticos do ano. Já do ponto de vista político/eleitoral foi um desastre ferroviário principalmente no Acre.

Comecei o ano participando em Porto Alegre, das manifestações ocorridas naquela capital, quando do julgamento de Lula pelo TRF-4. Fui de ônibus até Porto Velho, de Porto Velho, de avião para o Rio, segui de avião para Florianópolis e de lá para Porto Alegre, de ônibus. O regresso foi no mesmo itinerário e nos mesmos meios de transporte.

No Rio, vi o ato dos artistas e intelectuais, para Lula no Teatro Casa Grande no Leblon. Naquela oportunidade conheci Graça Lago (irmã de Mário Lago), Gisa Nogueira (mãe do Didu Nogueira e irmã do João Nogueira) e Paulo César Feital. O mais marcante foi ver Bethe Carvalho, em cadeira de rodas, cantar com Noca da Portela o samba “Vou Festejar”. Festejei!!!

Depois de uma curta passagem por Floripa, na casa de amigos, (Edna e Artagnan), fui de ônibus para Porto Alegre e participei de todos os eventos programados para os dias que antecederam o julgamento do TRF-4. De todo Brasil vieram delegações e do Acre estiveram presentes, o governador Tião Viana, o Senador Jorge Viana, o Deputado Federal Léo de Brito e os  estaduais, Dniel Zen, Leila Galvão e Lourival Marques.

Na ‘esquina democrática” em Porto Alegre (confluência da Av. Borges de Medeiros e rua da Praia) eu presenciei a maior manifestação popular na minha trajetória de militante. Lula e outras lideranças nacionais (Boulos Requião, Stédile, Gleise, Manuela...) falaram prá mais de 70 mil pessoas. Quando dizem que perdemos de 3 a zero no TRF-4, eu digo que ganhamos de 70.000 x 3. Uma questão de perspectiva! Na ocasião, dei até uma pequena entrevista, que foi  publicada na revista Carta Capital.

Em junho, com mais 6 militantes do PT de Rio Branco, estivemos na vigília por Lula Livre, em Curitiba. Por 3 dias demos o BOM DIA, BOA TARDE e BOA NOITE, PRESIDENTE LULA!!! e participamos das rodas de conversa e outros eventos que diariamente ocorriam na vigília. Vimos e participamos de inúmeras manifestações de solidariedade. De Curitiba fomos de ônibus para São Paulo fazer um intercâmbio no MST e conhecer a extraordinária experiência pedagógica e o funcionamento da Escola Nacional Florestan Fernandes. Essa viagem, ademais, possibilitou rever amigos de infância (Tânia Mazzarotto) em Curitiba e de militância (Pedro Rocha) em São Paulo. Também conheci Morretes numa espetacular viagem de trém (Curitiba/Morretes) e degustar naquela cidade de seu famoso “barriado”.

Em agosto acompanhei as mulheres do Acre e de Rondônia numa viagem de ônibus até Brasília, para o registro da candidatura de Lula no TSE. Esse ato reuniu mais de 50 mil pessoas de todo Brasil que, juntos com as lideranças do PT e dos partidos de esquerda, protocolaram o registro de Lula, como candidato do PT, naquele Tribunal. Naquela oportunidade, revi muitos companheiros que estiveram na vigília de Curitiba e tive o privilégio de conhecer o Adolfo Pérez Esquivel, o prêmio Nobel da Paz de 1980. A energia que emanava nesse ato, era tão forte, que mesmo, como peso de meus 70 anos e sem preparo físico, consegui fazer a “Marcha do Mané Garrincha ao TSE”, de mais de 20 km, empunhando a bandeira do Brasil e do PT. Cheguei cansado, mas feliz!! Só lamento da Graça Manchineri, ter perdido minha bandeira do PT e a faixa do Acre ter ficado no carro de som. A viagem de regresso foi de extremo repouso.

O mais foi a campanha eleitoral, onde vislumbramos o desastre que se anunciava e que as urnas do Acre, confirmaram. Como otimista inveterado, tinha esperanças de ir ao 2º turno, eleger Jorge Viana, fazer, pelo menos, 1 federal e 3 deputados estaduais. Entretanto o povo acreano votou com o fígado e fomos soterrados pela bílis excretada. Agora não adianta se queixar do povo, que já nos deram tantos mandatos. A minha primeira avaliação é que nessas eleições, o povo foi muito rigoroso com o PT, mas nós fizemos por merecer.

Resta-nos nesse ano que se inicia recompormos nossas energias, refazermos nossos projetos pessoais de vida, (tem muitos companheiros ainda atordoados) e se “guardar prá quando o carnaval chegar”, como recomenda o Chico. Considero que só após o carnaval, teremos condições de saber quem de fato está disposto a reconstruir o partido e, com serenidade, fazermos a nossa avaliação, ajustar “as velas” e cuidar desses dois patrimônios do povo brasileiro – O PARTIDO DOS TRABALHADORES e LUÍS INÁCIO LULA DA SIVA!!

Tenho clareza, que dias sombrios nos aguardam em 2019, nosso partido continua sob ataque e nossa soberania ameaçada com as ameaças concretas ao nosso patrimônio. Infelizmente, uma parte majoritária do nosso povo deu um “cheque em branco” ao capitão, que ele vai preencher a seu bel prazer e não podemos dizer que “Santo Antônio me enganou”.

Resta-nos aguardar como vai se comportar os grupos que estão no poder: os militares, os “Chicagos Boys” da economia, o “xerife da justiça” e os “infantes terribles” da família Bolsonaro. Acompanhemos, por enquanto, a novela do motorista Queiroz, as contradições do núcleo duro do poder e quem vai ser hegemônico no Planalto. Como disse José Dirceu, deixemos o homem sentar na cadeira da presidência e ver como ela esquenta, podendo até queimar!!

Da nossa parte cabe-nos RESISTIR e LUTAR na certeza que essa fase vai passar e dias melhores hão de vir.  É a história que nos dá essa certeza e que a sabedoria popular confirma quando diz:   “Não há mal que sempre dure e nem bem que nunca se acabe”
Avante!!!


*Marcos Inácio Fernandes, é presidente do DM/PT de Rio Branco

Rio Branco (AC), 01 de janeiro de 2019


terça-feira, 25 de dezembro de 2018

30 ANOS SEM CHICO E AGORA SEM O PORÃO DO LHÉ




O “Porão do Lhé” – O retorno.

Por: Marcos Inácio Fernandes*

“A política é quase tão excitante quanto a guerra e tão perigosa quanto ela. A diferença é que na guerra, você só morre uma vez.”  Winston Churchill (1874-1965)

O ano era de 1988. O PT saía do “porão do Lhé” e se estabelecia numa sede mais estruturada na Cadeia Velha. Não se tratava simplesmente de uma mudança física de local, mas, fundamentalmente, de uma mudança de postura política do partido. Esse ano é muito emblemático na vida do PT. Ele marca “o ponto de inflexão do PT rumo à instItucionalidade e a uma inserção social mais ampla, que se expressaria nos resultados eleitorais daquele ano onde a estrela de Marina começava a brilhar com intensidade”. (FERNANDES,1991)

Naquele pleito, Marina se elegia a vereadora mais votada, com apoio formal do PV e informal do PCB. Registre-se que os “santinhos” da candidata trazia no verso a temida foice e o martelo, símbolo dos comunistas, e mesmo assim ela foi entre todos os candidatos eleitos, a mais votada.
O PT também elegia vereadores nos polos mais avançados do sindicalismo rural acreano, Raimundo Mendes (Raimundão), Júliio Nicácio e Elídio Maffi, se elegiam em Xapuri e Orides Rigamonte e Ademir Machado, em Brasiléia.

Naquele tempo o partido adotava um rígido critério para a escolha de seus candidatos, conforme registro na minha tese sobre o PT:  “A primeira medida à apreciação do  seu nome na convenção, cada pretenso candidato terá que levar o apoio de mais 15 filiados do partido (...) Além de apresentar 15 apoiadores, o candidato será submetido a apreciação da convenção mediante os seguintes critérios:
. Militância comprovada no movimento popular organizado;
. Integridade moral comprovada (não esteja envolvido em nenhum escândalo no Estado);
. E que tenha convicção das propostas e objetivos do partido. E a direção municipal advertia: o PT não estar disposto a lançar candidatos que não consigam sequer defender as propostas do partido em praça pública ou nas conversas de pé-de-ouvido com os eleitores”. (FERNANDES, 1991)

Em 1988, o partido começava a estabelecer um diálogo mais construtivo, tanto com suas tendências internas como com outras forças políticas, no sentido de uma composição mais ampla para os embates eleitorais. Uma política exitosa que premiou o partido com os 20 anos ininterruptos no governo do Estado e igual período, de forma intermitente, na Prefeitura Municipal de Rio Branco.
Ainda em 88, o partido vivenciou outras passagens trágicas, que lhe acompanham desde sua  formação no Acre. Em 18 de junho é assassinado, numa emboscada, o delegado sindical, Ivair Higino, que era candidato a vereador pelo PT de Xapuri. Em 22 de dezembro era consumado o assassinato, tantas vezes anunciado, da figura mais expressiva do partido, um de seus fundadores e seu 1° presidente regional – CHICO MENDES – a quem estamos reverenciando nessa semana pelos “30 ANOS DE LUTA”, que não cessou com a sua morte. Como disse o poeta: “lutar para nós é um destino”.

Chico Mendes, talvez se constitua na história do Brasil, um dos raros casos onde, mandante e executor de assassinatos de líderes rurais, são presos, julgados, condenados e cumpriram suas penas na prisão.

O nosso querido e reverenciado Chico, não viveu para comemorar as nossas sucessivas vitórias eleitorais e usufruir com o povo acreano das políticas que implementamos, em especial, em relação a floresta e o meio-ambiente. Ele certamente se alegraria com o slogan do 1° governo de Jorge Viana – GOVERNO DA FLORESTA – com a criação da Reserva Florestal, que leva o seu nome, com a fábrica de preservativos e de tacos, em Xapuri, do manejo florestal do seringal Cachoeira, palco de seus EMPATES e tantas outras conquistas.

Pois bem Chico, no ano em que se celebra os 30 anos de sua partida, talvez cumprindo o nosso destino trágico, as comemorações alusivas à sua memória, se realizam após fragorosa derrota eleitoral e política do nosso partido – uma tragédia equivalente ao seu assassinato. Você foi poupado dessa “balsa” e de presenciar outros fatos lastimáveis, que certamente lhe entristeceria. Marina nos deixou e fundou um novo partido; Lula, seu amigo, está preso e um representante do fascismo, se elegeu presidente do Brasil. Tempos sombrios nos aguardam.

Saiba Chico que o seu exemplo e seu martírio como de outros líderes do PT, nos ensinam e nos inspiram a continuar empunhando a nossa bandeira vermelha e a lutar. Faremos isso em sua memória.
Em 2018, retornamos ao “porão do Lhé” em sentido figurado.  Mas agora nem temos mais porão prá se instalar e nem podemos recorrer a generosidade do Lhé.  Mesmo assim haveremos de renascer das cinzas.

 O Brasil e o Acre não terminam em outubro e na política, ao contrário da guerra, como nos lembra Churchill, se morre mais de uma vez.

*Marcos Inácio Fernandes, é Presidente do DM/PT – Rio Branco

Rio Branco (AC), 22 de dezembro de 2018




quinta-feira, 15 de novembro de 2018

O PRIMEIRO GOLPE MILITAR NINGUÉM ESQUECE





Hoje comemora-se os 119 anos da Proclamação da República. A República começava com um golpe militar e uma traição  do Marechal em relação ao seu "amigo" o Imperador Pedro II.
No dizer de Aristides Lobo: "O povo assistiu àquilo bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava. Muitos acreditavam sinceramente estar vendo uma parada.” 
Nos dias atuais vivemos a "República das Delações", que são até premiadas. O povo, como sempre, continua a assistir "bestializado" a marcha batida da tutela militar sobre a nossa frágil República.

Conheçam um pouco dessa passagem histórica.


Proclamação da República.

Crise da monarquia? Revolta popular? Golpe de Estado? Vamos pensar um pouco.

Prof. Pablo Michel Magalhães

     Dos momentos mais relevantes para nossa história, a Proclamação da República, no Brasil, é ainda tema bastante controverso. O que mais se diz nas aulas de História é que a monarquia estava em crise, agravada ainda mais pela abolição da escravatura, fruto da Lei Imperial n.º 3.353 (Lei Áurea) assinada pela princesa Isabel. Sem ter onde se escorar economicamente (a mão-de-obra escrava teria sido a única utilizada até então) o país entrou em crise e, em 1889, no dia 15 de novembro, o imponente Marechal Deodoro da Fonseca proclamou a República!  
    Muito bem, aqui vimos a boa e velha historinha, que, de tanto ser repetida, passou a ser meio que um enredo de um filme com final feliz. Heróis, mocinhos, bandidos, etc., etc.
   Porém, convido você, leitor(a) amigo(a), a refletir um pouco mais sobre esse evento, que considero sim dos mais importantes para "esta terra descoberta por Cabral" (como diria Juca Chaves). Primeiro, porque alguém que "proclama" algo deve representar alguém ou algo muito poderoso, porque proclamar, segundo o Dicionário Aurélio, é:

1. Anunciar em público e em voz alta. 2. Afirmar com ênfase. Transobj. 3. Eleger, aclamar. P. 4. Fazer-se aclamar.
    Se você já ouviu sua mãe proclamar que você vai lavar os pratos alguma vez, deve imaginar a dimensão dessa palavra.
   Pois bem, quem disse que o tal senhor Marechal Deodoro, no dia 15 de novembro, dos idos 1889, tinha qualquer autoridade para "anunciar em público e em voz alta" que uma República estava nascendo? Quem apontou o dedo para ele e disse: "Você é o escolhido"?
   Vamos pensar um pouco.
 Republicanos e grandes latifundiários no Brasil
    O reinado de Pedro II (1840 - 1889) configurou-se como um período de grandes conflitos, mas de clara solidificação do poder monárquico. Homem de letras (talvez muito mais amante das letras do que da própria coroa), o culto imperador teve de lidar com a Revolução Farroupilha, a Guerra do Paraguai, além da Questão Christie (que provocou uma rusga bastante incômoda nas relações com a Inglaterra). Além disso, a pressão externa para o fim do uso de mão-de-obra escrava complicava as relações comerciais.

Marechal Deodoro da Fonseca

   Optando por uma via de não-violência, o imperador e seus ministros, por meio de leis gradativas, passaram a limitar a escravidão no Brasil (foram três leis, até a definitiva extinção do trabalho escravo: a Lei Eusébio de Queiroz, de 1850, que acabou com o tráfico negreiro; a Lei do Ventre Livre, de 1871, que dava liberdade aos filhos de escravos nascidos a partir desse ano; e a Lei dos Sexagenários, de 1885, que garantia a liberdade para escravos a partir de 60 anos). Assim, vemos que o governo imperial tinha preocupação em acabar com a escravidão no país. Obviamente, não porque achava ruim, ou tinha compaixão da população negra escravizada; mas por interesses econômicos e pela pressão inglesa, que buscava avidamente por mão-de-obra remunerada que pudesse comprar seus produtos.
   Em contraponto a esse panorama, é no período de governo de Pedro II que o Brasil passa por um desenvolvimento econômico e cultural de grande relevância. Jornais, museus e bibliotecas foram alguns dos elementos que compuseram esse avivamento intelectual (algo restrito, é claro, a cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, centros urbanos de maior destaque no país até este momento).
   Dentro desse contexto, havia ainda a aprovação popular do regime monárquico. As viagens da princesa Isabel e seu marido, o Conde D'Eu, para cidades em todo o país eram momentos de animação popular. A opinião pública tinha em alta conta a Monarquia.
   Porém, não podemos falar só de flores. O imperador e sua família gozavam de um grande apoio popular, mas havia grupos com opiniões diferentes, e que faziam oposição ao regime monárquico. Os republicanos representavam um grupo bastante atuante no cenário político, inclusive no movimento abolicionista que tomou conta do país. O Manifesto Republicano de 1870 representava a força de clubes republicanos que se espalhavam pelas capitais de províncias do Brasil. Além destes, os grandes latifundiários, que dependiam da mão-de-obra escrava, mostravam-se desagradados com as leis que impediam o trabalho do negro cativo em suas terras, complicando os resultados da produção. Soma-se a isso a emergência de uma classe média que buscava mais espaço na política brasileira.
   Duas outras questões foram também importantes nesse momento: os militares, descontentes com a proibição, por parte do governo imperial, de se manifestarem na imprensa, sem a autorização do Ministro da Guerra, reclamavam da falta de prestígio político que enfrentavam (os cargos administrativos do Estado eram ocupados por civis, com uma remuneração superior à da carreira militar); e a Igreja que, historicamente antagônica à maçonaria, teve de se submeter ao governo imperial, que se posicionou contra à Bula do Papa Pio IX (que excluía os maçons da Igreja). Uma vez que eram submetidos ao Estado, os sacerdotes católicos tiveram de respeitar a ordem do imperador (que era também maçom).
Então, a proclamação...
    Doente e acamado, com suspeita de dispneia (falta de ar, onde o convalido tem a sensação de não respirar por completo), o Marechal Deodoro da Fonseca (um monarquista!) recebeu em sua casa um grupo de militares (os golpistas que há muito tempo planejavam destituir o Ministro da Guerra) que insistiram ser ele a pessoa certa para conduzir as manobras militares necessárias à tomada do Ministério da Guerra e ao golpe republicano.
   Sendo um homem de convicções monarquistas, e que se dizia amigo do imperador Pedro II (inclusive, devendo-lhe grandes favores), o velho marechal só teve seus brios chacoalhados após tomar ciência da notícia de que o primeiro-ministro Visconde de Ouro Preto havia expedido ordem de prisão para si. Porém, essa suposta notícia era um boato, plantado pelos próprios golpistas, com o intuito de demover Deodoro de suas convicções monarquistas, fazendo com que este aceitasse levantar-se.
   Assim, meio cambaleante, meio sem ar, Deodoro liderou tropas pelas ruas do Rio de Janeiro, em direção ao Campo da Aclamação (atual praça da República) com o intuito de decretar a demissão do ministro Ouro Preto. Ninguém havia falado em decretar uma república. E mais: ao final do episódio, Deodoro ainda voltou-se às suas tropas e deu vivas ao imperador Pedro II. Os republicanos, desapontados com a postura de Deodoro, precisavam de um motivo que fizesse com que o marechal se revoltasse contra o imperador. A vontade deles era realmente o golpe e a queda da monarquia.
   Ouro Preto havia telegrafado ao imperador, avisando de sua demissão, momentos antes da chegada do marechal. Pedro II, reunido com conselheiros e a princesa Isabel no Paço Imperial, acreditava serem os rumores de golpe republicano apenas fogo de palha, e cogitou o nome de Silveira Martins para assumir o cargo de primeiro-ministro.
   Essa escolha foi crucial para aquele fatídico dia 15 de novembro de 1889. Silveira Martins era um antigo inimigo de Deodoro da Fonseca (os dois haviam disputado o amor da Baronesa do Triunfo, no Rio Grande do Sul). Rapidamente, os republicanos transmitiram a notícia ao doente marechal que, diante disso, saltou da cama paraproclamar a República. O que o amor (ou a rejeição, no caso) de uma mulher não faz...
Golpe militar? Proclamação da República? Amor não correspondido?
    Bem, esses eventos marcaram um agitado dia 15 de novembro. No dia 17 desse mesmo mês, Deodoro enviou carta, exigindo a partida imediata do imperador e sua família para fora do país. Mais uma estratégia dos republicanos por trás do golpe: quanto mais rápido fossem embora os membros da família real, menores as chances de manifestações populares contrárias à República.
   No dia 16 de novembro, um desfile militar foi promovido pelos golpistas, com o intuito de celebrar a República e anunciar à população o início de um novo regime governamental. Entretanto, sem saber o que estava acontecendo, grande parte da população assistiu àquele belo desfile, ignorando o verdadeiro sentido. Todos bestializados com a situação.

Vale a pena conferir também...

CARVALHO, José Murilo de. D. Pedro II - perfis brasileiros. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

CARVALHO, José Murilo de. Os bestializados - O Rio de Janeiro e a República que não foi. São Paulo: Companhia das Letras, 1987.


quarta-feira, 31 de outubro de 2018

VIVA O REI!!



Hoje 31 de outubro de 2018, o rei Arthur completa sua 7ª volta de translação em volta do sol. Logo cedo veio me dá a bença e eu digo sempre: tenha dignidade, saúde e felicidade. Que a vida lhe seja leve, meu rei.
 


 

 Já na militância

domingo, 21 de outubro de 2018

ALERTA E ORIENTAÇÃO AOS FAMILIARES E AMIGOS




ALERTA E ORIENTAÇÃO AOS FAMILIARES E AMIGOS

Por: Marcos Inácio Fernandes

 “Há momentos em que silenciar é mentir”. Miguel de Unamuno (1864-1936)

Estamos vivendo e vivenciando um desses momentos aqui no Brasil.
Não posso me dá ao luxo de ficar calado e nem de “lavar as mãos” como Pôncios Pilatos. O momento exige uma ação mais efetiva do que se preocupar com uma questão de higiene.

Confesso que estou ficando com medo e amargurado!!
Não tenho medo de enfrentar as hordas fascistas nas redes sociais e nas ruas.

ESTOU COM MEDO DE PERDER A MINHA HUMANIDADE!

Estou com medo de perder a amizade de pessoas queridas da família, amigos de infância, amigos de trabalho, e outras que cultivei pela vida afora. São pessoas que sei que são boas, decentes e cristãs. Elas me proporcionaram muitos momentos prazerosos na minha existência de 70 anos de vida.
Agora já no ocaso da vida, de “meio dia prá tarde”, me amarguro de ver essas pessoas apoiando, fazendo campanha, compartilhando mentiras, que chamam agora de FAKE NEWS e votando nesse candidato que faz apologia a TORTURA que, na minha concepção, é o crime mais hediondo. Trata-se de um crime contra a humanidade.

Como professor de Ciência Política por 20 anos na UFAC e por dever de ofício, conheço, na teoria e na prática, o que é uma DITADURA, o que é TORTURA e o que é o NAZIFASCISMO.

Na ditadura militar no Brasil, fui preso político junto com Izolda, minha cunhada, e sofremos o suplício da tortura. A minha mais leve, só de pancadas pelo corpo todo e tortura psicológica. A de Izolda foi mais pesada (ela pode testemunhar). Perdemos o nosso amigo comum, José Silton, assassinado sob tortura, que depois teve o corpo carbonizado num fusca e enterrado numa cova rasa. A família nem teve o direito cristão de enterrar o seu morto. Tive outro amigo torturado com requintes de perversidade, Paulo Pontes, que foi condenado a prisão perpétua, mas sobreviveu, e depois foi anistiado. Hoje é professor de Ensino Superior no Campus Federal de Feira de Santana na Bahia.
Tenho, portanto, lembranças amargas desses Anos de Chumbo e que milhões de pessoas querem reviver e legitimar pelo VOTO.

São tempos sombrios de ódio e intolerância. As patologias sociais afloram e a gente descobre, estupefato, que convivemos tanto tempo com pessoas que defendem esses valores e são complacentes e coniventes com as barbaridades que são ditas e praticadas pelo seu “mito” que atende pelo nome de JAIR MESSIAS BOLSONARO. Suas hordas fascistas, mesmo antes das urnas lhe darem legitimidade, já estão tocando o terror país afora.

Esse filme nós já vimos nas telas e nos livros. Foi o NAZIFASCISMO dos anos 30 na Alemanha.  “A PÁTRIA ACIMA DE TUDO” de Hitler é copiada sem nenhuma criatividade como lema do PSL. (o atual partido do Bolsonaro, o seu 6° partido) Lá deu no que deu. Perseguição aos judeus, aos comunistas, aos ciganos e aos gays. A 2ª guerra mundial com 50 milhões de mortos e o Holocausto com 6 milhões de judeus mortos. E a gente lembra a frase de Samuel Johnson: “O patriotismo é o último refúgio dos canalhas”.

O filósofo Alemão Hegel afirmou que “a história se repete” e outro filósofo, também Alemão, Marx, complementou: “na primeira vez como farsa, na segunda como tragédia.” (O 18 Brumário de Luís Bonaparte). Estamos vendo esses mesmos sintomas se repetindo no Brasil, que junta farsa e tragédia ao mesmo tempo.

Por fim reafirmo a minha posição político-ideológica. Militei, quando universitário, no PCBR, do patriota Apolônio de Carvalho, e no Partidão - PCB, de outro patriota valoroso, Luís Carlos Prestes. Ajudei a organizar no Acre o Partidão com meus colegas da UFAC, os companheiros Valdir Calixto, Evaristo de Lucca e Pedro Vicente. Não renego a minha formação COMUNISTA e tenho orgulha dela.

Hoje me considero um SOCIALISTA UTÓPICO, pois me faltam qualidades para ser um COMUNISTA e sou dirigente do PARTIDO DOS TRABALHADORES no Acre, também com muito orgulho.

Afirmo prá vocês que não sou um PETRALHA nem MENSALEIRO e nem LADRÃO como vocês gostam de generalizar. No nosso partido tem milhares de pessoas decentes e de patriotas que amam o Brasil. Então espero não ser pedir demais, que pelo menos RESPEITEM, quem vocês conhecem mais de perto.

Minha tese de Mestrado é sobre o PT do Acre. Estudei a sua trajetória e como militante e dirigente conheço o seu valor. Sei dos seus erros e dos seus desvios pois senti na pele muitos deles, e algumas das minhas críticas ao partido, já externei interna e externamente. Publiquei um artigo “O Declínio da Estrela” onde faço minhas críticas.

Agora posso garantir que não somos os mais CORRUPTOS e nem somos os maiores responsáveis por essa fase que o Brasil está passando.

Por fim, não aceito o pretexto e a conveniência de justificar o voto em Bolsonaro para se livrar do PT e da corrupção. Até entendo que vocês sintam ódio de nós do PT, mas não se vinguem no Brasil.

No próximo domingo 28/10 não votem com o fígado. Votem com o coração, com o pensamento nos versos do Hino da Bandeira – “o lindo pendão da esperança e símbolo augusto da paz”.

Pelo exposto recomendo aos meus familiares e amigos o voto 13 em Fernando Haddad – pro Brasil ser feliz de novo!

Rio Branco (AC), 21 de outubro de 2018.

Marcos Inácio Fernandes (Marcão para uns, e Marquito pra os mais chegados)

PS – Eu Só queria Sossego, depois que me aposentei em 2010. Curtir meu neto, viajar, ler e escrever as minhas memórias com que aconteceu de bom na minha vida. Entretanto, a realidade que se nos apresenta nos impõe a dureza de continuar na luta. Dela não me retiro!

Aceitarei qualquer que seja o resultado das eleições mesmo sabendo que a democracia está sendo hackeada. Se o resultado me for adverso, eu que nunca usei armas e só atirei de baladeira, a alternativa é comprar mesmo uma arma, tirar o seu porte e aprender a manuseá-la para me defender das hordas e milícias fascistas. Quero viver, até pelo menos, o rei Arthur, meu neto, completar seus 15 anos.


Também lamento dizer que já não verei muitas pessoas queridas com o mesmo olhar de antes. Espero que o tempo me ajude a entender melhor o que está se passando e que no futuro eu tenha um olhar mais condescendente com elas. Vou tentar seguir o ensinamento musical de Paulinho da Viola: “Por isso deixo em aberto meu saldo de sentimentos / Sabendo que só o tempo ensina a gente a viver.” (Só o Tempo - P.Viola)