terça-feira, 31 de março de 2020

ACERVO DE CDs






Alguma duplicatas


Como primeira tarefa da quarentena acabei de limpar e catalogar meus CDs, por ordem alfabética e por gêneros musicais, inclusive os estrangeiros aos quais não dava muita importância. São 542 títulos e 1.465 CDs. Nesse trabalho identifiquei uns 50 CDs em duplicata. Eles estão disponíveis prá doação, trocas ou venda por pouco mais ou nada. Quem se habilitar entre em contato comigo. Tem muita coisa boa. Agora vou faze o mesmo trabalho nos LPs. (MIF)



terça-feira, 24 de março de 2020

O APOCALIPSE, O MANIFESTO E ASSIS VALENTE.


Os quatro cavaleiros do Apocalipse (Peste, guerra, fome e morte)


O APOCALIPSE, O MANIFESTO E ASSIS VALENTE

Por: Marcos Inácio Fernandes*

“Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou.” (Apocalipse 21:4)

“Tudo que é sólido se desmancha no ar” (Manifesto do Partido Comunista de 1848 – Marx & Engels)

”Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar...” (Samba-choro de 1938, E o Mundo Não Se Acabou - Assis Valente)

O mundo vai se acabar, mas, não é agora. Isso se dará, segundo os astrofísicos, daqui a mais ou menos 5 bilhões de anos. Por essa época a nossa estrela Anã Amarela, o sol, terá esgotado o seu estoque de hidrogênio e se expandirá engolindo os planetas mais próximos de sua órbita, Mercúrio, Vênus e a Terra. Não nos preocupemos com isso por enquanto.
Entretanto, a vida na terra, pode ser extinta bem muito antes que o sol nos engula na sua bola de fogo. O extermínio da vida pode se dá através de uma outra colisão com a Terra de um grande meteoro, como aconteceu com o que dizimou os Dinossauros há 60 milhões de anos. O asteroide, de 15 km de diâmetro, com o impacto, dispendeu uma energia equivalente a 10 bilhões de bombas atômicas de Hiroshima.

Por sua vez, se escaparmos de outro meteoro (há previsões de outros choques) A vida pode ser extinta pela ação de um agente biológico - o homem - com seus vírus, seus vermes e suas bombas atômicas e nucleares... E suas políticas.

Falando em política, nesses dias de isolamento social, tenho feito algumas releituras dos clássicos da política e tenho achado muitas semelhanças e considero algumas analogias pertinentes entre o que diz o Manifesto do Partido Comunista de 1848 e o que acontece pela Europa e pelo resto do mundo com a crise do capitalismo em face do COVID-19, em 2020.

O Manifesto abre assim: “Um fantasma ronda a Europa. É o fantasma do comunismo.” Nos dias atuais é o fantasma do vírus. Ninguém vê a olho nu, mas faz um estrago mortal. Mata pessoas, faz despencar as Bolsas, fecha os comércios e indústrias, os templos do “Deus/Mercado”, os shoppings e as Catedrais Góticas e templos de outras seitas como os “Armazéns/Igrejas” dos Petencostais aqui no Brasil. Fronteiras fechadas, voos cancelados, confinamento social, colapso nas redes hospitalares e perspectivas de, em breve, colapso no abastecimento.

Quando Marx e Engels disseram no Manifesto “que tudo que é sólido se desmancha no ar”, referindo-se ao regime Feudal, poderia, da mesma forma, ser dito agora do regime Capitalista que vive uma de suas crises cíclicas. Tudo se desmoronando. Um caos!!

Pode ser que o Capitalismo sobreviva a mais uma de suas crises, entretanto, o mundo depois do vírus não será o mesmo. É bem provável que alguma coisa nova esteja nascendo depois dessa crise e que o calendário dos novos tempos tenha uma nova datação – AV e DV – (Antes e depois do vírus). Torço para que a profecia do Apocalipse de que a “antiga ordem esteja passando” leve consigo seus 4 cavaleiros e seus cavalos: peste, guerra, fome e morte.

No Brasil vivemos tempos apocalípticos e temos  4 cavaleiros do Apocalipse em postos chaves da República. Temos esses cavaleiros nas diversas séries do campeonato nacional. Na “Série A”, o núcleo duro do poder político temos o “00” (0 capitão), o “01” (o Senador Flávio das rachadinhas), o “02” (Deputado Federal Eduardo Bananinha) e o “03” (o vereador Carluxo); na “Série B”, as bestas ministeriais. Sérgio Moro, na Justiça e Segurança; Paulo (Posto Ipiranga) Guedes, na Economia; Ernesto Araújo, na Chancelaria; e o General Heleno, no GSI. Na “Série C”, os chefes dos outros poderes. Davi Alcolumbre, presidente do Senado; Rodrigo Maia, presidente da Câmara Federal; Dias Toffoli, presidente do STF; e Augusto Aras, Procurador Geral da República. Eles e suas instituições foram coniventes e cúmplices com o golpe de 2016 e são pusilânimes com as barbaridades que o capitão tem feito, antes, durante e depois da posse como Presidente.

Na “Série D” nós temos as 4 bestas do Apocalípse, que fazem a cabeça do nosso povo mais humilde e desesperançado. São os “pastores caça-níqueis” Edir Maccêdo, Silas Malafaia, R.R. Soares e Valdemiro Santiago. São os mercenários da fé. Todos milionários, que abusam da fé e da vulnerabilidade econômica e cultural do nosso povo. Eles fazem de seus púlpitos de pregação tribunas políticas e todos apoiaram o capitão. Suas Igrejas viraram “currais eleitorais” no pleito de 2018.
Esses “pastores” estão indóceis porque tiveram que fechar suas igrejas nessa quarentena, entretanto, pregam virtualmente a necessidade de seus fiéis continuarem a pagar o “dízimo” em que pese a crise a que todos estamos submetidos e com perspectivas de se aguçar e se prolongar.

Estou apreensivo, mas sem pânico, com essa situação caótica que reúne uma crise econômica, que já estava desenhada, com a crise sanitária que nos pegou despreparado e com líderes políticos mais despreparados ainda. Agora o que mais me angustia e escandaliza são empresários e políticos que querem surfar nesse tsunami.

 Uns aumentando preços de produtos abusivamente, outros fazendo proselitismo político de suspender as eleições e usar o fundo partidário e eleitoral para aportar recursos para combater o vírus, como Aécio Neves e o representante do seu partido aqui no Estado. Salvo melhor juízo considero, no mínimo, precipitadas essas propostas. Por sua vez os que são responsáveis desde sempre, inicialmente com Collor, passando por FHC e seu PSDB, Temer e seu PMDB/MDB e Bolsonaro, sem partido, são os grandes responsáveis pela implementação das políticas neoliberais do Estado Mínimo com todas as suas consequências nefastas. Sucateamento dos serviços públicos, privatizações, ajustes fiscais, desindustrialização e precarização das relações do trabalho, entre outras.

Agora com COVID-19 e o VIRUS-17, o velho e bom ESTADO com o SUS, alguns Centros de Pesquisa nas Universidades, as reservas cambiais que o PT deixou, poderão minimizar a pandemia por aqui. Se tem uma coisa positiva desse vírus é que ele desmoralizou o sistema capitalista e está lhe impondo lições dolorosas que, infelizmente, respingarão em milhares de seres humanos por onde passar sem escolher classe social. Talvez por isso se descubra logo uma vacina e remédios para combate-lo. Será que com a dor aprenderemos a lição?

O mais é cumprir o isolamento social e tomar os demais cuidados para que não se repita por aqui situação idêntica a da Itália. O nosso povo pela sua criatividade e senso de humor (que ri até das tragédias) e pelas crises e vicissitudes históricas que tem passado está mais apto a enfrentar e superar mais uma crise.

De minha parte já tenho rido muito das piadas, memes, charges, que fazem sobre essa pandemia e a quarentena que ela nos impôs. Vou continuar no isolamento social lendo, relendo e ouvindo uns sambas antigos dos meus CDs e LPs. Com certeza o mundo não se acabará agora, como não se acabou em 1938, como Assis Valente relata no seu samba.
Sigamos.

Rio Branco (AC), 24 de março de 2020

*Marcos Inácio Fernandes, 72 anos (do grupo de risco) é professor aposentado e Secretário de Formação do PT de Rio Branco.


segunda-feira, 2 de março de 2020

AS ÁGUAS DE MARÇO




As Águas de Março


Por: Marcos Inácio Fernandes.

“Todas as artes produziram maravilhas, apenas a arte de governar só produziu monstros.”  Saint-Just (1767-1794)

Embora a frase comporte controvérsias, pois “a arte de governar” também produziu maravilhas, com bons exemplos no mundo, no Brasil e no Estado, ela se encaixa, a perfeição, para classificar o (des)governo Bolsonaro.

Um governo que faz constantemente a apologia da tortura, da violência, da ditadura e da mentira e agride, um dia sim e outro também, a Constituição as instituições, a imprensa e a liturgia do cargo que ocupa é de uma monstruosidade que escandaliza, até mesmo, as nossas elites, a plutocracia, que viabilizaram sua ascenção a presidência da República.

Nesse primeiro ano de (des)governo, o capitão coleciona dezenas de motivos jurídicos, por falta de decoro, que ensejariam abertura de processo de impeachment. Da mesma forma, coleciona um estrondoso fracasso na política econômica e social pois só tem dois projetos para o Brasil – CORTAR e VENDER!! Como ele próprio verbalizou: veio para DESCONSTRUIR. Está tendo êxito nesse sentido.

Ademais as “âncoras” de seu governo que seriam o Moro, da Justiça e Segurança, e o Guedes, da Fazenda/Economia se revelaram uma decepção. As âncoras são de isopor. O primeiro se transformou em “jagunço de milícia” (na expressão do Deputado Eduardo Braga) e o segundo, o ministro “tchutchuca” (segundo o Deputado Zeca Dirceu). Pode-se dizer do Ministro da Economia que é o “Ministro 5 reais” (Dólar de 5, gasolina de 5, e 100 gramas de carne, com osso, 5 reais).

Para a “tempestade perfeita”, faltando apenas o povo nas ruas para demonstrar sua insatisfação com esse (des)governo. Então as condições jurídicas e políticas estariam dadas para o impedimento do Presidente que, a cada dia, fica mais isolado e vai ficando cristalina sua inaptidão para exercer o mandato que o povo lhe outorgou.

Agora uma coisa que fique claro. O capitão não enganou ninguém. Até mesmo o mundo mineral (como diz o Mino Carta), sabia do seu histórico, como militar, como parlamentar e como cidadão. O seu desapreço pela democracia e, por outros valores humanitários, ele sempre verbalizou com a virulência que lhe é peculiar. De uma coisa não se pode acusar o capitão. De INCOERÊNCIA. O que ele falou está tentando fazer e vive a soltar “balões de ensaio” e as Instituições vão contemporizando, desde sempre, como agora no caso da convocação conclamando o povo para se manifestarem contra o Congresso e o Supremo e em sua defesa.

Apesar da tibieza das notas do Congresso e do Supremo, a sociedade civil reagiu com firmeza, inclusive o Ministro decano do STF, Celso de Melo. Ademais os “barões da mídia” reagem em editoriais da Folha, Globo e Estadão e liberaram suas penas amestradas (Merval Pereira, Miriam Leitão, Monica Bergamo, Vera Magalhães, Eliane Castanhede, entre outros) a exporem as vísceras do (des)governo do capitão. Talvez seja um pouco tarde, mas não percamos a esperança.

Como se dizia no Nordeste. “Eles que pariram Mateus que o embale” E que o castigue, digo eu. Considero que a direita da mídia e da economia/finanças tem condições sozinhas de defenestrar o capitão do cargo. Ele já demonstrou que não resiste a 2 Jornais Nacionais e alguns domingos seguidos no Fantástico e alguma capas da Veja e da “Quanto E” (Isto É). Agora as esquerdas nas ruas, mobilizando os trabalhadores, seria funcional prá eles.

Digo isso prá dizer, que compartilho do sentimento da Socialista Morena, Cynara Menezes, que se diz constrangida de participar de uma frente ampla para estar junta com quem viabilizou o golpe contra Dilma e viabilizaram a eleição do capitão. Realmente não tem nada mais constrangedor do que um aliado que por acaso está do nosso lado e por motivos diferentes dos nossos.

Por mim, que tenho uma situação de professor universitário aposentado (antes dessa Reforma), relativamente confortável. O capitão tiraria todo seu mandato prá gente contabilizar o estrago no final. O Brasil suportaria, que é grande e forte demais, minha dúvida é se a classe trabalhadora que enfrenta o desemprego e a uberização da economia, teria a mesma capacidade de resistência.

Daí que irei prá rua no dia 8 (ato das mulheres) no dia 12 (aniversário de 2 anos do assassinato da Mariele e Anderson) e dia 18 (manifestação pela educação e pelo emprego, puxado pelas centrais e UNE). No dia 15 acompanharei pela TV a “marcha da insensatez” dos que querem destruir as Instituições que são pilares da democracia.

As águas de março da política tendem a ser turbulentas a exemplo das torrenciais águas que inundam as grandes cidades nesse verão. Tomara que os versos do poeta brasileiro Tom Jobim, nos alente um pouco. Que as águas de março tragam “a promessa de vida em nossos corações”.

Rio Branco (AC), 02 de março de 2020.

*Marcos Inácio Fernandes, é professor aposentado e Secretário de Formação do DM/PT de Rio Branco