domingo, 12 de maio de 2019

LIBERDADE, LIBERDADE!!





Tela de Eugène Delacroix - "A Liberdade conduzindo o povo"- 1830.
por Mouzar Benedito
Nós sociólogos (sic) fazemos muitas atividades por aí, e sempre nos perguntam como é que o Saci perdeu uma perna. Há várias versões. Conto a que prefiro.
Reza a lenda que o Saci era um pequeno deus guarani – pequenino mesmo, um curumim. Os colonizadores, para facilitarem o domínio dos povos indígenas, “transformaram” todos os seus deuses em demônios. Para aumentar o preconceito contra o Saci, nos tempos de escravidão negra, o transformaram em negro. E ele foi pego e escravizado por um fazendeiro. À noite, ficava acorrentado por uma perna, preso a um cepo na senzala. Uma noite, ele mesmo cortou a perna presa e fugiu. Preferiu ser um perneta livre do que um escravo de duas pernas.
Nestes tempos em que tem gente desprezando solenemente a liberdade, e aspirando a volta da ditadura, me lembrei disso. E coletei um monte de frases sobre o tema. Aí vão.
Benjamin Franklin: “Aqueles que abrem mão da liberdade essencial por um pouco de segurança temporária não merecem nem a liberdade nem a segurança”.
Benjamin Franklin, de novo: “Onde mora a liberdade, ali está minha pátria”.
Graham Greene: “Heresia é apenas um outro nome para liberdade de pensamento”.
Virginia Woolf: “Não há barreira, fechadura ou ferrolho que possas impor à liberdade da minha mente”.
Jeanne Manon Roland: “Liberdade, liberdade, os crimes que se cometem em teu nome”.
Machado de Assis: “A liberdade não é surda-muda nem paralítica. Ela vive, ela fala, ela bate as mãos, ela ri, ela assobia, ela clama, ela vive da vida”.
O gêmeo Paulo, no romance Esau e Jacó, de Machado de Assis: “A abolição é a aurora da liberdade; emancipado o preto, resta emancipar o branco”.
Bakunin: “A liberdade do outro estende a minha ao infinito”.
Françoise Sagan: “Desejo tanto que respeitem a minha liberdade que sou incapaz de não respeitar a dos outros”.
Clarice Lispector: “A liberdade é pouco. O que eu quero ainda não tem nome”.
Clarice Lispector, de novo: “Acho que devemos fazer coisa proibida, senão sufocamos. Mas sem sentimento de culpa e sim como aviso de que somos livres”.
Clarice Lispector, mais uma vez: “Eu tenho uma aparente liberdade, mas estou presa dentro de mim”.
Clarice Lispector, ainda: “Mas quero a liberdade de dizer coisas sem nexo como profunda forma de te atingir. Só o errado me atrai, e amo o pecado, a flor do pecado”.
E mais uma da Clarice Lispector: “A liberdade ofende”.
Stanislaw Ponte Preta: “Política tem esta desvantagem: de vez em quando, o sujeito vai preso, em nome da liberdade”.
Rubem Alves: “O desejo de liberdade é mais forte que a paixão. Pássaro, eu não amaria quem me cortasse as asas. Barco, eu não amaria quem me amarrasse no cais”.
Marina Tsvetayeva: “A liberdade é uma puta bêbada esperneando contra um soldado que tenta dominá-la”.
Luís Freitas Rodrigues: “A liberdade não evita que um indivíduo se torne hipócrita; é contudo, inegavelmente, uma lei contra a hipocrisia”.
Marquês de Maricá: “O que ganhamos em autoridade, perdemos em liberdade”.
Não sei quem: “Se você acha que a liberdade não enche a barriga, tente passar dez anos na prisão com a barriga cheia”.
Nietzsche: “Qual é o sinal da liberdade realizada? Não sentir vergonha de si mesmo”.
Nietzsche, de novo: “O homem livre é imoral, porque em todas as coisas quer depender de si mesmo e não de algo estabelecido”.
Carlos Drummond de Andrade: “A liberdade é defendida com discursos e atacada com metralhadoras”.
Balzac: “A liberdade leva à desordem, a desordem à repressão, e a repressão novamente à liberdade”.
Juscelino Kubistchek: “Não consentirá o governo que a liberdade seja utilizada para assassinar a própria liberdade”.
Juscelino, de novo: “A liberdade, para nós, corresponde a uma série de conquistas econômicas, sociais e políticas”.
D. Quixote: “Liberdade é o direito que se tem de não permitir que os outros façam aquilo que querem”.
José Bonifácio: “O amor da liberdade deve ser, na frase bíblica, invencível como é a morte; deve, como o apóstolo, ter a sede do infinito; deve ser grande como o universo que o contém”.
Graça Aranha: “A liberdade é uma relatividade humana, que forçamos à existência para a nossa ilusão criadora”.
Gustave Le Bon: “Muitos são os homens que falam de liberdade, mas poucos são os que não passam a vida a construir amarras”.
Jean-Jacques Rousseau: “O homem nasceu livre e por toda a parte vive acorrentado”.
Rousseau, de novo: “Povos livres, lembrai-vos desta máxima: a liberdade pode ser conquistada mas nunca recuperada”.
Baruch Espinoza: “É aos escravos, e não aos homes livres, que se dá um prêmio para os recompensar por terem se comportado bem”.
Manuel de Barros: “Quem anda nos trilhos é trem. Sou água que corre entre pedras – liberdade caça jeito”.
Guimarães Rosa: “A água de boa qualidade é como a saúde ou a liberdade: só tem valor quando acaba”.
Guimarães Rosa, de novo: “O passarinho na gaiola pensa que uma árvore e o céu o prendem”.
Henrik Ibsen: “Nunca vista as suas melhores calças quando sair para lutar pela liberdade e pela verdade”.
Millôr Fernandes: “A liberdade é um cachorro vira-lata”.
Millôr, de novo: “Não existe liberdade consentida. A liberdade é de baixo para cima, imposta pelas reivindicações e pela consciência do indivíduo. As tiranias, por vontade própria, jamais dãoliberdade. Apenas, à proporção em que se sentem seguras, vão pondo elos na corrente que prende todos os cidadãos”.
Millôr, mais uma vez: “Ser livre, é bom notar, não é ser libertado. ‘Eu te dou toda liberdade’ é a restrição suprema”
Denis Diderot: “O homem só será livre quando o último rei for enforcado com as tripas do último padre”.
Rui Barbosa: “Bem acanhado tino o dos que preferem a coroa do terror que um sopro arrebata, à do contentamento público na liberdade, que a gratidão perpetua”.
Montesquieu: “A liberdade é o direito de fazer tudo que as leis permitem”.
Thomas Jefferson: “O preço da liberdade é a eterna vigilância”
George Orwell: “Às vezes penso que o preço da liberdade não é tanto a eterna vigilância, mas o eterno jogo sujo”.
Nelson Rodrigues: “A liberdade é mais importante que o pão”.
Adão Myszak: “Na época atual, a liberdade só existe para os fortes. Ninguém precisa dos fracos”.
Austregésilo: “Ser livre, para o homem contemporâneo, é ser justo, é ser culto, é respeitar o direito alheio, o direito individual, diante de si mesmo”.
Coelho Neto: “Nada mais livre do que a natureza e, todavia, é regida por leis invariáveis”.
Heitor Moniz: “O liberalismo tem uma bandeira bonita e aspectos exteriores que o tornam na verdade sedutor. É apenas uma aparência enganosa”.
Heitor Moniz, de novo: “O liberalismo tudo promete ao povo e dá tudo aos fortes e aos ricos”.
Vivaldo Coaraci: “O homem é tanto mais livre quanto maior a sua capacidade de renúncia”.
Antônio Costa: “Liberdade! A natureza toda é um espelho onde a tua grandeza se reflete”.
Leôncio Basbaum: “Liberdade quer dizer vida e natureza, em toda sua exuberante, espontânea e livre manifestação”.
Leoni Kaseff: “O fim último da vida não é o progresso, nem mesmo a verdade, mas a liberdade”.
Wilson Chagas: “É livre quem aprendeu a livrar-se daquilo que o impede justamente de ser livre”.
Albert Camus: “Julgavam-se livres e nunca alguém será livre enquanto houver flagelos”.
Dei Bao: “A liberdade não é nada senão a distância entre a caça e o caçador”.
Victor Hugo: “Tudo que aumenta a liberdade, aumenta a responsabilidade”.
George Bernard Shaw: “Liberdade significa responsabilidade. É por isso que tanta gente tem medo dela”.
Sigmund Freud: “A maioria das pessoas não quer realmente a liberdade, pois a liberdade envolve responsabilidade, e a maioria das pessoas tem medo da responsabilidade”.
George Orwell: “Se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir”.
Rabindranah Tagore: “É tão fácil esmagar, em nome da liberdade exterior, a liberdade interior”.
Mahtma Gandhi: “A prisão não são as grades, a liberdade não é a rua; existem homens presos na rua e livres na prisão. É uma questão de consciência”.
Goethe: “Ninguém é mais escravo do que aquele que se julga livre sem o ser”.
Francis Bacon: “É um estranho desejo, desejar o poder e perder a liberdade”.
Voltaire: “Se o homem nasceu livre, deve governar-se; se ele tem tiranos, deve destroná-los”.
Madame de Staël: “A liberdade e o amor são incompatíveis. Quem ama é sempre escravo”.
Malcolm X: “Não se pode separar paz de liberdade, porque ninguém consegue estar em paz sem que tenha sua liberdade”.
Pablo Neruda: “Você é libre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências”.
Simone de Beauvoir: “Querer ser livre é querer livres os outros”.
Simone de Beauvoir, de novo: “O homem é livre. Para essa liberdade só há um caminho: o desprezo das coisas que não dependem de nós”.
Benito Mussolini: “A verdade é que os homens estão cansados de liberdade”.
Isaac Asimov: “A liberdade não tem preço, a mera possibilidade de obtê-la já vale a pena”.
José Martí: “A liberdade custa muito caro e temos que nos resignarmos a viver sem ela ou nos decidirmos a pagar seu preço”.
Che Guevara: “Sonha e serás livre de espírito… Luta e serás livre na vida”.
Gustave Le Bom: “Para os homens, a liberdade, na maioria dos casos, não é outra coisa senão a faculdade de escolherem a servidão que mais lhe convém”.
Nelson Mandela: “Nenhum poder na Terra é capaz de deter um povo oprimido, determinado a conquistar a liberdade”.
John Lennon: “A mulher é o negro do mundo. É a escrava dos escravos. Se ela tenta ser livre, tu dizes que ela não te ama. Se ela pensa, tu dizes que ela quer ser homem”.
Hilda Hilst: “Sinto-me livre para fracassar”.
Woody Allen: “A liberdade é o oxigênio da alma”.
Henri Barbusse: “A liberdade e a fraternidade são palavras, enquanto a igualdade é uma coisa”.
Bob Marley: “Acredito na liberdade para todos, não apenas para os negros”.
Beethoven: “Os músicos utilizam todas as liberdades que podem”.
Cecília Meireles: “Liberdade de voar num horizonte qualquer, liberdade de pousar onde o coração quiser”.
Leon Tolstoi: “Não alcançamos a liberdade buscando a liberdade, mas sim a verdade. A liberdade não é um fim, mas uma consequência”.
Lauro de Oliveira Lima: “Tudo está fluindo. O homem está em permanente reconstrução; por isso é livre: liberdade é o direito de transformar-se”.
Fernando Pessoa: “A liberdade é a possibilidade de isolamento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo”.
Jean Paul Sartre: “A pátria, a honra, a liberdade… Nada disso! O Universo gira em torno de um par de nádegas e isso é tudo…”.
Luís Fernando Veríssimo: “Mas eu desconfio que a única pessoa livre, realmente livre, é a que não tem medo do ridículo”.
Mouzar Benedito, jornalista, nasceu em Nova Resende (MG) em 1946, o quinto entre dez filhos de um barbeiro. Trabalhou em vários jornais alternativos (Versus, Pasquim, Em Tempo, Movimento, Jornal dos Bairros – MG, Brasil Mulher). Estudou Geografia na USP e Jornalismo na Cásper Líbero, em São Paulo. É autor de muitos livros, dentre os quais, publicados pela Boitempo, Ousar Lutar(2000), em co-autoria com José Roberto Rezende, Pequena enciclopédia sanitária(1996), Meneghetti – O gato dos telhados (2010, Coleção Pauliceia) e Chegou a tua vez, moleque! (2017, e-book). Colabora com o Blog da Boitempo quinzenalmente, às terças.


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