sexta-feira, 8 de abril de 2016

RESISTÊNCIA TEU NOME É MULHER - DILMA VANA ROUSSEFF






Resistência teu nome é mulher - Dilma Vana Rousseff

 Por:Marcos Inácio Fernandes*




 Na cabine do KC-390. Acho que vão pedir o impeachment dela por ter subido na cabine do avião sem brevê de piloto.

                             Agressão misógina a Dilma Rousseff


“A adversidade tem o efeito de atrair a força e as qualidades de um homem/mulher que as teria adormecido na sua ausência.”
Heródoto (484 a.C- 425 a.C)

As vezes fico dialogando com os meus botões, bem ao estilo do Mino Carta, se vale o sacrifício de se indispor com familiares, amigos e tantas pessoas queridas nesse enfrentamento em defesa do governo, do PT e da democracia?! Enfrentar as hordas fascistas e golpistas é bem mais fácil e mais confortável. Dá até prazer. O duro é estabelecer o diálogo com pessoas que nos são próximas e embarcam no discurso fácil do senso comum e reproduzem a manipulação da Globo na sua demonização diária contra a política e os políticos, o governo, o PT, Lula e Dilma, não necessariamente nessa ordem. Confesso que só vejo a Globo, esporadicamente, porque tenho bom estômago e ele suporta assistir as suas doses cavalares de desinformação, cinismo e hipocrisia. Infelizmente essa é a maior fonte de informação do nosso povo. A sorte é que ela já não fala sozinha. Hoje tem a internet. E eu fico a imaginar o que não sofreram Vargas e Jango nas mãos dessa gente.

Pois bem. Fico as vezes refletindo se, a longo prazo, não seria até educativo darem logo esse golpe. O Temer assumiria, o Cunha se tornar seu eventual substituto e depois na linha sucessória o Renan, implantavam a sua “Ponte para o Futuro”, que não passa de uma “pinguela para o passado”, doariam, mais uma vez, o nosso patrimônio com Pré Sal e tudo. Serviço completo. Quanto tempo iria durar um governo assim constituído? Quanto tempo seria necessário para se implantar um novo um governo popular e democrático? O trágico disso tudo é que: “a longo prazo, todos estaremos mortos” como bem assinalou Adam Smith. Ademais não há derrotas regeneradoras.
Mas esses pensamentos me fogem logo da cabeça quando olho para Dilma Rousseff. Essa sim, uma mulher altiva, de fibra e de coragem com uma capacidade de resistência, que deixa as “mulheres de Atenas” como se fossem  aprendizes de infortúnios. Vejamos.

-A Dilma resistiu a prisão e a tortura e os Tribunais Militares durante a ditadura militar;
- Resistiu as Marchas de 2013;
- Resistiu ao “Volta Lula”, que ameaça a sua candidatura a reeleição;
- Resistiu ao “não Vai ter Copa” e ao “Imagine na Copa” e ao boicote sistemático da mídia brasileira;
- Resistiu ao sonoro “vá tomar no cu” dos camarotes do Itaú, na abertura da Copa, isso na presença da filha e dignatários do mundo todo;
- Resistiu as baixarias da campanha eleitoral nas redes sociais. Nunca uma mulher foi tão atacada, tanto na sua condição feminina, como na condição de mandatária de uma nação, antes, durante e pós eleições;
- Apesar de todos contra ela. Foi reeleita com mais de 54 milhões de votos.

Dilma ganhou, mas, parece que ficou pedindo desculpas por ter vencido. Pediu uma trégua para governar. Fez inúmeras concessões adotando propostas do Programa perdedor nas urnas. Mesmo assim o Congresso boicotou as suas medidas e não apenas isso, ainda impôs ao país e ao governo a famigerada “Pauta bomba”.

A oposição, capitaneada pelo PSDB, não aceitou a derrota e foi para o 3º turno, pedindo a recontagem de votos, a cassação da chapa vencedora e entrou com mais de 12 Processos contra o Governo Dilma na Câmara. Nem sei mais em quantos turnos tem se prolongado as eleições de 2014.
Isso tudo em meio a uma operação jurídico/policial, a Lava Jato, que a título de combater a corrupção, fustiga o governo todo o tempo na tentativa de desgastá-lo e derrubá-lo. A mídia faz o resto.
Como a crise se acentuou, a oposição acha que está criado o caldo de cultura para pedir o seu impeachment, a sua renúncia e alguns até insinuam o seu suicídio e, até mesmo, seu assassinato. Até o seu vice, companheiro de chapa na eleição, conspira contra ela e comandou o desembarque do PMDB de apoio ao governo.

Apesar de tudo isso, Dilma já verbalizou que vá lutar pelo seu mandato e que não renuncia. Com a sua firmeza fez reacender nos setores organizados da sociedade, mesmo aqueles que fazem oposição ao seu governo, a disposição de lutar pela democracia ameaçada. #Não Vai Ter Golpe, vai ter luta.
Miremo-nos nessa mulher que reúne as características do bambu – verga, mas não quebra. A Dilma, a exemplo do bambu, é dotada da mesma fibra e flexibilidade. Ela, entre outras qualidades, é parecida com o bambu:

- não se curva diante de problemas e de dificuldades;
 - Tem raízes profundas com o nosso povo. É muito difícil arrancar um bambu, pois o que ele tem para cima ele tem para baixo também;
 - Antes de crescer o bambu permite que nasçam outros a seu lado. Sabe que vai precisar deles. Eles estão sempre grudados uns nos outros, tanto que de longe parecem com uma árvore;
 - O bambu nos ensina a não criar galhos. Como vive em moita (comunidade), o bambu não se permite criar ramificações e crescer para os lados. Não perde tempo com coisas insignificantes (às quais nós damos um valor inestimável);
- O bambu é cheio de “nós” (e não de "eu’s"). Como ele é oco, sabe que se crescesse sem nós seria muito fraco.
 - O bambu só cresce para cima e para o alto. Essa é a sua meta.

A nossa meta. Lutaremos, até a carne cair dos ossos, pelo seu mandato e, sobretudo, pela democracia que está ameaçada.

*Marcos Inácio Fernandes é professor aposentado e militante do PT

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