quinta-feira, 28 de maio de 2020

AMIGOS QUE A VIDA ME PRESENTEOU.


Graça e Zizeuda.

 Zizeuda, como a conheci, sempre de bom humor.

 Zizeuda no esplendor de sua juventude.

 Oséias (Tio), Graça e Zizeuda.

 Lembrança da Guayra, componente do nosso grupo de trabalho.

 Zizeuda, sempre uma alegria contagiante.

Zizeuda quando visitou o Acre. (no meu escritório)

AMIGOS QUE A VIDA ME PRESENTEOU.

Por: Marcos Inácio Fernandes*

Meus amigos não tem defeitos, agora os inimigos, se não tiver eu boto.” Carlos Imperial (1935-1992)

“A amizade é um amor que nunca morre.” Mário Quintana (1906-1994)

“Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade.” Confúcio (551 a.C – 479 a.C)

Começando a fazer o registro das amizades que cultivei nas minhas 7 décadas de existência e, vou iniciar por duas amigas queridas, cuja amizade remonta aos anos 70. Fazíamos a faculdade de Sociologia na Fundação José Augusto em Natal, curso que,  posteriormente, foi incorporado a Universidade Federal do Rio Grande do Norte-UFRN.

Trata-se de ZIZEUDA DE SOUZA GOMES (Ziza ou ZI) e sua irmã, GRAÇA FARO DE SOUZA GOMES (Graça).

Fomos, como já disse, contemporâneos na velha FUNDAÇÃO JOSÉ  AUGUSTO, na rua Jundiaí, que disponibilizava os cursos de Sociologia e Jornalismo. Por anos seguidos formamos um bom grupo de trabalho e, sem falsa modéstia, éramos alunos aplicados e sempre tiramos boas notas nos trabalhos. O grupo era composto por mim, Ziza, Graça, Rizolete (Rizó), Guayra e Chico. Lembro que a Graça foi a aluna laureada (a de melhor desempenho acadêmico) quando concluímos o curso, já na UFRN, em 1977.

Registro que a Ziza foi quem me arranjou o 1º emprego de datilógrafo num escritório de planejamento que ela trabalhava. Eu era um “dedógrafo”, já a Ziza, era uma exímia datilografa e era quem “batia” nossos trabalhos de curso. Minha gratidão Ziza, pela oportunidade do 1º emprego. Desde então, nunca fiquei desempregado e hoje posso desfrutar do “ócio criativo”, aposentado que estou, desde 2010, pela Universidade do Acre. Ô glória!

Dos tempos de faculdade, até hoje, guardo uma lembrança de um disco compacto simples, com Juca de Oliveira recitando poemas de Drummond e Vinicius, que ganhei da Guayra, com a seguinte dedicatória: “Marcos, que a palavra do poeta me faça saudade no teu coração. Tua amiga. Guayra. Natal 08-12-73”
Quando me bate saudades, dessa turma e dessa época, coloco esse disco no meu som de vinil e sempre me emociono com Juca de Oliveira recitando fragmentos do poema de Drummond, “Resíduos”. “De tudo fica um pouco...” Ficou foi muito, amigas !!!

Ainda em Natal, guardo na memória, um carnaval que passamos em Ponta Negra, eu, Eró, Ziza, Graça e Juliano Siqueira e outros amigos que não me lembro. Numa madrugada, nesse retiro de carnaval, acordamos com Liz Noga tocando seu violão numa espécie de serenata fora de época. Foi um deleite!

Ao longo da nossa amizade tivemos muitos momentos prazerosos pelos bares de Natal. Quando eu já morava em Rio Branco e numa das minhas idas à Natal, em 1988, nos encontramos em algum bar e Graça escreveu num guardanapo de mesa de bar, essas palavras:

“Marquito, Fazer renascer emoções é Uma coisa muito séria. E importante. E vibrante.
Porque emoção é vida e você, amigo antigo de antigamente, fez, com seu jeito de sempre, renascer coisas não esquecidas, mas guardadas...Que bom você ter vindo! Que bom chegar aos
34 anos e saber que fiz um amigo. VALEU! Volte, tá! Um beijo, Graça.” (25/6/88)

Voltei outras vezes em Natal, mas, perdemos contato. Depois tive a triste notícia de que Graça e Zizeuda tiveram aneurisma e ficaram com a saúde comprometida. Graça está em cadeira de rodas sob os cuidados de Plínio, seu irmão e Ziza está, em estado quase vegetativo, na casa de sua filha Ana, sob seus cuidados e de uma enfermeira. Quando estive pela última vez em Natal, agora no ano passado, em 2019, visitei Zizeuda na casa da sua filha Ana e não sei se ela me reconheceu. Senti falta do seu sorriso cativante e da conversa que não tivemos.  Confesso que fiquei impactado em vê-la naquele estado. E  me vi cantarolando a música “Velho Ateu” (Eduardo Gudin & Roberto Riberti) ”...Se eu fosse Deus a vida bem que melhoravaSe eu fosse Deus daria aos que não tem nada...” se eu fosse Deus restabeleceria a saúde de Zizeuda e Graça.

Vou lembrar das minhas amigas, Ziza e Graça, sempre com ternura.  Tem uma música que é a cara delas - “Mais um Adeus” de Toquinho e Vinicius, que diz: “... e de repente uma vontade de chorar...” Toda vez que escuto, me lembro delas e dá uma vontade de chorar e de tomar uma de Gim, ou de outra bebida quente, para brindar a nossa amizade.

Gratidão Zizeuda e Graça!!

Rio Branco, 28 de maio (76º dia de isolamento social) de 2020

Marcos Inácio Fernandes (Marquito)

Nenhum comentário:

Postar um comentário